Arquivo para setembro 23rd, 2011

Baderneiros e mimados

O filósofo inglês diz que os quebra-quebras em Londres são obra de uma juventude dependente e ressentida, criada pelo excesso de políticas estatais assistencialistas

Esta é a manchete das páginas amarelas da Revista VEJA – Edição 2235 – 21 de setembro de 2011  –  Leia a entrevista na íntegra em:

http://veja.abril.com.br/210911/baderneiros-e-mimados-p-17.shtml

Indicação: este texto, atual e provocador, pode ser usado em sala de aula para tratar de diversas conexões entre alteridade, preconceito, autoritarismo, utopia, etc. Ele retrata a visão de um filósofo inglês (Roger Scruton) conservador, portavoz de uma classe com fortes sinais de xenofobia. Ele se descreve como um ex-socialista que “acordou” para a farsa dos levantes estudantis de 1968, nos quais foi ativo participante.

Minha opinião (juízo de valor sobre as afirmações de Scruton: (foi uma resposta a um homem de negócios de topo no Brasil, nível de bilhões em termos de movimento no mercado financeiro)

Prezado “Fulano”,

O perigo de posições como a do Scruton é que elas resvalam pelo mesmo argumento nacionalista usado pelos nazistas contra os judeus: descreve uma realidade com muitos pontos de verdade e com clareza, dá uma versão que agrada a um público xenófobo, e generaliza o conflito como sendo causado pelos “OUTROS”. A saber: “nós”  (established, ingleses)  e os “outros”  (outsiders, imigrantes).

Por exemplo, veja o trecho: “Mas é preciso um pouco mais de honestidade intelectual para buscar uma resposta mais concreta sobre o que ocorreu em Londres. Por debaixo do verniz civilizatório, todo homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se esse verniz for arrancado, o animal vai mostrar a sua cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz nessa recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra.”

Ou seja, imigrante é uma fera humana, pois tem apenas “verniz”, mas os ingleses “puros” passaram pelo “processo civilizatório”  (a la Norbert Elias). E feras causam arruaças, depredações etc. Mas se estão dando voz a Scruton, aí vem ferro para os imigrantes. Já estou antevendo: “Heil! Europa para os europeus” — resta apenas saber quem é um europeu…

Abs,

“Este que vos escreve”