Uma análise sociológica sobre a violência na escola.

A questão da violência nas escolas é temática recorrente na França, sendo colocada através da mídia ou mesmo dentro do próprio ambiente escolar.

Esta questão pode parecer nova, tendo surgido nos anos 80 e se desenvolvido nos anos 90, porém essa temática surge no século XIX quando

“houve, em certas escolas do 2o grau algumas explosões violentas, sancionadas com prisão. Da mesma forma, as relações entre alunos eram frequentemente bastante grosseiras nos estabelecimentos de ensino profissional nos anos 50 e 60.” (CHARLOT, Bernard. A violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão, Sociologias, Porto Alegre, no 8, 2o semestre 2002, p. 1).

Entretanto, nos dias atuais a violência nas escolas assume novas formas.

As novas formas de violência, dentre as quais encaixam-se homicídios, agressões com armar, passam a impressão de que não existem mais limites e que tudo poderá acontecer no ambiente escolar – “o que contribui para produzir o que se poderia chamar de angústia social face à violência na escola.”(idem, p. 2)

Há outro fato novo: os jovens envolvidos são cada vez mais novos. Alunos que apresentam comportamentos agressivos estão presentes desde pré-escola até o ensino médio.

Outro componente da violência escolar é o aumento de “fatores externo” que influênciam em tais casos como, por exemplo, grupos de jovens que resolvem suas desavenças dentro das escolas, familiares que buscam “justiça” para “injustiça” cometida no ambiente escolar contra seus parentes, ou seja, “a escola não se apresenta mais como um lugar protegido, até mesmo sagrado, mas como um espaço aberto às agressões vindas de fora.”(idem, p. 2)

Já atos repetitivos que podem não ser considerados atos de violência geram certa tensão no ambiente escolar, o que aumenta a angústia social, tanto mais do que atos realmente violentos.

Enfim, a violência escolar parece aumentar apesar das diversas tentativas de combatê-la:

 “tudo se passa como se a violência na escola tivesse convertendo-se em um fenômeno estrutural e não mais, acidental e como se, depois de instalada nas escolas de bairros problemáticos, ela se estendesse hoje a outros estabelecimentos.”(idem, p.3)

A situação de angústia social gera discursos sociomidiáticos (idem, p.3) que tendem agrupar fenômenos de natureza diferentes.

Entretanto, quando se analisam os locais onde corre a violência escolar é possível afirma que, em tais locais, encontra-se uma forte situação de tensão. Já em ambientes em que este tipo de violência vem diminuindo encontra-se uma equipe escolar que soube como diminuir a situação de tensão. Assim, é possível dizer que

“os incidentes violentos se produzem sobre um fundo de tensão social e escolar forte; em tal situação, uma simples faísca que sobrevenha (um conflito, às vezes menor) provoca a explosão (o ato violento). É preciso, portanto, dedicar-se às fontes dessa tensão” (idem, p.8)

Algumas origens de tal tensão podem ser encontradas no próprio bairro em que a escola está inserida como, por exemplo, um bairro considerado violento há grande possibilidade da escola deste bairro ter um índice alto de violência escolar. Porém, há bairros considerados violentos onde suas escolas apresentam um índice baixo de violência escolar.

Outras origens de tensão são o depósito, ou não, de expectativa colocada na escola em relação ao futuro profissional, a lógica e finalidade da instituição escolar, a relação da escola com o saber.

Assim, o estudo sobre a violência escolar deve se fundar na relação da escola com o saber, já que essa questão pode estar diretamente liga ao estado da sociedade, as desigualdades e formas de dominação que estão relacionadas às instituições escolares. Como também, deve estar ligada as práticas de ensino do dia-a-dia, que deveria ter como fim gerar prazer de freqüentar a escola.

Referência: CHARLOT, Bernard. A violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão, Sociologias, Porto Alegre, no 8, 2o semestre 2002.

Anúncios

  1. Ferreira

    Mas, nesse contexto, como devemos definir “violência”? Não seria a “violência” na escola o resultado de outras “violências” que extrapolam a escola? O post ia nesta direção quando mencionou as “tensões” que geralmente estão na base da “violência”, mas não chegou a desenvolver o problema. O final do post ficou confuso.

  2. No título, não seria “uma análise sociológica” o correto?

  3. Como falado na aula passada, a inteção deste post foi gerar um interesse para leitura do artigo, para isso me mantive neutra em relação a este.
    Concordo que falta uma definição de violência, mas essa falta também está presente no artigo, como também o texto mostra uma visão de senso comum sobre o assunto.
    Em relação ao final do post que foi comentado estar confuso é porque o artigo termina assim, também confuso, sem um fechamento de fato.

  4. Ferreira

    Se seu objetivo foi a “neutralidade” (idéia controversa), então minha sugestão seria que você atribuísse a Charlot (ou às referências que ele cita) as afirmações que, no momento, surgem como suas.




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: