Tecnologias e a vivência escolar

                Após a leitura do texto Gestão comunicativa e educação: caminhos da educomunicação, de Ismar Oliveira Soares*, muitas reflexões e questionamentos podem ser levantados a respeito dos caminhos percorridos pela tecnologia nos últimos anos e em nível mundial. A discussão do autor tem como enfoque mais específico a realidade dos Estados Unidos e da América Latina, no que se refere ao uso da Comunicação/Educação enquanto prática pedagógica, e sua inserção no debate das políticas públicas. Ainda que o artigo não trate especificamente sobre alunos do Ensino Médio o texto é completamente atual e discute proposições necessárias ao contexto da sala de aula. Proponho, então, a leitura do artigo (link ao final) e escrevo abaixo algumas impressões que gostaria de compartilhar.

                O autor estabelece uma análise dos meios de comunicação e suas diversas consequências para pensarmos sua inserção no contexto da aprendizagem. Concordando com sua reflexão sobre as ferramentas tecnológicas estarem se estabelecendo de forma cada vez mais atenuada, a inserção desses meios técnicos precisa, com urgência, ser colocada em questão, de forma a mobilizar os educadores, para que se compreenda que, cada vez mais, esses meios fazem parte da realidade vivenciada pelos alunos. O debate precisa se encaminhar no sentido de promover a tecnologia enquanto um material pedagógico positivo, e não somente facilitador, mas aproximador da relação professor-aluno, assim como surgiram outras ferramentas ao longo dos anos dentro do espaço escolar.

              Entender esse advento da utilização da tecnologia enquanto participante do cotidiano da maior parte das pessoas, faz com que o debate se amplie para compreender as mudanças não apenas nos indivíduos, mas também nos grupos sociais que se formam para além do cotidiano escolar. Essa nova utilização da tecnologia em larga escala e por meios diversos, faz com que o tema se transponha da realidade das grandes empresas e dos homens de negócio, passando a permear a esfera pública, no que se refere à alfabetização das novas gerações.

            Ismar (2002) esclarece-nos que o caminho para se pensar a educação para a comunicação, não está nas tecnologias por elas mesmas, não trarão isoladamente mudanças significativas no campo da educação, mas o foco se coloca no sentido que podem provocar na aprendizagem, seus símbolos e signos. Deve-se, portanto problematizar a relação entre aqueles que participam dos processos comunicativos, a saber: os produtores, o processo produtivo e os receptores. Coloca-se, cada vez mais a preocupação de provocar uma reflexão crítica por parte dos jovens e crianças acerca do que estão consumindo através da comunicação.

*Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Professor visitante da Marquetie University. Milwaukee, WI, USA (1999- 2000). Coordenador do NCE – Núcleo de Camunicação e Educação da ECA/USP. Presidente da UCIP – Union Catholigue Internationale de Ia Presse (200 1-2004).

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Bibliografia:

SOARES, Ismar de Oliveira. Gestão comunicativa e educação: caminhos da educomunicação. In: Comunicação & Educação. São Paulo, ECA/USP-Editora Segmento, Ano VIII, no. 23, pp. 16-25, jan./abr. 2002.

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