Dimensão sócio-cultural na sociedade da informação

Seguindo a linha de debates introduzidas através do tema do uso das tecnologias na educação, a idéia nesse artigo é ampliar a perspectiva teórica elencando alguns aspectos relacionados a inclusão digital como forma de despertar nos alunos em sala de aula uma reflexão sobre a abrangência da tecnologia e suas facetas.

Inicialmente creio que seria interessante (sala de aula) levantar algumas dimensões das políticas de informação e maneira como a sociedade dispõe do acesso a informação para então realizar um levantamento mais abrangente de como esse grande abismo entre as classes sociais se ampliou e sugerir o levantamento dos princípios de responsabilidade social em detrimento a desigualdade e a exclusão. Creio que explorar esse debate entre os alunos propiciaria um olhar ao menos questionador sobre alguns “sensos comuns” que permeiam o coletivo.

 

A seguir elenco de forma mais precisa como montei/organizei o material de aula, ebm como os pontos a serem explorados.

1. INTRODUÇÃO

 

A partir dos anos de 1960, e no Brasil de maneira mais marcante no início dos anos 90, uma série de inovações tecnológicas e científicas convergiram para a criação de novos paradigmas. As redes interativas informatizadas cresceram criando novos canais de informação e comunicação e operando mudanças nas relações sociais, econômicas e culturais.

Para analisar a dimensão sócio-cultural dentro da realidade da era da informática é necessário compreender que o poder dessa nova era está na informação (1). Isso levanta um questionamento sobre o surgimento ou não de uma nova configuração social pelo fato de propiciar o conhecimento no centro dos processos da sociedade. Denominada sociedade da informação (a partir de agora SI) essa é a grande estrutura da dimensão sócio-cultural da informação. Portanto, vamos buscar  determinar suas origens e debater alguns pressupostos de sua dimensão.

1. Questões acerca dos conceitos de informação.

 

ORIGEM DO TERMO: 

Segundo a definição apresentada pelo site pt.wikipedia.org (grande acesso por alunos do ensino médio principalmente):

 Sociedade da informação é um termo que também pode ser chamado de Sociedade do conhecimento ou Nova economia, surgiu no fim do Século XX vinda da expressão Globalização. Este tipo de sociedade encontra-se em processo de formação e expansão.

No Brasil e no mundo, a Sociedade da Informação é uma nova Era, onde as transmissões de dados são de baixo custo e as tecnologias de armazenamento são amplamente utilizadas, onde a informação flui a velocidades e em quantidades, antes inimagináveis, assumindo valores políticos, religiosos, sociais, antropológicos, econômicos, fundamentais e etc.

A sociedade da informação é a conseqüência da explosão informacional, caracterizada sobretudo pela aceleração dos processos de produção e de disseminação da informação e do conhecimento. Esta sociedade caracteriza-se pelo elevado número de atividades produtivas que dependem da gestão de fluxos informacionais, aliado ao uso intenso das novas tecnologias de informação e comunicação. Culturas e identidades coletivas são uma conseqüência dessa nova era; Houve uma padronização de culturas e costumes”.

AS CARACTERISTICAS DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Segundo o “glossário da sociedade da informação” desenvolvido junto a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação, podemos definir de maneira pontual alguns pontos interessantes que são constituintes dessa sociedade a qual temos a intenção de caracterizar. Segue:

Image

A partir dessa primeira definição começamos a construir um modelo que nos auxiliará na caracterização a qual buscamos. Quando buscamos a definição de “acesso a informação”, estamos na verdade partindo da consideração que a informação é um elemento do processo sócio-cultural de atribuição e comunicação e destacamos a “Nota 2” da figura 1 onde é apresentado a importância do acesso a informação dentro de um regime democrático.

Ressaltando sobre suas origens, o conceito de sociedade da informação surgiu em 1962 quando Fritz Machlip formulou e percebeu a emergência de um novo campo, o da produção do conhecimento que era acompanhado por uma nova classe de trabalhadores.

Castells (1999, p. 22) se refere a esta nova sociedade em rede como “um processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados” e está este estritamente relacionado a um contexto social de caráter cultural e social (idem, p. 26).

Nesse contexto, a informação pode ser claramente percebida como fonte de poder, e a capacidade de informação aparece como um dos principais parâmetros de desenvolvimento de uma nação, da construção social e política de uma sociedade.

