Resenha de Educação para o empreendedorismo

O texto de COSTA busca trazer alguns conceitos como globalização, novas tecnologias e economia brasileira associados a alguns dados estatísticos sem realizar uma grande discussão teórica, antes de tudo ele procura esboçar um projeto educacional com um foco voltado para uma forma diferenciada de inserção dos jovens no mundo do trabalho, através do empreendedorismo.

Apesar de não elaborar uma discussão teórica muito bem articulada ele apresenta uma série de dados que podem despertar a curiosidade científica e a partir dos quais podem surgir trabalhos mais bem estruturados com os conceitos que são trabalhados no texto.

Sua construção do objeto de análise o jovem é visto como um destinatário de políticas para inserção do mesmo no ambiente empresarial. Ele define o jovem com alguns pontos listados abaixo:

– Necessidade de viabilizar a formação do jovem como um ator econômico;

– A justificativa do jovem como destinatário está na intenção de redução da pobreza, da brutalidade e da ignorância;

– O jovem é um não-ser social (não-criança e não-adulto), faixa etária dos jovens para a UNESCO (Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e Cultura) é de 15 a 25 anos;

– Para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) adolescentes são as pessoas com idade entre 12 a 18 anos incompletos;

– No Brasil existe o conceito de jovens adultos de 18 a 21 anos;

– Em virtude de uma defasagem na série / idade foram criadas algumas categorias para as políticas públicas para educação de jovens e adultos;

O autor aceita a ideia de que durante a adolescência se devem realizar duas coisas: construção de identidade e do projeto de vida. Sendo assim as instituições família, escola e trabalho são os pontos de apoio para a realização dessas tarefas socioexistenciais da adolescência. Neste ponto acredito que o autor generalizou uma visão de mundo e desconsiderou um grande grupo de pessoas que não estão inseridas em um mesmo contexto social.

O autor ainda aponta como a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) encara o jovem sob três pontos de vista distintos: indivíduo como pessoa, cidadão e como futuro profissional. Aqui discordo com a LDB, não existe espaço para projetos de vida distintos de um padrão cultural imposto pela sociedade, será que não se poderia educar para atividades do terceiro setor, para trabalhos voluntários, para atividades artísticas, dentre muitas outras formas de vida que não o exercício de uma atividade profissional?

Concordo com o autor quando ele diz o seguinte:

“Em termos de desenvolvimento pessoal, nosso propósito deve ser a formação do jovem autônomo, ou seja, do jovem dotado de bons critérios para avaliar e decidir o caminho a seguir em sua vida.” (COSTA, 2004).

Porém, a forma como ele chegou a essa formulação foi bastante fragmentária e faltou um pouco de coesão na construção da proposição.

Não foi possível identificar se o mesmo apóia ou não o conceito de juventude proposto na LDB. Foram lançadas várias informações mas que não tiveram uma boa articulação entre si. E na conclusão de sua visão sobre o jovem foram apenas reafirmados os conceitos existente na LDB.

Posteriormente, o autor esboça uma visão de mundo pautada nos conceitos presentes no artigo 3º da Constituição Federal e das idéias de desenvolvimento humano de Amarthya Sem, ganhador do prêmio Nobel de 1998.

Em um terceiro momento são expostos pontos de como o autor vê o processo educativo destacando que o papel da educação seria pautado em quatro conteúdos básicos: conteúdos, valores, atitudes e habilidades básicas.

Na seqüência o autor enumera algumas virtudes que considera importantes para os empreendedores e na também uma séria de competências empresariais.

Na sexta parte do texto talvez esteja evidenciada o centro teórico do projeto pedagógico construído pelo autor, onde ele evidencia seus argumentos e justificativas para a existência de um tipo de escola que priorize a formação de um indivíduo empreendedor. Neste ponto o autor consegue articular algumas de suas idéias sobre o assunto. Porém, grande parte dos enunciados são baseados em questões do senso comum, o método de exposição do autor utiliza de critérios questionáveis para obtenção de resultados e conclusões.

No final do texto o autor sustenta que o empreendedorismo é uma capacidade de transformar visões em realidade nos diversos domínios da atividade humana que deve ser desenvolvida nos jovens como proposta para solução dos problemas apontados no início do texto. Posteriormente, ele enumera algumas experiências realizadas com um certo grau de sucesso no Brasil:

– Junior’s Achievement

– Escola da Família Agrícola

– Escola técnica de formação gerencial do SEBRAE – MG

– Pró-jovem Ceeteps

– Emretec / SEBRAE

– Casa Familiar Rural

– Projeto moinho / Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho

– Projeto Xingó

 

Bibliografia

COSTA, Antônio Carlos Gomes da. Educação para o Empreendedorismo: uma visão brasileira. In: Juventude e Sociedade. Trabalho, educação, cultura e participação. Regina Novaes e Paulo Vannuchi (orgs). Editora Perseu Abramo, São Paulo, 2004.

 

Autor: Diego Tosta de Siqueira

RA: 090930

 

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  1. Oi, Diego.

    Você as suas críticas na resenha são usadas para desqualificar o autor, sem contudo, aprofundar as críticas. O que me fez pensar por que você compartilhou o texto dele através da resenha.
    De qualquer modo, uma passagem da resenha precisa ser melhor desenvolvida: “O autor ainda aponta como a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) encara o jovem sob três pontos de vista distintos: indivíduo como pessoa, cidadão e como futuro profissional. Aqui discordo com a LDB, não existe espaço para projetos de vida distintos de um padrão cultural imposto pela sociedade, será que não se poderia educar para atividades do terceiro setor, para trabalhos voluntários, para atividades artísticas, dentre muitas outras formas de vida que não o exercício de uma atividade profissional?”
    E talvez valha fazer uma conclusão, na qual você resolva o seu conflito com o autor.

    Abraços.




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