Acorda, Raimundo… Acorda!

Dirigido por Alfredo Alves e lançado em 1990, o curta-metragem  “Acorda, Raimundo… Acorda!”  é, até hoje, utilizado em debates sobre a questão de gênero.

Na intenção de trabalhar com os alunos a desigualdade entre o homem e a mulher, a partir dos estereótipos do que é feminino e do que é masculino, o filme aparece como um interessante recurso didático, pois aborda a questão a partir da inversão de papéis que representam o homem e a mulher em nossa sociedade: na vida de um casal, o homem assume as tarefas e comportamentos que supostamente são da mulher e vice-versa.

O curta é de fácil acesso e possui aproximadamente 15 minutos, o que torna possível reproduzi-lo em sala e posteriormente debatê-lo no período de uma aula. Como meio de aproximação dos alunos aos debates sobre gênero, auxilia na quebra de paradigmas que permeiam a questão, pois ilustra bem as desigualdades existentes entre os “papéis” de cada sexo e, a partir disso, pode instigar uma conexão com o contexto visto e vivido cotidianamente pelos jovens.

Apesar de desatualizado, no sentido de que não expõe uma relação majoritária do contexto atual,  o filme se torna interessante, pois abre espaço para uma perspectiva histórica do tema, podendo ser levantado em sala de aula questões sobre as mudanças que se deram tanto nas relações sociais (homens – mulheres), quanto na constituição das famílias.

Além de levantar inúmeras questões que podem ser debatidas com os alunos, o filme tem como enfoque mostrar que não é simplesmente a inversão dos papéis do homem e da mulher que resolveria o problema da desigualdade. Uma possível interpretação e que pode ser desenvolvida em sala é que, diante do filme, podemos colocar as desigualdades como sendo construídas em cima da diferença biológica do sexo.

O filme pode ser assistido aqui: http://vimeo.com/5859490

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  1. Ferreira

    Apesar de não ter percebido a “diferença biológica de sexo” sendo apresentada no filme como base ou fundamento das desigualdades (e sim como mais uma delas), entendo que essa possa ser uma interpretação possível. No entanto, não ficou claro como isso auxiliaria o professor a discutir justamente a idéia contrária.

  2. Aram

    O filme é interessante até certo ponto porque ele faz essa inversão dos papéis entre homem e mulher. Entretanto acho que ele possue alguns problemas, talvez por ser da década de 1990. Além da divisão sexual do trabalho (doméstico e econômico), o filme também trata do machismo, questionando a posição de submissão da mulher perante o homem. Além do filme tratar apenas de um tipo específico de família, ou seja, o tipo “pai provedor econômico, mãe trabalhadora doméstica dentro do próprio domícilio e filho ainda criança”, ele trata apenas de uma face do machismo: o quê talvez possa ser chamado de “machismo masculino”, ou seja, uma relação política entre o homem e a mulher onde o homem submete a mulher à sua vontade, muitas vezes embasado em justificativas religiosas e/ou biológicas. A minha questão é: e o machismo feminino? E a relação de mulheres oprimindo mulheres? Ou os raríssimos casos de homens que exercem atividades consideradas femininas (e por isso raros) e sofrem preconceito tanto de outros homens como das próprias mulheres também? Sintetisando: e a aquelas muitas mulheres que não só aceitam essas relações machistas, como também reproduzem essa relação ao oprimir tanto homens como outras mulheres que têm um comportamento desviante?
    Portanto, além das trocas de papéis (que eu achei interessante) o filme também me passou uma imagem de que as mulheres seriam vítimas dessa relação de submissão perante aos homens especifica e exclusivamente e que os homens seriam os maiores responsáveis dessa relação tirânica, o quê ignora, ao meu ver, o próprio caráter machista que muitas mulheres têm e de intolerância à tipos de comportamentos diferentes do que “Deus estabeleceu para o homem e para a mulher”.
    Nesse sentido acho o curta metragem interessante de ser trabalhado em sala de aula desde que entre no debate outras manifestações do machismo para que este não acabe sendo – ironicamente – naturalizado segundo uma visão maniqueista que o filme possa passar.

  3. nanasimonetti

    De fato, trabalhar o machismo somente nessa perspectiva de homens oprimindo mulheres não é suficiente, mas acredito que o filme suscita o início do debate acerca da questão. Ou seja, o curta é apenas um recurso que mostra uma das formas de se abordar o machismo, mas isso não quer dizer que as outras formas não possam ser discutidas posteriormente.
    Justamente por ser aparentemente “ultrapassado”, no sentido de que não expõe uma relação majoritária do contexto atual, é que o filme se torna interessante, abrindo espaço para uma perspectiva histórica do tema, podendo ser levantado em sala de aula questões sobre as mudanças que se deram tanto nas relações sociais (homens – mulheres), quanto na constituição das famílias.
    Pode-se desenvolver em conjunto com os alunos quadros comparativos, como, por exemplo, a visão e representação que temos das mulheres hoje e a que foi colocada no filme.
    Em relação ao último parágrafo, isso será alterado no post.




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