Evasão escolar

Sábado (dia 26) saiu uma reportagem na Folha de São Paulo a respeito de uma força-tarefa que tomou dois parques do Itaim Paulista em busca de alunos que matavam aulas ou consumiam drogas. Nesta ação havia funcionários da Prefeitura de São Paulo, policiais militares, guardas-civis e conselheiros tutelares, todos os adolescentes presentes nos parques foram abordados, de forma que tiveram seus dados anotados e foram revistados. A medida é uma maneira de conter a evasão escolar de acordo com o Conselho Tutelar.

A idade dos adolescentes variava entre 11 a 28 anos, apesar de que houve um menino de 9 anos encontrado no parque Santa Amélia que segundo a reportagem tremia e não conseguia falar de medo. No parque Chico Mendes, dois garotos portavam maconha e foram encaminhados a delegacia, um era maior e o outro menor de idade. Havia ainda 23 meninas e 25 meninos no parque Chico Mendes, devido a falta de espaço no carro só as meninas foram levadas de volta a escola, os meninos foram liberados. No Santa Amélia, o grupo era menor, cerca de 20 meninos e meninas, quatro estavam cabulando e foram levados para onde estudavam, a Escola Estadual República da Guatemala.

Para Diego Vale de Medeiros, coordenador do núcleo da infância e juventude da Defensoria de SP, a ação é ilegal: “pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, medidas coercitivas só podem ser empregadas quando o adolescente comete ato infracional”. A ação fere o direito de ir e vir, contudo o Conselho Tutelar disse que consultou a Vara da Infância e da Juventude. A questão problemática: é o que fazer para manter os alunos dentro da escola?

Eu acredito particularmente que a ação da polícia na força-tarefa foi positiva, a evasão escolar é algo que os Conselhos Tutelares juntamente com os pais dos alunos não estão conseguindo solucionar. Os alunos sabem das regras da escola, sabem que não devem faltar que existe um limite de faltas, os professores alertam-os sobre isto. A reprovação não me parece ser uma punição da qual os alunos temam, sei que um aluno dentro da sala de aula sem querer é problemático, ele se torna um problema para o professor na sua tarefa de ensinar. Contudo, é preciso salientar que a escola não é uma escolha para ninguém, o Estado brasileiro obriga à todos em idade escolar a frequentar o ensino regular (Fundamental I e II). Então, como deixar que o aluno escolha se ele vai para a aula ou para o parque? Os alunos de Ensino Médio fazem uma escolha de cursar o Ensino Médio ou não, aceitar cursar significa ir na escola, frequentar as aulas e ser avaliado. Caso, ele não esteja disposto a fazer isto, ele pode simplesmente deixar de cursar o Ensino Médio.

A professora da PUC-SP da área de Educação entrevistada pela Folha, Regina Denigres, reiterou que o uso da polícia na escola é um absurdo: “a polícia é para casos de assassinatos na escola. É um absurdo chamá-la para recolher aluno que está fora da sala. Ações como essa são a falência da escola”. Ela aponta que a escola “precisa ter espaços para ouvir o aluno, ela precisa ser atraente. Se o modelo tradicional de ensino não dá mais conta, é preciso pensar em outros”. Eu acredito que a TV, os shopping centers e a internet são atrativos a adolescentes, tornar a ‘escola atrativa’ é algo ainda para mim não é muito paupável, ora parecer que trazer recursos tecnólogicos é uma maneira de tornar a escola atrativa, talvez seja.

A via dos espaços para ouvir o aluno é algo importante, o professor é aquele quem geralmente ouve o aluno, contudo o professor lida com vários alunos. O modelo tradicional, eu compreendo como falido, os alunos apontam isto ao não frequentar, reordenar o espaço da sala de aula, ora juntado carteiras ora separando, fazendo ‘panelinhas’ na sala. Contudo, os novos modelos e reformas escolares não me parece que é algo ‘para amanhã’, esta discussão toma tempo e põe em xeque posições arraigadas da instituição escolar. Enquanto isto, como futura professora acredito que devemos reafirmar as velhas regras do jogo escolar: presença e atenção dos alunos.

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  1. guramosferraz

    exigir presença e atenção dos alunos pode soar um tanto autoritário se a presença e a atenção não fizeram parte do comportamento natural que se espera do aluno. Para que os alunos sejam estimulados a estar presentes e estar atentos o governo do estado e a direção da escola devem concatenar esforços. Não é polícia que resolve o problema. Não é a polícia que tira aluna do parque e a coloca na escola, onde é supostamente o “seu lugar”. O lugar delas, neste momento, era no parque, usando drogas. Por quê? Este é o ponto que deve ser trabalhado Até quando tomaremos medidas paliativas como substitutas e que só servem para protelar as medidas que realmente resolvam os problemas?

    • mafeaide

      Olha,
      usar a polícia não uma medida sócio-educativa interessante, não é mesmo. A questão é que a escola é uma instituição falida, o problema da evasão escolar não é um probleminha qualquer, os garotos e garotas no tempo que deveriam estar apreendendo, saem da escola e vão fazer outras atividades como o uso de drogas.
      Segundo a reportagem, moradores próximos aos parques que denunciavam a PM a presença dos adolescentes usando drogas e praticando sexo. O Conselho Tutelar é o mediador do dialógo com os pais quando os alunos ultrapassam o limite de faltas, contudo nem os pais conseguem ter um controle efetivo dos filhos, de forma aos manterem na escola.
      O “comportamento natural de que se espera de um aluno” de escola pública e de periferia está muito longe da atenção ao professor e presença em sala de aula. A escola não é algo natural para este tipo de público, a leitura de um livro não é algo natural, falar de física newtoniana não é algo natural.
      O ‘natural’ é o que foi construído como ‘normal’ no seio da comunidade, da família e das relações interpessoais. A escola neste sentido não é natural, não é uma escolha. Nós resolvemos nossos problemas como medidas paliativas porque nossos problemas são muito complexos. Até quando vamos postegar, eu não sei! Só sei que eu prefiro estes meninos, apesar de todos os problemas dentro da escola do que na rua.

  1. 1 E o professor? « Estágio Supervisionado em Ciências Sociais

    […] havia dito em post publicado sobre a evasão escolar, penso que a escola deve ouvir o aluno. Contudo, como indiquei […]




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