Author Archive for: Turak

Apesar dessa prática de dominação já ser antiga a palavra bullying só se popularizou no começo do desse século. Ainda assim, o assunto em si me parece pouco discutido nos meios comuns de comunicação; a palavra surge esporadicamente em notícias de jornais ou até como tema de piadas entre amigos. Depois do tiroteio ocorrido na semana passada, em uma escola nos Estados Unidos, e dos telejornais acusarem o atirador como vítima de bullying, ficou-me a pergunta: como professor quais seriam as atitudes adequadas para resolver casos de bullying entre meus alunos?

Diante dessa pergunta encontrei o artigo de Neto Lopes (2005) que trata sobre o assunto. O autor trabalhava em uma ONG chamada ABRAPIA, que tratava da violência sexual infantil e de bullying. O artigo fala sobre as consequências negativas que o bullying pode ter para escola, para as vitimas e para os autores do ato, ele traça os possíveis esteriótipos das vitimas, testemunhas, vitimas/autores e autores assim como também mostra dados positivos sobre o programa anti-bullying da ABRAPIA, posto em prática em algumas escolas. Entretanto ele não explicita os métodos que geraram os dados, o que dificulta uma avaliação real da efetividade do programa pelo leitor do artigo. O artigo aponta o diálogo e a conscientização do bullying como formas de prevenção e resolução dessa prática, realizada em conjunto com a família, amigos, colegas e escola.

Apesar da popularidade que a palavra bullying ganhou a ABRAPIA, segundo reportagem na UOL (http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=9097&cod_canal=39), foi fechada por não ter investidores, seja o governo ou empresas privadas, e os “casos de bullying” ainda aparecem nos telejornais. Ou seja, de fato se dá importância para este problema? Ou seria apenas mais um conceito dentro do tema “Violência”? E isso me faz lembrar, durante minha infância, as várias vezes em que o professor ou adulto responsável fingia que não via ou quando de fato ele não via ou não compreendia quando existia bullying entre a turma da escola.

Enfim, a pergunta persiste: como lidar com o bullying? Gostaria de propor esse post como espaço para discussão sobre esse assunto e que os colegas mais experientes no ramo da educação pudessem compartilhar suas experiências, se existentes, de casos de bullying e como lidaram com ele, a fim de dar uma luz para essa questão.

 

DANTAS, Viviane P. “No escuro – uma reflexão sobre a tragédia de Realemgo, RJ”. SP: Redação Integrada, 2011. Disponível em: http://www.redacaointegrada.com.br/Cronicas-e-Reflexoes.html

LOPES, Neto AA. Bullying – comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2005;81(5 Supl):S164-S172.

Assunto pouco tratado nas aulas de história e pelo cinema, a peste negra aparece como pano de fundo em “Morte Negra”. O filme se passa na Inglaterra, no ano de 1348, data em que historicamente houve uma pandemia da peste na Inglaterra.

Osmund, um sacerdote da Igreja católica, se junta a um grupo de cavaleiros em uma missão dada pela Inquisição de investigar um vilarejo, onde um primeiro grupo de cavaleiros havia sido enviado na mesma missão, mas nunca retornara. Há uma suspeita de que no vilarejo haveria uma bruxa que estaria trazendo os mortos de volta à vida. Osmund, que tinha uma relação amorosa com uma mulher, vê essa missão como uma oportunidade de se redimir.

Durante o caminho, o grupo é atacado por um bando de bandidos. Após vencerem os bandidos, Osmund encontra entre eles as roupas de sua amada ensangüentadas, ele deduz, então, que ela havia sido morta por eles.

Apesar da dor, Osmund continua a viagem com o grupo, até finalmente chegarem ao vilarejo. O vilarejo, cercado por um pântano, havia sido intocado pela peste; era próspero e saudável. Apesar de serem bem recebidos pelos moradores, instaura-se um clima de desconfiança onde os cavaleiros não sabem se é uma armadilha armada pela bruxa e, ao mesmo tempo, os vilões não sabem qual o verdadeiro propósito dos cavaleiros ou…. bom, talvez eles saibam.

