Sugestão de aula sobre juventude, consumo e identidade

Objetivos

O objetivo da aula é discutir como práticas de consumo e consumismo se dão na vida dos jovens.  Para além das simples formas de consumo, discutiremos como os jovens se apropriam de bens e produtos culturais para criação de identidades individuais e coletivas. Pretendemos construir uma reflexão coletiva em que os alunos tenham um olhar crítico sobre como suas formas de consumo, consciente ou inconsciente, são apropriadas por eles como tentativa de integração de um grupo.

Conceitos

A noção de juventude não diz ao certo quem são seus participantes ou quem pode ou não ser enquadrado nesta categoria. No passado, assim com em outras sociedades, jovens não eram possuidores de um domínio próprio, de práticas, consumos e reconhecimento, esperando apenas estar pronto a ser “convocado” para o mundo adulto. Com o desenvolvimento mais intenso da industrialização e da cultura de massa nos EUA do pós-guerra, da geração de empregos e oportunidades a jovens, aumento da escolaridade, aumento da oferta de produtos, e a produção de necessidades, os jovens passam a serem vistos como um grupo social com características próprias, especificidades e grandes possibilidades (sobretudo de lucro).

Um jovem pode ter 13 ou 30 anos. Morar na periferia ou no centro. Ser branco ou ser negro. Com isso temos que os jovens não são todos iguais, são caracterizados de maneiras distintas de acordo com pluralidade de sociedades e culturas. Internamente a uma mesma sociedade, os jovens podem se diferenciar de acordo com sua classe social, locais que habitam, religião, cor, oportunidades de lazer, consumo, etc.

Diante das novas possibilidades e formas de consumo, os jovens passaram a dar respostas distintas. Uma parcela incorpora os produtos da sociedade de consumo, seguindo a moda, outra, excluída demanda tais produtos e criam códigos próprios, ou ainda buscam se opor aos moldes trazidos pela sociedade de massas. Há o surgimento de inúmeros movimentos de contestação e formas de identificação distintas que se expressam na maneira de vestir, de se expressar, etc. Os elementos adotados para se diferenciarem são vários e podem ser por meio da música, dos espaços de lazer, da critica social. Entre os exemplos de movimentos e grupos estão os hippies, os punks, góticos, skatistas, o movimento hip hop.

 Metodologia

No momento inicial, faremos indagações sobre o que é ser jovem e desenvolveremos conjuntamente, a partir das respostas, a idéia das diversas possibilidades e diferenças da categoria juventude. Discutiremos as práticas de consumo e o consumismo entre os jovens, passando a temática da identidade individual, construída também através do consumo. A partir deste debate, faremos questionamos aos alunos, sobre o que gostam de comprar, se buscam se diferenciar e como? Com esta discussão, podemos utilizar como recursos didáticos imagens que tratam objetos e roupas que podem compor a identidade pessoal. Em seguida falaremos dos diversos movimentos, e tribos urbanas e perguntaremos se alguém conhece ou se identifica com tais grupos; com este debate também passaremos imagens sobre tais grupos. Podemos ainda exibir um trecho do documentário “Aqui Favela, O Rap Representa” de Junia Torres e Rodrigo Siqueira, que traz alguns jovens que integram o movimento hip hop em São Paulo e Belo Horizonte.

Referências:

BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, c2007. 

CAIAFA, Janice. Movimento punk na cidade: a invasão dos bandos sub. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 1989.

DAYRELL, J. Juventude, grupos de estilo e identidade. Educação em Revista, Belo Horizonte, n. 30, p. 25-39, dez. 1999.

___________O rap e o funk na socialização da juventude. In: http://www.scielo.br/pdf/ep/v28n1/11660.

MAGNANI, J. C e SOUZA, B. M. de. Jovens na Metrópole: etnografia dos circuitos de lazer, encontro e sociabilidade. São Paulo, SP: Terceiro Nome, 2007.

Anexo:

Documentário:

Aqui Favela, O Rap Representa (BRA/2003)
Direção / Roteiro / Produção: Junia Torres e Rodrigo Siqueira
Direção de Fotografia: Léo Ferreira
Direção de arte: Julio Dui
Finalização: Estúdios Mega Elenco
Som: João Marcelo M. Santos
Elenco: Mano Brown, Thaíde, Nelson Triunfo, Afrika Bambaataa, Interferência Elemento, Ronaldo Black, N.U.C., Clodoaldo Arruda, Lady Rap, Sharylaine e Milton Sales Pôsters.

A diretora Junia Torres é antropóloga, documentarista, coordenadora do forum.doc.bh – Festival do Filme Documentário e Etnográfico e presidente da Associação Filmes de Quintal.

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