Analisando as características da Sociedade da Informação podemos destacar a importância atribuída à formação das novas gerações. Diante da amplitude e velocidade das mudanças que a globalização propiciou, cresce a incerteza com o futuro, a tradição não representa mais o norte, o fluxo de pessoas e idéias entre as diferentes regiões mescla culturas e hábitos, modifica valores.

Diante dessas perspectivas, a formação das novas gerações ganhou uma importância a mais na busca de métodos e procedimentos que os preparem da melhor maneira para o futuro que os aguarda. Na concepção de Edgar Morin, “a educação é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo”. 

Em entrevista a revista eletrônica “Comciência” a professora Lucia Melo que faz parte do grupo de implantação do programa Sociedade da Informação brasileiro revela que: 

 

“Uma das características desta nova sociedade da informação está associada à capacidade das pessoas de aprender continuamente. Esta exigência, por sua vez, está relacionada a condições sociais que incluem acesso à educação básica, atendimento à saúde, segurança pessoal, e também de trabalho. As tecnologias de informação podem certamente contribuir para ampliar oportunidades, mas podem também exacerbar as diferenças e estabelecer clivagens de forma ainda mais perversa. É preciso, portanto perseguir iniciativas positivas para o país”.

A COMPREENSÃO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

O desenvolvimento tecnológico que se organizou em torno da informação foi baseado na habilidade de armazenar, recuperar e processar a informação. Manuel Castells (1992) aponta para três características que definem este novo paradigma social:

      a)   As novas tecnologias são focadas no processamento da informação e o objetivo dessas tecnologias é a informação e o conhecimento;

b)      O principal efeito desse novo paradigma é no processo e não no produto. “O fato das novas tecnologias serem baseadas no processamento da informação tem conseqüências diretas nas relações sócio-culturais e seus capitais simbólicos. Informação é baseada em cultura e processamento de informação é, de fato, manipulação simbólica da base dos conhecimentos existentes que são codificados e verificados por experiências científicas e/ou sociais”;

c)      Como terceira característica deste novo paradigma informacional destaca-se a flexibilidade na produção, consumo e administração.

Complementando os apontamentos que faz Castells pode-se dize que a caracterização dessa sociedade pode ser efetivamente norteada a partir da observação que:

 

  • A informação é um produto, um bem comercial;
  • O saber é um fator econômico;
  • As tecnologias de informação e comunicação vêm revolucionar a noção de “valor agregado” à informação;
  • À distância e o tempo entre a fonte de informação e os seus destinatários deixaram de ter qualquer importância; as pessoas não precisam se deslocar porque são os dados que viajam;
  • A probabilidade de se encontrarem respostas inovadoras a situações críticas é muito superior à situação anterior;
  • As novas tecnologias criaram novos mercados, serviços, empregos e empresas;
  • As tecnologias de informação e comunicação interferiram no “ciclo informativo”, tanto do ponto de vista dos processos, das atividades, da gestão, dos custos etc.:
  • O próprio usuário da informação pode ser também o produtor ou gerador da informação;
  • Registro de grandes volumes de dados a baixo custo;
  • Armazenamento de dados em memórias com grande capacidade;
  • Processamento automático da informação em alta velocidade;
  • Recuperação de informação, com estratégias de buscas automatizadas;
  • Acesso às informações armazenadas em bases de dados em vários locais ou instituições, de maneira facilitada;
  • Monitoramento e avaliação do uso da informação.

 

Após a apresentação dos pontos abordados acima, creio que poderíamos partir para um debate mais apropriado do caso Brasil levantando os aspectos históricos da TI como segue:

Em 1999 o Brasil lançou o Programa Sociedade da Informação, contendo um conjunto de propostas visando não apenas disseminar a adoção e o uso das tecnologias de informação no país, mas evitar que esse processo amplie as desigualdades hoje existentes entre pessoas e regiões ricas e pobres.O objetivo era afastar a ameaça de um novo tipo de desequilíbrio a partir da formação de um contingente de iniciativas coordenadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que previa ações dos governos federal, estaduais, municipais junto com a iniciativa.

O programa visava viabilizar um novo estágio de evolução da Internet e suas aplicações no Brasil, tanto na capacitação de pessoal para pesquisa e desenvolvimento quanto na garantia de serviços avançados de comunicação e informação.