A peste negra manteve sua presença praticamente durante toda a Idade Média (sécs. XIV a XVIII), mesmo assim é pouco comum se falar nela, principalmente nas aulas de história, que geralmente se referem à Idade Média como a “idade das trevas”, que conta sobre a Inquisição, o Iluminismo, Leonardo Da Vincci, mas quase não contextualiza esses temas com a peste negra. Mas impactos sociais e culturais causados por essa doença foram de total relevância: a doença foi vista como um castigo divino por muitas religiões cristãs, o que causou inúmeros massacres, perseguições, rebeliões e migrações. A alta mortalidade causada pela doença (praticamente só não morria quem era imune) causou uma elevação no custo da mão-de-obra e uma queda nos preços de terras em muitos países. Muitas pessoas do terceiro estado ascenderam economicamente, dificultando a distinção entre eles e os nobres, o que gerou conflitos sociais, revoluções e guerras civis.

A peste negra, controlada apenas em 1894, teve fortes influências no desenvolvimento da medicina e no imaginário do homem europeu. Foi uma das doenças mais significativas na nossa história, influenciando práticas e crenças, tanto religiosas como também culturais e científicas.

“Morte Negra” possibilita que todas essas questões sejam trabalhadas. Cada lado da história (cavaleiros/aldeões) explica a peste, a si mesmo e aos outros segundo a maneira pela qual sua crença os faz ver as coisas e que, ao mesmo tempo, os cega para enxergar como os outros se explicam e explicam as coisas. Qual dos dois lados então estaria certo nessa história?

Autor: Aram S. Menocci

Referência:

 SMITH, Cristopher; RAE, Douglas; MEURER, Jens; ROBERTSON, Phil; BERNSTEIN, Robert. Morte Negra. [Filme-vídeo]. Produção de Douglas Rae, Jens Meurer, Phil Robertson e Robert Bernstein, direção de Cristopher Smith. Reino Unido/Alemanha, Egoli Tossel Film/HanWay Films/Zephyr Films, 2010. 97min.

“Instinto designa em psicologia, etologia, biologia e outras ciências afins predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de ações (comportamentos) caracterizadas sobretudo por uma realização estereotipada, padronizada, pré-definida. Devido a essas características supõe-se uma forte base genética para os instintos, idéia defendida já por Darwin[1]. Os mecanismos que determinam a influência genética sobre os instintos não são completamente compreendidos, uma vez que se desconhecem as estruturas genéticas que determinam sua hereditabilidade[carece de fontes].” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Instinto)

“O que distingue o homem dos outros animais é o fato de que ele é o único ser que tem e produz cultura. Neste Volume, vamos discutir as seguintes questões: O que nos une como seres humanos? e O que nos diferencia? O que nos diferencia dos outros animais é o fato de que o homem é o único capaz de adquirir cultura. Mas o que é cultura? Quais são suas características? Qual é o papel do instinto na vida do homem? E o do meio geográfico? O homem é totalmente influenciado pelos seus genes? Enfim, essas são algumas das questões cujas respostas podem esclarecer o que nos une e o que nos diferencia como seres humanos.” (Caderno de Sociologia do aluno, 1ª série do ensino médio, volume 3, página 3)

Por vezes muitas sociedades humanas se preocuparam em descobrir o que diferenciava a espécie humana das outras espécies. Muitas teorias foram levantadas, usando argumentações das instituições com o poder explicativo mais legítimo de cada época. Assim, no começo, o humano se diferenciava dos outros animais por ser a criatura mais perfeita de Deus, feita à própria imagem do criador. Quando a religião começou a perder parte da sua legitimidade de explicar as coisas, então deslocou-se esta questão para a ciência contemporânea.

Os achados de uma biologia ainda “verde”  do século XVIII influenciaram várias outras áreas das sociedades humanas, entre elas a política, a antropologia e até mesmo algumas religiões. Surge então o “darwinismo social”, que prega não uma diferença entre humanos e animais mas sim uma diferença entre humanos e … humanos. O eugenismo é inventado, assim como o nazismo, o fascismo e outras teorias raciais.

