Author Archive for:

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo tem estudado uma reforma na matriz curricular nas escolas do Ensino Médio. A ideia é promover uma flexibilização no currículo do estudante, ou seja, oferecer uma relativa autonomia para que ele possa escolher qual currículo mais lhe interessa. Entretanto, as possibilidades de escolha serão oferecidas apenas no terceiro ano. Para ajudar na escolha os estudantes terão, nos dois primeiro anos do Ensino Médio, uma disciplina que servirá como orientação pedagógica, sendo que esta disciplina deverá ser ministrada por um professor de filosofia.

Para além da divisão das disciplinas, de maneira isolada, o currículo apresenta uma distinção por áreas, divididas entre “Linguagens, códigos e tecnologias”; “Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias”; e “Ciências Humanas e tecnologias”, deste modo, a divisão está sendo pensada a partir desses campos.

Entretanto, apesar da divisão por áreas, existe uma tendência à valorização das duas disciplinas mais tradicionais: português e matemática. Dessa maneira, ainda que a matriz se divida entre campos do saber, a realidade das escolas é a valorização dessas duas disciplinas. Pensando a nova matriz, a tendência será cultivar um desenvolvimento maior entre os diferentes campos científicos. Todavia, a produção científica nas escolas ainda não é garantida, o que pode perpetuar a reprodução já estabelecida hoje.

Em torno dessa problemática se coloca a grande questão… o potencial humano existente em cada colégio deve ser aproveitado. As nossas escolas não produzem ideias, estão esvaziadas pela reprodução mecânica das disciplinas; quando muito, realizam trabalhos visando os vestibulares. Não é possível afirmar que nova matriz será a promotora dessa transformação, pois, para isso, é preciso uma política educacional eficiente com muito investimento; o que é possível de se observar são transformações em pequenas esferas, em cada escola. Tendo a escola uma direção e coordenação ativa com projetos pedagógicos bem formulados e executados, o início da transformação do espaço escolar cria possibilidades para ser iniciado.

Nós, professores de sociologia, teremos um salto quantitativo de uma para duas aulas, podendo, em alguns casos, ganhar quatro aulas com as turmas dos terceiros anos. Não apenas a Sociologia terá um aumento quantitativo, mas todas as disciplinas que fazem parte da área de Ciências Humanas.

Tendo, então, uma equivalência das áreas nos dois primeiros anos de ensino, chegando ao terceiro ano, o estudante poderá escolher qual das áreas seguir, passando a cumprir uma carga horária maior em determinadas disciplinas, de acordo com a área escolhida. Entretanto, não serão todas as escolas que oferecerão possibilidades de escolhas. Apenas as escolas que contam com mais de três turmas de terceiro ano; para as que não contam, a possibilidade de escolha não existe, mas sim a continuidade da equivalência entre áreas. Uma pena, pois acredito que o sistema de escolhas serviria como um elemento motivador para os estudantes.

Para os interessados em entender mais do assunto recomendo a leitura do artigo explicativo da própria Secretaria de Educação que está disponibilizado no link abaixo. Importante lembrar que as transformações curriculares ainda não foram confirmadas para o próximo ano.

CENP_MatrizCurricularDoEnsinoMedio_Set2011

Estou na rede estadual desde o começo do ano como professor de sociologia e trago agora uma contribuição para o nosso blog para pensarmos algumas coisas a respeito das avaliações. Idealizar formas de avaliação tem sido um grande desafio para o trabalho que tenho realizado ao longo deste ano. Primeiro, pelo fato de ter apenas uma aula por semana com cada turma, ocasionando uma série de dificuldades – como por exemplo, a quantidade de turmas trabalhadas: neste ano trabalhei com 26 turmas – um número tão grande de turmas impossibilita que o professor tenha uma maior aproximação com os estudantes, fundamental para qualquer processo educacional.  Não havendo aproximação objetiva, resta ao professor se desdobrar para criar tais condições.

Passada essa primeira dificuldade, as próximas questões que me surgiram foram: o que pretendo avaliar e como fazer?! Melhor uma avaliação escrita ou testes?! Trabalho com redações?! Quantas avaliações por bimestre?! Quantas atividades?! Para que serve uma nota?! O que eu pretendo com esta nota?! Somar e dividir?! Tecnicamente seria mais fácil aplicar avaliações objetivas, com múltiplas escolhas, por bimestre, mas ainda que essas provas apresentem sua importância por conta do vestibular, decidi não me ater, nesse primeiro momento, a elas. Mesmo porque, nas escolas em que trabalho não existe esse objetivo direto dos estudantes ao vestibular…

Decidi, portanto, realizar avaliações dissertativas que fossem se construindo e complementando ao longo dos bimestres. Para cada bimestre realizamos, em média, três atividades mais a avaliação final, sendo as notas compostas por este conjunto. Iniciei o bimestre tentando realizar uma didática com os alunos a esse respeito, que consistia no fato deque todos começariam o bimestre com nota 10, e esta diminuiria caso as atividades não fossem entregues. Os alunos demonstraram resposta positiva ao método, a princípio, mas ao longo do bimestre as atividades passaram a se tornar escassas e os estudantes banalizaram as produções, apenas para sustentar o 10.

Apesar de debatermos a respeito da avaliação, trazendo uma reflexão que se encaminhasse no sentido de que obter um 10 não fazia deles melhor ou pior, mas que o processo avaliativo poderia ser importante, a questão de atribuir notas a cada um deles, é, ainda uma ideia muito arraigada e fechada também para os estudantes. Falta a eles uma motivação para o estudo. A partir de então, o método utilizado para avaliar passou a ser outro: não bastava apenas entregar as atividades, seria preciso demonstrar uma dedicação em sua elaboração e realização.

Acerca das respostas que cada aluno escreve, gostaria de ressaltar que os deixo bastante à vontade para expressarem opiniões diversas; e a respeito das respostas erradas, procuro estabelecer com eles que faz parte do processo de aprender. Temos conseguido dialogar bastante quanto a isso. Os acertos e os erros são as nossas ferramentas para analisarmos o nosso trabalho, bem como ampliar as nossas percepções com relação aos estudantes.

Em cada avaliação procuro estabelecer um diálogo escrito com os alunos através de textos que elaboro explicando para eles os meus objetivos. Acredito que criar possibilidades para que os educandos desenvolvam um raciocínio crítico a partir do seu conhecimento pessoal pode ser um dos caminhos para estabelecer um vínculo e um diálogo com os estudantes, sendo assim, procuro não fazer perguntas que tenham respostas certas ou erradas, mas sim respostas que promovam reflexões.

Disponibilizarei três avaliações realizadas no terceiro bimestre nos links abaixo:

Primeiro Ano: Prova III (1º ano)

Segundo Ano: Prova III (2º ano)

Terceiro Ano: Prova III (3º ano)

Abraços!