Dimensão sócio-cultural na sociedade da informação (aula 2)

Dando continuidade ao tema desenvolvido, creio que a abordagem do ponto de vista prático cultural aproximaria mais um grupo de estudantes do tema como segue na proposta abaixo:

ASPECTOS CULTURAIS

A cultura adquiriu importância estratégica na era da informação. O que é simbólico tem sido comercializado e leva consigo o modo de vida de uma sociedade.

A cultura, tomada aqui enquanto processos sociais advindos de hábitos e tradições de um povo e também de sua produção de bens e serviços culturais, também se tornou uma mercadoria e passou a ser encarada como um recurso capaz de criar identidade social, desenvolvimento econômico e um contrapeso à tendência uniformizante da globalização. No livro “A Conveniência da Cultura”, George Yúdice afirma que:

 

a cultura está sendo crescentemente dirigida como um recurso para a melhoria sócio-política e econômica, ou seja, para aumentar sua participação nessa era de  envolvimento político decadente, de conflitos acerca da cidadania e do surgimento do capitalismo cultural (YÚDICE, 2004, p. 26).

 

Ainda segundo Yúdice, “a cultura se transformou na própria lógica do capitalismo” (YÚDICE, 2004, p.35). Este é um tema que vem fomentando inclusive discussões internacionais, como a Conferência da Unesco para a Proteção e a Promoção da Diversidade Cultural. Segundo a UNESCO,

o binômio ‘cultura e comércio’ tem adquirido um caráter de ordem estratégica, pois é certo que os bens e serviços culturais constroem e transmitem valores, produzem e reproduzem identidades culturais, além de contribuir para a coesão social e também são um fator de produção na nova economia (UNESCO, 2002).

 

 

Vive-se uma transição dos hábitos e práticas de consumo da sociedade com a substituição de bens materiais por imagens, signos, experiências e bens simbólicos. É o que Castells (1999) chama de cultura da virtualidade real.

 

Essa nova sociedade é caracterizada, então, por uma nova estrutura social dominante: a sociedade de rede, uma nova economia: a economia informacional global e uma nova cultura: a cultura da virtualidade real.

Batalhas culturais são as lutas pelo poder da Era da Informação. São travadas basicamente dentro da mídia e por ela, mas os meios de comunicação não são os detentores do poder. O poder, como capacidade de impor comportamentos, reside nas redes de troca de informação e de manipulação de símbolos que estabelecem relações entre atores sociais, instituições e movimentos culturais por intermédio de ícones, porta-vozes e amplificadores intelectuais. No longo prazo, não importa quem está no poder porque a distribuição dos papéis políticos torna-se generalizada e rotativa. Não há mais elites estáveis do poder. Há, contudo, elites resultantes do poder, ou seja, elites formadas durante seu breve período de detenção de poder em que tiram, vantagens da posição política privilegiada para obter acesso mais permanente aos recursos materiais e às conexões sociais. A cultura como fonte de poder e o poder como fonte de capital são a base da nova hierarquia social da Era da Informação. (CASTELLS, 1999).

Questionamentos para conclusão:

  • a Internet, enquanto ferramenta que induz a novas formas de agir e relacionar-se convidam o usuário a conhecer “um horizonte sem fim que aproxima as pessoas e as coisas que eu gosto”, nas palavras de um usuário de lan house.
  • A inclusão digital é fator de melhoria da qualidade de vida do cidadão, de acesso a informações e de redução das desigualdades regionais e sociais
  • A socialização do acesso à internet significa a necessidade de romper novas barreiras que impedem o exercício ampliado da cidadania com igualdade e liberdade

 

REFERÊNCIAS

 

A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO. Livro Verde. SOCINFO. Brasília, 2000. Disponível em: <www.socinfo.gov.br> . 

Brasil lidera acesso à internet na América Latina. Agência Estado. Disponível em <http://verdesmares.globo.com&gt; . 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CASTELLS, Manuel. The informational city: information technology, economic, restructuring,

and urban-regional process. Oxford: Blackwell Publishers, 1992.

Despertando o Brasil para a Sociedade da Informação. Disponível em: http://www.comciencia.br/entrevistas/melo.htm

GLOSSÁRIO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO. Disponível em: <http://www.ait.pt/pdf/bibliografia/glossario_sociedade_informacao.pdf>

INDICADORES – crescimento da Internet. Comitê Gestor da Internet no Brasil. Disponível em: <www.cg.org.br/indicadores/brasil_mundo2001.htm> 

Internet é mais cara nos países pobres do que nos ricos. Agência Brasil. Disponível em <http://www.agenciabrasil.gov.br>. 

IPSO – Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos. Disponível em: www.ipso.org.br.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual. Tradução de Paulo Neves. São Paulo, 34 letras, 1996.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001.p.72.

PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Disponível em: < www.pnud.org.br>. 

OLIVEIRA, Manfredo. Ética e racionalidade moderna. São Paulo: Loyola, 1993.

SIM, É POSSÌVEL UM MUNDO DIFERENTE. Fórum Social Mundial. Disponível em: <www.forumsocialmundial.org.br>.

 

 

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