No ano de 2000, dando continuidade ao programa foi lançado no Brasil o “Livro Verde” contendo uma série de diretrizes e elencando uma série de metas e objetivos de sua sociedade da informação. A estrutura proposta para o Livro Verde iria subverter a visão até então prevalecente, que enfatizava os aspectos meramente tecnológicos e de infra-estrutura.

Desse modo, o objetivo proposto para o Programa Sociedade da Informação no Brasil foi enunciado da seguinte forma: “integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de tecnologias de informação e comunicação, de forma a contribuir para que a economia do país tenha condições de competir no mercado global e, ao mesmo tempo, contribuir para a inclusão social de todos os brasileiros na nova sociedade” (Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil, 2000).

Porém, o programa não foi adiante, nem as metas apresentadas pelo Livro Verde. Oficialmente o Programa Sociedade da Informação não foi descontinuado, contudo, não produziu nenhuma linha na direção de um plano de ação que impulsionasse a sociedade da informação no país. 

“A inclusão digital está em ações pontuais do governo federal, mas com pouca integração entre os projetos em curso. O Brasil precisa de uma política pública unificada que inclua a cidadania na sociedade da informação.”
Carta de Porto Alegre, V Oficina de Inclusão Digital, junho de 2006.

 

 

Há uma grande discussão sobre a eficácia dos programas de inclusão digital no Brasil, a idéia de uma ação estratégica postulada com base na iniciativa coordenada dos diversos âmbitos da sociedade enfrenta uma série de obstáculos sobre o espaço a cobrir que não só de ordem geográfica (8,5 milhões de km²) e demografia (188 milhões de habitantes).

Muitas iniciativas que nasceram dos governos, das ONGs, do setor privado, e mesmo da academia, muitas delas tendo contribuído para pelo menos servir de exemplo de boas práticas para uma estratégia abrangente. No entanto, mesmo que várias iniciativas nacionais no campo das tecnologias da informação e comunicação (TIC) estejam sendo desenvolvidas e entre as melhores do mundo, o Brasil ainda carece de uma estratégia unificadora que aprofunde e democratize amplamente os benefícios das novas tecnologias.

Em pesquisa divulgada pelo IBOPE NetRatings, em dezembro de 2004, o Brasil tinha 10,9 milhões de internautas residenciais. No entanto, apesar desse número de usuários domésticos, esse quantitativo no Brasil, ainda é insignificante, como ressalta Bruno Pires, em seu artigo no site Interlegal (2005). Para ele o uso da Internet no Brasil ainda não se democratizou, nem se tornou popular visto grande parte da população brasileira estar excluída do uso da tecnologia da informação. A afirmação é validada com dados do IBOPE/IBGE (IBGE, 2005), que, numa população estimada em 184.190.629 habitantes apontava menos de 10% da população brasileira com acesso à Internet.

Em 2006 dados apontam que o acesso à internet teve expansão de 39%. Os pontos de inclusão digital (PID) no país cresceram nos últimos anos, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Atualmente, são 16.722 PIDs. Segundo pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2005, existiam no país cerca de 12 mil pontos. Os PDIs são locais de acesso público gratuito à internet, como telecentros e salas de informática.

Os dados levantados são da primeira fase do projeto que deu origem ao Mapa de Inclusão Digital. O mapa identificou cerca de 108 iniciativas de inclusão digital em cerca de três mil municípios onde foram encontrados os 16.722 PIDs. As iniciativas são dos governos federal, estaduais e municipais e terceiro setor. A maioria dos programas encontrados, 43, é de iniciativa do terceiro setor, porém, é o governo federal quem financia cerca de 60% dos PIDs.

A coordenadora geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Produtos do Ibict, Cecília Leite, afirmou que, para promover a inclusão digital no país, é preciso mais que distribuição de equipamentos. “O mais importante é ir além da distribuição dos equipamentos – hoje já se tem consciência de que é preciso ter conteúdo, capacitação, acompanhamento e avaliação de resultados”, disse.

Divulgado em 2007, o ultimo relatório sobre o Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud), aponta o Brasil com um desempenho à frente de Chile, Argentina, México e Uruguai no acesso à internet. No País, a cada mil habitantes, 195 tinham acesso a web em 2005.

O número é 62,5% maior do que o registrado em 2004, quando 120 brasileiros a cada mil usavam a rede. O México, o país latino-americano mais próximo do Brasil em dimensões e população tem 181 usuários a cada mil habitantes – no IDH, o México aparece 18 posições à frente do Brasil, em 52º no ranking. Na Argentina, são 177 por mil e no Chile, 172 por mil. O Uruguai é o que mais se aproxima do Brasil entre os latino-americanos considerados com alto desenvolvimento humano: chega a 193 usuários por mil habitantes. (Agência Estado – 29/11/2007).

