Resenha de Juventude, trabalho e educação no Brasil: perplexidades, desafios e perspectivas

O presente texto visa sintetizar os conceitos trabalhados no texto de FRIGOTTO e realizar uma discussão teórica com o mesmo.

O tema juventude é complexo e controverso especialmente ao se tomar uma perspectiva de classe para realizar uma análise. Diante dessa metodologia de análise é comum assumir uma postura reducionista em virtude dos anseios que os sujeitos jovens têm de se colocarem como unidade em diversos âmbitos (econômico, social, cultural, étnico, de gênero, de religião, etc.).

Também existe um grande obstáculo quando se pretende analisar o tema do trabalho e do emprego que, não raramente, se apresentam carregados de simplificações e mistificações. O autor entende trabalho como a forma do ser humano criar e recriar os seus meios de vida e emprego como forma específica do capitalismo de compra e venda da força de trabalho.

O universo de pesquisa juvenil estudado pelo autor compreende os jovens filhos de trabalhadores assalariados ou que produzem a vida de forma precária por conta própria, no campo ou na cidade, em regiões diversas do Brasil e com algumas particularidades socioculturais e étnicas. Outra característica comum desse universo de pesquisa é o fato de existir uma inserção precoce no mercado de trabalho como forma de complementar a renda familiar, não como uma opção, mas como uma imposição social e de classe, que está visivelmente sobreposta a uma questão de cor / raça.

Dentro desse grupo de pesquisa podem ser observadas muitas variações. As que foram consideradas mais relevantes para a análise são as seguintes:

– Jovens que trabalham com a família em minifúndios ou como arrendatários ou salariados do campo;

– Jovens que vivem em acampamentos ou assentamento de movimentos como o Movimento dos Sem-Terra (MST);

– Jovens, filhos de trabalhadores, que vivem em bairros populares ou favelas das média e grande cidades do Brasil.

Esses grupos, apesar de suas particularidades, tendem a sofrer um processo de adultização precoce, em oposição aos jovens filhos de famílias de classe média ou de famílias donas de meios de produção, que geralmente entram no mercado de trabalho após os 25 anos de idade e em cargos de melhor remuneração.

Existe ainda um outro grupo de pessoas, que não fazem parte desses grupos já evidenciados,  e denominado pelo autor, utilizando um conceito da física, de ponto de não-reversibilidade. São os jovens desumanizados e socialmente violentados que se tornaram presas fáceis para o mercado da prostituição infanto-juvenil, para a criminalidade e para o exército do tráfico.

Estabelecido o universo de pesquisa, o texto foi estruturado em torno de três aspectos relativos ao tema:

1º Dimensionamento estatístico, levando em conta aspectos geográficos (campo, cidade), cor ou raça e escolaridade para levantar algumas inferências sobre a inserção precoce do jovem no mercado de trabalho;

2º O problema é muito complexo para realização de propostas fáceis de solução.

3º Quais seriam as medidas emergenciais no âmbito das políticas públicas a serem tomadas e as ações de mudanças estruturais que podem ser realizadas para reduzir os impactos negativos dessa “máquina de mutilação juvenil” criada no Brasil?

A construção sujeito jovem do texto, apesar de ter sido escrito há mais de dez anos, e conter dados do censo de 2000, ainda apresenta uma realidade que não sofreu grandes mudanças estruturais. Talvez haja uma forte tendência de um número cada vez maior de jovens com acesso aos cursos superiores em virtude de intensificação de políticas públicas de inclusão como o Prouni e o FIEES além de criação de novas universidades públicas em regiões menos desenvolvidas do país. Também existe um fator mais recente que o aumento considerável de faculdades e universidades privadas em todo o país que facilitam a acesso de um grande contingente de pessoas n ensino superior.

A questão que se põe aqui é a seguinte: o que leva os jovens a entrarem em um curso de ensino superior, mesmo que de baixa qualidade, e dividir o tempo entre trabalho e estudo sendo cobrado de muitas formas a realizar feitos impossíveis como se fosse um adulto já formado? E por que a geração que cobra especialização desses jovens muitas vezes não teve a mesma formação e muito menos cria condições favoráveis para que essa especialização possa ser feita de forma menos violenta?

Acredito que não é possível desvincular a busca por estudo de uma questão de sobrevivência para o grupo estudado. Também acredito que os dois grupos exteriores ao universo de pesquisa (os privilegiados e os excluídos) vivem em um ciclo perverso que não será superado apenas por políticas públicas, os detentores do capital, não só os grandes, mas também os pequenos proprietários, precisam assumir uma postura política voltada para o desenvolvimento social e humano do país, eu que eu chamaria de redução social dos impactos negativos da mais-valia. Enquanto o capital nacional ficar apenas focado na ampliação de bens e esquecer que existe toda uma estrutura social a ser alimentada, continuará existindo subempregos, falta de inclusão social, marginalização, etc. Claro que as políticas serão um forte impulso para iniciar uma mudança estrutural, todavia, a forma como o capitalismo se instaurou no Brasil, baseado em um cultura escravocrata, ainda precisa amadurecer muito e realizar uma grande reformulação de suas bases econômicas, sociais e políticas para fortalecer as bases de seu desenvolvimento, não só econômico, mas antes de tudo humano e social.

Concordo com o autor que não são com respostas fáceis que se poderão alcançar os benefícios urgentes e necessários. Para utilizar um jargão não podemos mais fazer as coisas para “inglês ver”. Temos que criar mecanismos que realmente ofereçam oportunidades para os jovens. Não oportunidades que mutilem a juventude, oportunidades que permitam que os mesmos possam se preparar para a vida adulta de uma forma mais humana e saudável. Eis um desafio a ser superado, não apenas intelectualmente, mas na prática.

Bibliografia

FRIGOTTO, Gaudêncio.  Juventude, trabalho e educação no Brasil: perplexidades, desafios e perspectivas. In: Juventude e Sociedade. Trabalho, educação, cultura e participação. Regina Novaes e Paulo Vannuchi (orgs). Editora Perseu Abramo, São Paulo, 2004.

Autor: Diego Tosta de Siqueira

RA: 090930

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  1. 1 Sala de aula: educação e a questão de raça e classe. | Estágio Supervisionado em Ciências Sociais

    […] “característica comum desse universo de pesquisa é o fato de existir uma inserção precoce no mercado de trabalho como forma de complementar a renda familiar, não como uma opção, mas como uma imposição social e de classe, que está visivelmente sobreposta a uma questão de cor / raça.” (In: https://escsunicamp.wordpress.com/2013/11/18/resenha-de-juventude-trabalho-e-educacao-no-brasil-perpl&#8230😉 […]




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