Inovação também é estrutural

“Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço-temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação. Uma das dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em espaços menos rígidos, menos engessados. Temos informações demais e dificuldade em escolher quais são significativas para nós e conseguir integrá-las dentro da nossa mente e da nossa vida”[1]

            Tendo em vista todas as mudanças decorrentes do processo tecnológico mundial e em todas as esferas da vida, o trecho acima de José Manuel Moran[2], elucida-nos de maneira bastante atual e esclarecedora acerca de um dos entraves vivenciados pela escola.

            Não basta apenas enxergar as mudanças ocorridas ao nosso redor e não associá-las ao contexto escolar. Cada vez mais as pessoas são introduzidas no universo digital mais cedo e de maneira mais intensa. Para um jovem, permanecer no ambiente escolar sem que este faça alguma menção ou utilização das mídias existentes ao seu redor, em todos os outros espaços que freqüenta, certamente sinalizará um momento enfadonho e de desconexão com o seu próprio saber – o saber que lhe é caro.

            Tomando como base o trecho referido, ao pensar em superação das “dificuldades atuais” deve-se ter em mente que o trabalho escolar atual é realizado dentro de uma estrutura engessada e anacrônica, que não têm em vista nem a formação continuada dos professores de maneira efetiva e completa. Trabalhar investindo em um ambiente tradicional já se coloca enquanto uma dificuldade, que dirá pensar em inserir inovações do campo tecnológico nesse contexto, no trabalho direto com os alunos.

            A questão não está somente no despreparo por parte dos professores que, muitas vezes, não estão habituados com esse tipo de ferramenta, mas na maneira como se encaminha o ensino e a aprendizagem desses alunos. Importa inovar não somente para acompanhar as transformações vividas na sociedade, mas para se estabelecer mais efetivamente e em conjunto com os alunos, realizando um tipo de atividade que faça sentido aos seus olhos e às suas linguagens, efetuando um trabalho satisfatório para ambas as partes.

Um vídeo do professor sobre “tecnologias simples, gratuitas e interessantes na escola” pode ser acessado em:


[1] Texto que inspirou o capítulo primeiro do livro: MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 16ª ed. Campinas: Papirus, 2009, p.11-65. O texto pode ser encontrado na íntegra em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/uber.htm

[2] Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Escola de Comunicações e Artes.

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