 

 

Segundo Jorge Werthein, coordenador no Brasil da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e ex-representante no País da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. “O problema no Brasil é que, mesmo com esse crescimento, há uma profunda desigualdade. Há desigualdade no País em todas as áreas por que na inclusão digital seria diferente?” (Agência Estado – 29/11/2007).

 

“Mesmo em locais de acesso público à internet, como escolas, são os menos pobres entre a população de baixa renda que costumam usar o equipamento. Um estudo feito pela própria Ritla mostra que são as escolas públicas mais bem localizadas, que têm estudantes não tão pobres, onde estão hoje os laboratórios de informática, especialmente aqueles com acesso à internet. Apenas 28% dos estudantes de escolas públicas com renda mais baixa têm acesso à web. Esse número sobe para 67,2% entre aqueles com renda mais alta.”(As informações são do jornal O Estado de S. Paulo).

 

 

Segundo Carlos Seabra, diretor de Tecnologia e Projetos do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (Ipso), “é necessário o engajamento da população para que o acesso rede mundial de computadores seja democratizado. Quanto mais pobre o país, mais as pessoas pagam, e dentro do país também existem diferenças, ressaltou. A população que está sendo incluída digitalmente precisa entender o que se passa política e economicamente para termos uma cidadania participativa”.(Agência Brasil – 28/11/2007).

O agravamento da desigualdade tecnológica na era da informação ocorre por fatores históricos, econômicos e políticos, mas é sustentado pela exclusão do conjunto da população ao acesso às tecnologias e ao próprio desenvolvimento. Quanto maior o número de iniciados e de alfabetizados tecnologicamente, maior possibilidade haverá para que tenhamos um progresso tecnológico sustentável.

O que podemos avaliar dentro dos diversos quadros apresentados sobre os dados de inclusão digital é que o acesso à Internet tem como base às condições econômicas e políticas dos países. O acesso é desigual e beneficia as classes ricas e médias na proporção da desigualdade econômica existente dentro dos países e entre os países.

* Levantar aspectos relacionados a “democratização a informação” como proposto abaixo:

  1. A democratização do acesso e manuseio da Internet no Brasil tem como dificultador as condições de pobreza da população.
  2. A regras do jogo em vigor, de acesso por conta de cada um, são condições  inacessíveis a grande parte da população brasileira devido à situação de empobrecimento econômico e de exclusão à escolaridade.
  3. A democratização do acesso às redes digitais é um processo em curso e que tende a ganhar cada vez mais visibilidade através de sua inclusão no patamar das políticas públicas e da ampliação das iniciativas autônomas da sociedade civil.

     

    Fundamento teóricos para montagem do plano de aula:

    Para diversas instituições internacionais, como a Unesco, hoje o conceito de analfabetismo abrange mais que o simples não saber ler e escrever. Para elas, quem não domina a informática é um excluído digital. E duplamente, porque também está excluído da evolução tecnológica que dá o acesso à informação. Usam a expressão analfabetismo digital para pessoas não inseridas nesse “mundo digital” e o apontam como grande fator de exclusão social. Observam que digitar textos (Word), usar correio eletrônico (e-mails) e navegar na Internet, obtendo informações é primordial para que alguém esteja inserido na sociedade. Acrescentam, ainda, que o analfabetismo digital afeta o aprendizado, a conectividade e a disseminação de informações.

    Para Manuel Castells (1999), a sociedade passa por uma revolução informacional como as grandes mudanças históricas da sociedade. Em “A Era da Informação”, o autor destaca a importância de uma inclusão digital que envolve questões econômicas, culturais e informacionais.

    “A revolução da tecnologia da informação e a reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede. Essa sociedade é caracterizada pela globalização das atividades econômicas decisivas do ponto de vista estratégico; por sua forma de organização em redes; pela flexibilidade e instabilidade do emprego e a individualização da mão-de-obra. Por uma cultura de virtualidade real construída a partir de um sistema de mídia onipresente, interligado e altamente diversificado. E pela transformação das bases materiais da vida – o tempo e o espaço – mediante a criação de um espaço de fluxos e de um tempo intemporal como expressões das atividades e elites dominantes. (Castell, 1999; 17)”.

