As TICs e as Ciências Sociais

Mas afinal de contas, podem as TICs (tecnologias de informação e comunicação) fazerem diferença na sala de aula? Qual o papel delas na nossa sociedade contemporânea e qual seria o seu papel no ensino de Sociologia no ensino médio? Essas perguntas pautaram o último encontro da nossa disciplina de estágio supervisionado em ciências sociais, rendendo uma ótima discussão para a turma… tanto que eu achei que esta discussão merecia um post no blog…

Eis o vídeo que suscitou a discussão da última aula, dia 01/09:

Parte 1

Parte 2

A importância da comunicação para a sociologia contemporânea e dos meios de exercita-la no mundo moderno já se fazem evidentes através do curta do diretor Pedro Ekman e do coletivo Intervozes Brasil de Comunicação Social. O vídeo nos mostra a importância da comunicação e das TICs (no caso do vídeo, as mídias de comunicação em massa como a TV e o rádio) para a conformação de hábitos, opiniões (inclusive políticas) e visões de mundo, aspectos chaves para a compreensão do seu papel na sociedade contemporânea.

Bom, até aí tudo bem. Mas… como podemos fazer uso dessas novas mídias (ou não tão novas assim) nas salas de aula? E o mais importante, que diferença elas podem fazer no ensino da sociologia (não apenas da sociologia, pensando bem, mas no ensino como um todo)?

O uso de novas tecnologias na sala de aula ora assusta, ora encanta as pessoas. Mas qual será o verdadeiro impacto de sua utilização?

Para simplificar o argumento, o post, e a vida dos nossos leitores, invoco um material valioso para o professor de sociologia, o volume 15 da “Coleção Explorando o Ensino” (desenvolvido pelo MEC), mais especificamente o capítulo 8 “Sociologia e tecnologias de informação e comunicação”, escrito pelo professor Tom Dwyer do IFCH/UNICAMP:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=7843&Itemid=

O material desenvolvido pelo professor Tom Dwyer (o material ainda está fresquinho, foi publicado há menos de um ano) para a Coleção Explorando o Ensino, de uma forma geral, discute a problemática de como as novas tecnologias influenciam (ou não…) o ofício do professor na sala de aula (repito, não apenas o de sociologia). O prof. Dwyer utiliza-se do exemplo de TIC mais em voga nos dias de hoje: o computador, embora esse exemplo possa facilmente ser aplicado aos outros tipos de TIC existentes (podemos entender a televisão, o rádio, smartphones e até mesmo jornais e revistas como exemplos de TICs), o uso da tecnologia em sala de aula que mais gera polêmicas é o computador, mais especificamente a internet.

A comunicação é um processo importante da socialização humana e na transmissão de ideias e visões de mundo, daí a importância das TICs na sociedade.

Adiantando o argumento do texto, as TIC não são por si só uma revolução na sala de aula, mesmo porque seu advento pode ter efeitos negativos no rendimento escolar. As possibilidades de ensino através das TICs são encaradas hoje pela maioria dos pesquisadores como um potencial, a ser desenvolvido por ninguém mais, ninguém menos, que o professor.

“A incorporação das TIC nas Ciências Sociais brasileiras e no Ensino Médio abre uma janela a partir da qual podemos traçar novas alternativas de desenvolvimento de ensino, pesquisa e divulgação. Diferente do que certos comentadores, presos da ideologia do determinismo tecnológico, sugerem, a penetração das TIC nas escolas parece reforçar a importância do papel do professor. O professor tem um papel fundamental de ensinar aos jovens a compreender melhor o mundo ao redor e a se preparar para enfrentar não apenas o mercado de trabalho, mas também a serem capazes de analisar e opinar sobre as grandes questões levantadas no Brasil e no mundo, ou seja, se transformarem em cidadãos bem informados.” (Dwyer, 2010)

O uso das TIC nas salas de aula pode ser muito proveitoso e saudável, desde que orientado à uma recepção crítica das informações e à uma capacitação do aluno em se comunicar enquanto cidadão. Devemos, portanto, ensinar nossos alunos não apenas a “ouvir” a mensagem dos outros, mas principalmente a falar e se fazer ouvir através das TICs disponíveis.

Pensando bem, essa é uma discussão que vai longe, mas espero que este post já sirva como uma pequena alfinetada para começarmos a pensar o papel da comunicação na sociologia e o das TICs no ensino de sociologia…

Bibliografia

DWYER Tom, Sociologia e tecnologias de informação e comunicação. In:
Sociologia: ensino médio / Coordenação Amaury César Moraes. Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. 304 p.: il.
(Coleção Explorando o Ensino; v. 15).

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  1. Ferreira

    De fato, o tema é vasto. Como continuação da reflexão, eu sugiro duas questões: (1) Não seria o caso de assumir uma postura crítica frente ao pressuposto tácito de que “A comunicação é um processo inerente da socialização humana”?; (2) não é excessivo esperar que o professor deva “ensinar aos jovens a compreender melhor o mundo ao redor e a se preparar para enfrentar não apenas o mercado de trabalho, mas também a serem capazes de analisar e opinar sobre as grandes questões levantadas no Brasil e no mundo, ou seja, se transformarem em cidadãos bem informados”? Sobre a segunda questão, o ponto é: o professor sabe necessariamente mais sobre essas coisas do que os alunos? (não questiono se ele “deveria” saber, e sim se ele “de fato” sabe).

  2. gsouzacampos

    Talvez a comunicação não seja o único meio de socialização humana, mas com certeza é através da comunicação que os seres humanos compartilham significados e visões de mundo, constituindo assim uma estrutura cultural comum à determinada sociedade. Como o próprio curta mostra, a comunicação tem um papel relevante na constituição da cultura política e nas relações de poder. Talvez não a comunicação em si não seja inerente ao processo de socialização humano, mas teve, nesse sentido, uma importância muito grande na constituição da sociedade moderna em que vivemos A importância da comunicação na vida social já foi trabalhada por diversos autores da sociologia e da antropologia, como Habermas, Wolton e Levi-Strauss, só para citar alguns. Talvez em um próximo post isso possa ser explorado melhor, a despeito do espaço que os posts do blog comportam.

    Quanto à 2ª questão, devemos considerar que o aprendizado é intersubjetivo, ou seja, ele se dá através da troca de experiências entre professor e aluno. Claro que seria presunção achar que o professor é o “dono” do conhecimento (ideia que, infelizmente, muitos professores têm), pois muitas vezes o próprio aluno supera o professor em certos conhecimentos. Neste sentido, o professor deve atuar como um facilitador do aprendizado, sensibilizando o aluno para a importância do tema e para uma apreciação crítica do mesmo. Acho que uma boa ideia após a exibição do curta do diretor Pedro Ekman, por exemplo, seria a de abrir uma discussão com os alunos para estabelecer até que ponto os outros meios de comunicação impactam a vida das pessoas em sociedade.




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