Plano de Aulas: Natureza e Cultura


Plano de aulas elaborado para Sociologia do 1º Ano do Ensino Médio. Os temas introduzidos serão o de natureza e cultura. Baseando-se principalmente nos conceitos apresentados nos textos de Claude Levi-Strauss, Ruth Benedict e Roberto Da Matta.

1ª Aula

Uma sociedade de formigas em funcionamento pode ser considerada social, mas elas não falam e não produzem obras de arte, por exemplo, que marquem diferenças entre formigueiros específicos. Elas modificam o ambiente, mas sempre do mesmo modo e com o uso das mesmas matérias químicas. Não existe tradição viva, dinâmica e constantemente re-elaborada. O biológico teria seu lugar em transformações internas de uma estrutura orgânica. (DaMatta, 1981)

Os seres humanos convivem com paradigmas e regras de ação que definem seu comportamento. Há que se fazer escolhas entre modos de pensar, perceber, classificar, ordenar e praticar uma ação sobre o real, e geralmente essas escolhas são baseadas em regras sociais naturalizadas e tradições familiares e grupais.

Nessas regras existem listas de inclusões e exclusões, do que pode ou não pode ser feito:

  • Incesto, adultério
  • Mediação entre homens e deuses
  • Carne de boi / carne de porco

Vivenciar essas regras, e organizar o tempo de maneira consciente aparece nas teorias culturais como definidor do aspecto humano, ter consciência é poder ser socializado.

E assim os grupos se constroem e interagem, num movimento dialético entre o grupo e suas regras, suas formas de vivenciar, conceber, singularizar, valorizar e preencher o tempo.

  • Link 1 : “Dance, Monkeys, Dance”

http://www.youtube.com/watch?v=m89rYW0epTs

Vamos conversar sobre o que é proposto no vídeo: os humanos realmente têm consciência, o que seria essa consciência, e no que ela seria diferente dos animais?

2ª aula

Na última aula começamos a definir o conceito de cultura, como relativo à tudo o que é particularmente humano, em oposição àquilo que é natural e biológico, inclusive na própria humanidade.

Levantamos hipóteses do que poderíamos considerar como cultural:

  • Estrutura familiar
  • Política
  • Arte
  • Religião
  • Vestimenta
  • Trabalho
  • Esportes
  • Tecnologia
  • Jogos
  • Habitação
  • Outros…

Na ideologia e sistemas de valores da nossa sociedade, o natural é classificado em oposição ao social e ao cultural, o homem está em oposição à natureza numa atitude ativa, visando seu domínio, controle e comando. Podemos falar de aspectos naturais no ser humano (nutrição, respiração, reprodução, morte, etc.) e a partir daí relacionar os modos diversos que as sociedades encontram para lidar com as variadas situações. De maneira ampla, essas maneiras diversas fazem parte de nosso escopo cultural.

Exibição de imagens de culturas distintas sobre:

  • Ritos passagem (nascimento, maturidade e morte)
  • Relação com o corpo

Percebemos a criatividade com que o homem se relaciona com os aspectos naturais através desses exemplos, e podemos refletir sobre a capacidade de conceber o tempo, valorizá-lo e singularizá-lo.

Podemos entender a cultura como resultado de relações sociais, materialidade histórica e condições de existência e isso é o que propomos nesta aula, pensar a cultura como os modos diversos de:

  • Conceber a realidade e expressá-la
  • Organização da vida social
  • Apropriação de recursos naturais
  • Expressão do conhecimento em seu processo de simbolização
  • A maneira como as pessoas representam conhecimentos

Lembrando sempre que a cultura é dinâmica, é uma construção histórica e um processo coletivo, sujeito à constante transformação; e que entendê-la é entender os caminhos diversos tomados por diferentes grupos humanos.

