Como deixar atraente uma aula de Sociologia?

Uma grande dúvida que muitos de nós, formados e formandos em licenciatura, temos é a necessidade de transformar a disciplina que deve ser ensinada em algo que efetivamente seja compreendido pelos alunos e, de preferência, não seja tomado como algo irrelevante em sua formação. Porém, como transformar algo muitas vezes altamente teórico e abstrato em algo palatável e até mesmo prazeroso de se estudar e compreender?

Simples? Nem um pouco. Especialmente se pensarmos em todos os problemas enfrentados pelos cursos de graduação, que muitas vezes são mal estruturados e que não contemplam elementos didáticos, além da péssima estrutura educacional proporcionada pelo Estado e tantas outras. Se pensarmos em alunos de escolas públicas, muitos dos alunos de ensino médio chegaram até esse ponto sem saber ler e escrever adequadamente, sem conseguir compreender e conectar ideias. Como então fazer esse percurso entre a disciplina e o aluno de forma que o estranhamento entre eles deixe de ser algo permanente?

Em primeiro lugar, a aproximação do professor com a realidade do aluno é algo imprescindível. É claro que há várias exceções e situações diferente, mas de maneira geral é preciso que o professor conheça os aspectos mais característicos da escola e da turma para a qual leciona, levando em conta tudo aquilo que for possível. Muitos irão questionar a forma como o professor se aproximará dessa realidade, citando a sobrecarga de trabalho e a péssima estrutura que o docente possui para dar uma aula, colocando em pauta a motivação do professor. Sim, a desmotivação e o descontentamento com as condições de trabalho existem e se fazem presentes, mas seria um motivo válido para que o professor deixasse de dar uma boa aula, uma aula significativa para os alunos?

A discussão seria ampla e demorada, com muitos defendendo diferentes pontos de vista, inclusive o conhecimento que o professor tem acerca dos mesmo assuntos que interessem aos alunos. Ora, precisamos traduzir isso e pensar se não há um filme, um livro, uma música, algo qualquer que possa se relacionar com a disciplina e até mesmo simplificá-la? E se tivermos em mente que o brasileiro é estatisticamente um povo que não lê, que não gosta de filmes “cult”, que prefere novelas e filmes atuais, temos que nos adaptar a realidade! Qual o impedimento ao professor de questionar aos alunos se eles leram algum livro que gostaram recentemente? Ou de perguntar de quais filmes gostam? O que tem ouvido, assistido, sentido?

Pessoalmente, não consigo ver como isso seria difícil. Não tomaria tanto tempo, mas seria também uma questão de interesse? Tomemos por exemplo uma questão um pouco mais atual, que são as revoltas e guerras na região do Oriente Médio e que inevitavelmente temos que abordar. Como podemos deixá-las mais inteligíveis ao transmiti-las para os alunos, associando-as com o que eles conhecem? Que tal se pegarmos o filme Iron Man (Homem de Ferro)? Nele, um playboy, milionário, gênio e filantropo, é herdeiro de uma indústria armamentista que, buscando a venda, não tem um controle de para que e onde essas armas irão, fazendo com que “guerrilheiros” de um país do Oriente Médio o sequestrem para que construa uma bomba para eles. Claro que essa é uma sinopse absurdamente simplista e qualquer fã da HQ/Filme, como eu, ficaria indignado, mas não é esse o caso. Com um único filme, que definitivamente foi assistido pela quase totalidade dos alunos, conseguimos relacionar com a supremacia e influência americanas, os conflitos no Oriente Médio, pensar a questão das guerras, visualizar diferentes situações sociais e tantas outras coisas.

Ou se quisermos discutir a questão da violência, da violência policial e influencias políticas, para citar por cima, podemos pegar o filme Tropa de Elite 1 e 2, que consegue ser ainda mais próximo da realidade dos alunos por retratar uma realidade na qual muitos alunos podem se encontrar.

Também podemos utilizar charges e quadrinhos, como os de Bill Waterson, Calvin e Haroldo, para exemplificar Marx, como na tira que se segue:

Ou qualquer outra coisa que possa tornar a aula algo muito mais atraente. Essa é a questão. Será que é preciso focar naquela explicação plastificada, sabendo que ela pode não ser absorvida pelos alunos ou ser algo muitas vezes tido como inútil, dado sua abstração e “falta” de aplicação prática?

A intenção com esse texto não foi, em nenhum momento, definir o que seria a forma correta de se dar uma aula, pelo contrário. A intenção é justamente colocar que não há formas certas, mas sim formas mais atrativas, que podem ser utilizadas por professores de quaisquer disciplinas, sendo preciso apenas um pouco de vontade para fazer acontecer. Suscitar lembranças de um filme não requer infraestrutura maior do que uma frase, assim como uma imagem pode ser um papel que passa de mão em mão pela classe. O objetivo do texto é justamente propor algo, sendo que esse algo pode e deve ser debatido sobre suas razões, possibilidades e efeitos, trazendo uma perspectiva muitas vezes pessoal, mas também derivada de observações e vivências.

Raiça Fernandez – 092752

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  1. Olá, Raiça, seu texto tem uma boa proposta, mas para fins de avaliação ele pode ser melhor desenvolvido. Por exemplo, você pode vincular de fato e detalhadamente a teoria no Marx com o quadrinho do Calvin, pode explicar melhor porque o filme Tropa de Elite se aproxima da realidade dos alunos da educação básica (você pode inclusive escrever um trabalho só sobre o filme). Além disso, é preciso problematizar mais a dificuldade que os professores podem ter para selecionar um filme, afinal de contas quem são os professores, eles veem filmes no geral, leem quadrinhos etc?
    Fiz alguns comentários mais simples ao longo do seu texto.Vou manda-lo para você por email. Abraços.

  2. paulovallis

    Olá, Raiça. A ideia de produzir um efeito esperado em um público ou indivíduo específicos é tema bastante trabalhado, seja através do efeito do discurso, do texto e até mesmo do ritual. Indicaria alguns textos para um aprofundamento teórico da abordagem sobre produzir efeitos de aprendizagem:

    TEORIA da literatura em suas fontes. Coautoria de Luiz Costa Lima. 3. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2002.

    LÉVI-STRAUSS, Claude. “A eficácia simbólica”.
    http://pt.scribd.com/doc/92857576/Levi-Strauss-A-eficacia-simbolica

    grande abraço




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