Após a Segunda Guerra Mundial o Itália fascista e a Alemanha nazista são derrotadas, as práticas eugênicas são abandonadas e as teorias evolucionistas, dentro das ciências sociais, sofrem constantes críticas e vão sendo abandonadas ao longo dos anos.  A partir do perspectivismo de Eduardo Viveiros de Castro as teorias “homocêntricas” (aquelas que pregam ou buscam caracteres que diferenciam os humanos dos animais, geralmente provando que os humanos são criaturas superiores) sofrem uma crítica dentro das ciências sociais ao relativizar o conceito de humanidade-animalidade, natureza-cultura.

Ao afirmarem que o humano é o único ser capaz de ter e produzir cultura, os autores da apostila de sociologia do ensino médio ignoram e negam, ao mesmo tempo, todas as teorias contrárias ao homocentrismo, como as teorias de Eduardo V. de Castro por exemplo. Ignoram, pois sequer citam as opiniões contrárias, e negam, pois não esclarecem quais foram as fontes que fundamentam as afirmações presentes na apostila, fazendo com que estas pareçam uma verdade consensualmente aceita. Mas esta afirmação não só contradiz algumas teorias recentes da antropologia, como também contradiz os próprios achados mais atuais das ciências exatas.

Algumas pesquisas realizadas em São Paulo mostram, segundo artigo na internet¹, que uma espécie de macaco usa pedras como ferramenta para abrir cocos. Essa técnica é transmitida entre gerações através da observação, não sendo assim considerado um “ato instintivo”, fazendo com que os biólogos considerem que aqueles macacos possuem um tipo de cultura. Outro argumento a favor da cultura dos animais é de que entre os chimpanzés não é a força física que favorece um indivíduo a assumir a liderança do grupo, mas sim a capacidade deste de forjar alianças com outros indivíduos, conquistadas geralmente através de uma “propina” com alimentos, que apoiam o aspirante a líder ao cargo desejado.

Fica cada vez mais difícil de admitir que os animais agem apenas por instinto. A própria definição de instinto admiti que esse conceito não pode ser aplicado com segurança, já que determinar o que é instinto ou não depende de outras variáveis, ainda impossíveis de serem determinadas.

Mas se não é a cultura, ou o instinto, que distingue o humano dos outros animais, o que seria então? Alguns podem apontar a capacidade de se reconhecer, criar uma identidade, porém alguns animais aparentemente conseguem se reconhecer em espelhos.

Responder a essas perguntas não me parece tão simples. É como patinar sobre uma fina superfície de gelo. Buscar estas respostas vai além do conhecer as outras espécies, é conhecer a nós mesmos. Porque, afinal, é no outro que nos definimos. É um longo caminho ainda a ser percorrido, tanto pelas ciências sociais quanto pelas outras ciências, cujo lugar que ele vai nos levar ainda me parece incerto para podermos dar uma afirmação tão direta como a da apostila de sociologia do ensino médio.

Fontes:

¹http://www.ip.usp.br/imprensa/midia/2002/fsp20_01_2002.html

CASTRO, Eduardo Viveiros de (autor). A inconstância da alma selvagem: e outros ensaios de antropologia. São Paulo, SP: Cosac Naify, 2002.

http://www.youtube.com/watch?v=hynMXCqtHfs&feature=related (documentário que mostra uma instabilidade na relação “presa-predador” entre búfalos e leões)

http://www.youtube.com/watch?v=nRow1PoYA9s (este documentário acompanha a rotina de um dia de sete espécies de animais na África do Sul. É interessante notar o elefante que foi excluído do grupo por “não se comportar”)

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110915_papagaios_ensinam_fala_cc.shtml (papagaios domésticos ensinam aves selvagens a falar, na Austrália)

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2006/10/061031_elefanteimagemir.shtml (artigo sobre os animais que se reconhecem nos espelhos)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Instinto

Caderno do aluno: sociologia, ensino médio – 1a série, volume 3. São Paulo: SEE, 2009.

Autor: Aram S. Menocci