Refletir sobre as diversas maneiras de se viver é uma preocupação antiga, e na próxima aula estudaremos mais detalhadamente a gênese deste conceito, e neste momento propomos assistir um trecho do filme Os deuses devem estar loucos II, 1989 (Jamie Uys, Botsuana, África do Sul, 97 minutos). Sugerindo que assistamos ao filme pensando nas questões de organização do espaço, do tempo e das regras nos dois grupos de pessoas que aparecerão.

Pretende-se apresentar questões aos alunos com o intuito de fazê-los pensar em: quem é o outro e como ele é percebido; o que esse outro tem em comum com o aluno, porque as práticas cotidianas são tão diferentes no que se refere à alimentação, relação com a natureza, forma de organização, família, crenças, etc.; o que é ser outro e quando eu sou o outro. Se supostamente somos todos semelhantes biologicamente, porque tanta diferença?

Para tal, a partir das primeiras cenas do filme que retratam uma comunidade do deserto Kalahari, em diversos momentos, entre eles a obtenção de água, coleta de frutos, caça, tudo isso permeado por uma narração pitoresca, que é carregada de um tom paternal e zeloso quando fala dos Bosquimanos. Logo em seguida tem inicio as cenas retratando o mundo do homem “civilizado”, com a ressalva de que a distância que os separam dos bosquimanos é de algo em torno de 1000 km, e a narração passa a carregar um tom bem mais critico, embora apresente o homem “civilizado” com o mesmo estilo lingüístico que utiliza para apresentar os bosquimanos, dessa vez o tom é carregado de ironia.

Enfim, transmitidas as cenas que nos darão o suporte para iniciar a aula, a proposta é discutir com os alunos, em grupos, ou numa roda de conversa as cenas passadas baseando-se nas seguintes questões:

-O que há de diferente entre os bosquimanos e o homem “civilizado”?

-Existem vantagens e/ou desvantagens em ser um Bosquimano ou um “civilizado”?

-O que significa ser “civilizado”?

-O que você acha que os bosquimanos pensariam sobre o seu modo de vida?

-É possível que um bosquimano pudesse aprender algo com o seu modo de vida? E você poderia aprender algo com o modo de vida dos bosquimanos?

3ª aula

Gênese do conceito:

– Alemanha sec XVIII unificação: busca pela unidade do povo alemão, já que não havia unidade política. Através dos estudos das particularidades dos costumes e das crenças, do desenvolvimento do povo alemão no contexto das condições matérias em que se dava, os estudiosos buscavam uma explicar uma unidade viva do povo alemão.

– Ruptura com o paradigma teocêntrico, ascensão do paradigma cientificista, a visão laica da vida humana e do mundo social torna-se dominante.

– Conceito nasce ligado à cisão humanidade/animalidade; e à cisão eu/outro.

– E se insere no contexto do colonialismo e da expansão territorial e dominação de outros povos pelas nações européias, situação que alimentava o debate sobre cultura relacionado ao interesse de conhecer e dominar os povos e nações que estavam sendo subjugados.

– Esse debate sobre cultura participa da imposição da superioridade política, econômica e intelectual do ocidente.

Conceitos iniciais – cultura e sociedade / diversidade cultural:

– Leitura em sala de trechos da Coleção Primeiros Passos: “O que é cultura” de José Luiz Santos, com debate coletivo sobre os tópicos de “Cultura e Sociedade” e “Então, o que é cultura”.

Bibliografia

BENEDICT, Ruth. Padrões de Cultura. Rio de Janeiro: Editora Livros do Brasil. 1983.

DA MATTA, Roberto. Relativizando: Uma introdução à antropologia social. Petrópolis, Vozes, 1981.

GEERTZ, Clifford.  O Impacto do Conceito de Cultura sobre o Conceito de Homem. In A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Natureza e cultura. In: As estruturas elementares do parentesco. Petrópolis: Vozes, 2009.

SANTOS, José Luiz. O que é cultura. Coleção Primeiros Passos. São Paulo, Brasiliense. 2006.

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