     

    Manuel Castells apresenta em A sociedade em rede uma importante contribuição para o debate sobre a morfologia social das sociedades de tecnologia avançada neste início de novo século. Fundamentando-se em amplo conjunto de informações empíricas e numa refinada teoria sociológica, Castells descreve a sociedade contemporânea como uma sociedade globalizada, centrada no uso e aplicação de informação e conhecimento, cuja base material está sendo alterada aceleradamente por uma revolução tecnológica concentrada na tecnologia da informação e em meio a profundas mudanças nas relações sociais, nos sistemas políticos e nos sistemas de valores.

    Segundo Castells “a gestão das diferenças sócio-culturais dos distintos grupos da população que coabitam um espaço e sua integração em uma cultura compartilhada que não negue as especificidades históricas, culturais e religiosas, é um dos principais desafios para a sociedade e governos em nosso tempo”.

    Castells lembra que o capitalismo tem passado por substanciais transformações ao longo das últimas décadas, principalmente depois de ter assumido o caráter informacional. Assim sendo, é difícil negar, por conseguinte, que o processo de globalização está arraigado à expansão do sistema econômico. Hobsbawn também considera inegável a incidência da globalização no campo da economia e acredita que essa é uma tendência que deve se acentuar com o passar dos anos:

    Sem dúvida vivemos em uma economia mais globalizada do que há trinta anos, mas podemos afirmar com a mesma convicção que estaremos mais globalizados em 2050 e muito mais ainda em 2100. (…).

    Ela (a globalização) é um processo histórico que, embora tenha sido muito acelerado nos últimos dez anos, reflete uma transformação incessante.

     

    Todavia, salienta-se que ver o fenômeno da globalização apenas sob o prisma econômico é ser demasiadamente simplista. É certo dizer que é no campo econômico que surgem as manifestações mais perceptíveis da globalização como, por exemplo, a sociedade da informação, mas a questão pode ser percebida e estudada de outras perspectivas. Tanto ou mais importante que as mudanças que ocorrem no campo econômico, pode-se citar aquelas que ocorrem nos campos social, cultural, político e espacial, ensejadas pelo processo de globalização e informatização.

    Na perspectiva de LÉVY (1996) teremos a apresentação de “um movimento universal de virtualização” que se espalha pelo mundo, influenciando “não apenas a informação e a comunicação, mas, também os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou o exercício da inteligência” (p.11).

    A virtualização está conectada a todos os setores da sociedade e por sua característica principal ser a velocidade, o processo de aprendizagem, assim como a construção do conhecimento, passa por variações constantes. Para LÉVY (1996) a mutação está intimamente ligada a virtualização e “se apresenta como o movimento do ‘devir outro’- ou heterogênese – do humano. Antes de temê-la, condená-la ou lançar-se às cegas a ela, proponho que se faça o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização” (p. 12). Sendo assim, para melhor se visualizar os impactos das tecnologias na cultura pós-moderna deve-se estar atento para a educação como um processo complexo, inacabado e em permanente evolução. O mundo pós-moderno exige do ser humano que também ele seja veloz, portanto, o fundamental não é o acumulo de conhecimento, mas, as agilidades em adquirir novos conhecimentos.

    Segundo Castells, “estamos vivendo um desses raros intervalos na história. Um intervalo cuja característica é a transformação de nossa ‘cultura material’ pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação (CASTELLS, 1999, p.67)”.

     

    As mudanças tecnológicas só podem ser entendidas no contexto da estrutura social, e as sociedades são organizadas através do processo humano determinado por relações históricas de produção, experiência e poder. Produção é a ação humana sobre a matéria, com o objetivo de transformá-la em produto, através da apropriação, transformação ou consumo. Experiência é a ação do sujeito humano sobre si mesmo, a interação entre suas dimensões biológicas e culturais, buscando o preenchimento de seus desejos e necessidades. Poder é a relação entre seres humanos, baseada na produção e experiência, impondo-se à vontade de alguns sujeitos sobre outros, através do emprego da violência real ou simbólica (CASTELLS, 1992).

     

    A sociedade em rede surgiu da interação tanto do “desenvolvimento de novas tecnologias da informação” quanto da “tentativa da antiga sociedade de reaparelhar-se com o uso do poder da tecnologia para servir a tecnologia do poder” (CASTELLS, 1999, p.69).

 

 

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