Resenha do 2° caderno volume 2 de Sociologia

    O Caderno trabalhado no segundo bimestre da segunda série do Ensino Médio almeja desnaturalizar os conceitos consumismo e consumo diferenciando-os através de uma reflexão sobre as diferenças entre as necessidades inerentes à sobrevivência humana e aquelas construídas socialmente ou pelo mercado apenas para manter a circulação de capitais, em outras palavras, para gerar mais lucro do que seria possível se todos consumissem somente o necessário.

     Esta apostila também aborda novamente o conceito de cultura e através dele reflete sobre o conceito de comunicação de massa, questionando se existe de fato uma cultura de massa e quais os limites da sua influencia. A articulação entre os conceitos (cultura, comunicação de massa, consumo, consumismo e identidade) objetiva que o aluno do ensino médio reflita sobre o seu próprio modo de vida, além do estilo de vida dos seus amigos, familiares e da sociedade em geral. Os autores não utilizam somente uma concepção de cada conceito, apresentam os conflitos entre diferentes concepções e logo em seguida apresentam uma considerada provisória para se entender as questões que são propostas. O primeiro passo que os autores tomam é caracterizar a cultura como um conjunto de padrões socialmente transmitidos pela linguagem e a partir daí esperam que os alunos reflitam sobre o seu meio(escola, casa, espaços de convivência em geral) para identificar os mecanismos de transmissão cultural que temos em nossa sociedade. Dão ênfase aos meios de comunicação de massa, e essa atitude é explicável pelo fato das outras instituições transmissoras de cultura, como a família, o Estado e a religião já terem sido abordadas em outros cadernos. Em seguida os autores discutem sobre a definição de consumismo de massa. O que é a massa? Eles afirmam que não há um consenso entre os sociólogos acerca da definição desse conceito. Mas que por outro lado não é mais considerada plausível a idéia de que não podemos dividir o conceito Cultura entre Cultura de massa e Cultura erudita, posto que há uma heterogeneidade de manifestações culturais. Os valores e símbolos propagados pelos meios de comunicação são reinterpretados pelos consumidores dessas informações e adaptados para seu contexto cultural. O texto foi bem trabalhado, pois os autores visaram sempre fazer com que o aluno reflita sobre o seu próprio modo de vida. Por isso trabalham desde o começo com dicotomias nessa seqüência: cultura e cultura de massa, consumo e consumismo, jovens e cultura e jovens e consumo. Através das atividades propostas tentam aplicar esses conceitos à realidade mais próxima dos alunos, ou seja, buscam fazer com que os educandos apliquem esses conceitos no seu cotidiano através do estranhamento do mundo propiciado por pesquisas feitas pelos próprios alunos.

      Mas o currículo não é neutro. Atende às necessidades sócio-contextuais. Obedece sempre a orientações teóricas e em decorrência disso segue orientações políticas. Mas quais seriam as posições teóricas nesse caderno?

      É interessante constatar que em nenhum momento os autores utilizam o conceito de trabalho marxiano, ou seja, a mediação da consciência transformadora entre o homem e a natureza para definir o conceito de cultura. Criticam Theodor Adorno, o qual considerou em sua obra a indústria cultural como um fator preponderante na aquisição de valores, crenças e modos de vidas por parte das massas, ao afirmarem em outras palavras que a cultura de massa é apenas um modo de manifestação cultural sendo compartilhado e adaptado por todos os outros códigos simbólicos.

      O estudo etnográfico de antropólogos contemporâneos é muito utilizado, além da obra de Zygmunt Bauman, que pode ser considerado um autor pós-moderno na medida em que se utiliza de uma metodologia com outros conceitos preponderantes além do clássico paradigma do trabalho na análise na sociedade contemporânea. Para o autor a sociedade contemporânea é demasiado complexa e as teorias, os valores, as crenças são construídas e reconstruídas com uma velocidade maior do que acontecia no passado próximo.

    Seria um equivoco pensarmos que o cabedal teórico dos autores não influenciaram na elaboração desse material. Nesse sentido é possível entender a posição teórica refletida nesse caderno como um ponto de vista onde a linguagem é o fator principal de transmissão da cultura, onde a cultura de massa não é o principal fator estruturante da cultura dos grupos sociais, onde os produtos do consumismo não são homogêneos por serem adaptados e transformados constantemente pelos indivíduos, mas que embora afetem a vida em sociedade por suscitarem uma contradição, a qual se revela no fato de que a sociedade contemporânea convive com a abundancia de mercadorias supérflua ao mesmo tempo em que muitas pessoas não têm o básico necessário para a sobrevivência.

    Os conceitos utilizados são insuficientes para explicar assuntos tão complexos como os tratados. Seria preciso uma maior articulação com os tema dos  outros cadernos e com outros autores, pois uma pluralidade de pontos de vista não confundiria os alunos mas pelo contrário lhes mostraria o quanto a realidade é complexa e pode ser vista de diferentes ângulos.

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