Nova Matriz Curricular no Ensino Médio

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo iniciou nessa semana o debate com professores, diretores, coordenadores e demais profissionais da educação, acerca da nova matriz curricular a ser implementada na rede em 2012.

O documento intitulado “Ensino Médio – Matriz Curricular”, elaborado pela Cenp (Coordenadoria de estudos e normas pedagógicas), apresenta uma proposta de reformulação da matriz curricular, tal como temos hoje, com vistas a atender às demandas dessa fase do ensino, quais sejam: “consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental,possibilitando o prosseguimento de estudos; preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posterior; o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.” (p. 3)

A reformulação, que tem o intuito de tornar o currículo “mais atrativo, significativo e dinâmico”, contará com duas aulas semanais das disciplinas de Sociologia, Filosofia e Língua Espanhola, e uma referente à Orientação de estudos, o que acarretará na redução da carga horária das disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. Além disso, o aluno optará no último ano qual a ênfase que pretende dar a seu currículo, sendo que pode ser em três áreas, quais sejam: Linguagens, Códigos e suas tecnologias; Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias; e Ciências Humanas e suas tecnologias.

De acordo com o documento, “para o 3° ano, com aprofundamento por área, recomenda-se o desenvolvimento de projeto de interesse do aluno, prevendo um trabalho diferenciado que possibilite o exercício de sua autonomia intelectual e social. O projeto pode ter como foco a integração entre as disciplinas da área ou ser desenvolvido no âmbito de uma disciplina específica”. (p. 15)

O professor da Faculdade de Educação da USP, Ocimar Alavarse, alerta que essa medida, de ênfase em determinada área, pode ser demasiadamente precoce a um aluno do Ensino Médio, e que pode ter como pano de fundo a atenuação da falta de professores que presencia o ensino público atualmente.

Além disso, fica claro no documento, em várias passagens, que há uma grande preocupação com a formação para o mercado de trabalho, o que é completamente questionável quanto ao caráter educacional e de formação de sujeitos autônomos, que tanto afirma o documento como intenção do projeto.

À parte isso, a proposta parece de fato muito interessante, já que equilibra a carga de cada área do conhecimento, possibilitando um contato maior dos alunos com todas essas áreas, e uma maior interdisciplinaridade.

A discussão acerca da proposta terá início no dia 30/09, em todas as escolas estaduais. Posteriormente, a discussão realizada em cada escola será levada para um debate de âmbito municipal, e depois de âmbito regional. Nesse sentido, há uma possibilidade real de análise da proposta em toda a comunidade escolar, e não uma implementação vertical da nova matriz.

Documento “Ensino Médio – Matriz Curricular” disponível em: http://pt.scribd.com/doc/66658043/Matriz-Curricular-do-Ensino-Medio-2012

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  1. Lelo

    Meu caro
    Sou professor, porém, essa de debate sobre a nova matriz curricular não passa de um embuste, pois não temos dados suficientes para discussão. A ata da reunião, que durou 2 horas, foi imposta arbitrariamente. Não existe uma exatidão quanto a sua aplicação. Haverá reunião no município, mas com base naquilo que foi colocado nas reuniões realizadas nas escolas. Depois desta outra reunião, posso até postar aqui o resultado, que não vejo como diferente, até o momento, do que foi na escola. Tudo em menos de uma semana de tomarmos contato com o documento.
    Fazendo um paralelo com a Resolução proposta pelo CNE, sobre este assunto, percebe-se que mais uma vez São Paulo distorce o proposto pelo órgão federal.
    Os professores serão contratados em sistema de dedicação exclusiva, e haverá salas suficientes para acomodar a todos ao mesmo tempo, já que é o aluno que vai optar pelos componentes que deseja dar ênfase?
    Abraço




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