Author Archive for: Brunna Isabela Constantino Martelli

A atual situação da educação em nosso país não é novidade para nenhum brasileiro. Não é preciso ser um especialista no assunto para perceber o baixo investimento governamental na qualidade de ensino, infra-estrutura escolar e principalmente na profissão docente, e embora o Brasil esteja passando por fases de transição e apresentado melhoras estatísticas no campo, estamos longe de possuir uma educação adequada.

Ainda que tais estatísticas não sejam o bastante para exemplificar o quão grave está a situação da educação brasileira, tornam-se importante instrumento para que possamos nos situar no assunto. Na avaliação anual global sobre educação, realizada pela Instituição da Organização das Nações Unidas (ONU), Unesco, o Brasil ainda apresenta uma baixa posição em relação aos outros países.

Segundo o relatório de 2010, o Brasil poderia se encontrar em melhor situação se investisse na qualidade de seu ensino. Dos critérios utilizados para medir a qualidade, o país registra altos índices em três (atendimento universal, igualdade de gênero e analfabetismo), no entanto, apresenta um indicador muito baixo em relação a crianças que ultrapassam o 5º ano escolar, ou seja, vão para o Ensino Fundamental II.

Conquanto, por mais que o Brasil apresente altos índices em relação ao analfabetismo, sua erradicação caminha de forma muito lenta. Corroborando para a atual situação, a valorização do professor no país se encontra muito baixa, e, como os educadores são fatores principais para uma qualidade melhor de ensino, este passa a ser o maior desafio para os futuros governantes.

Para tanto, é necessário que se desenvolva situações favoráveis para que essa carreira se torne novamente objeto de desejo de profissionais. Tais situações se pautam muito além de qualificação docente e salários mais representativos, mas também em relação a inversão da precarização do sistema de ensino, que hoje temos por realidade.

Segundo o relatório “De olho nas Metas”, feito anualmente pela Organização Não-Governamental Todos Pela Educação, de cada 100 alunos matriculados no último ano do ensino médio no Brasil, apenas 11 aprendem o que era esperado para essa fase. Esse dado é ainda mais agravante quando pensamos que o apre(e)ndido no ensino médio deveria simbolizar ingresso direto para uma universidade.

Esses dados nos mostram, portanto, que o sistema de ensino não se encaixa no que significaria o “suficiente” para garantir uma condição mínima de educação. Esses jovens que não conseguem digerir o conhecimento passado precisam de uma educação que caiba na vida, e infelizmente não é isso que encontram, não só no ensino médio, mas em todas as séries da educação brasileira.

É essa questão que me motiva a escrever esse post, influenciada por alguns elementos da publicação denominada “Desafios do professor no ensino da sociologia”. Isso porque acredito, como BRIDI et al (2009) que educar equivale a socializar os alunos e alunas, e torná-los participantes do legado cultural da sociedade em que vivem. Estes não são, portanto, necessitados da mera transmissão de conteúdos, mas de sua inserção na realidade social.

O que acontece, atualmente, é uma problemática em relação ao que merece ou não ser ensinado, em conjunto aos discursos oriundos nos anos 90 sobre o caráter instrumental da educação. Dessa forma, de acordo com GENTILI (2004 apud BRIDI et al, 2009, p. 76) a escola sofre também com o assédio neoliberal e os discursos da qualidade total e mercantilização do sistema de ensino. Este, portanto, se degrada à medida que a escola se transforma em uma mercadoria.

Segundo OLIVEIRA (2009, p. 740), “[a educação] tornou-se exportável, portável e negociável”. Isso porque cresce no Brasil a venda de materiais pedagógicos, apostilas, livros, que vão aos poucos terceirizando e privatizando nosso sistema de ensino, que acaba por limitar o papel do professor em sala de aula.

Neste sentido, TARDIF E LESSARD (2005) ressaltam o papel da docência como uma atividade onde o professor se dedica por completo ao seu objeto de trabalho, que se trata, justamente, de outro ser humano, o que o caracteriza como um processo de interação humana. Logo, o profissional deve estar inteiramente envolvido.

Tal diferenciação do trabalho docente mostra quão inviável e pouco produtivo é um sistema de ensino que não oferece autonomia ao professor. Em relação a esse ponto, outra autora, ALENCAR (1995), coloca a importância da criatividade no contexto educacional. Para ela, todos nós possuímos um potencial criativo que se desenvolve em diferentes medidas conforme nos são oferecidas condições favoráveis para tal.

Essa criatividade colocada seria fator fundamental para uma abertura com os alunos, uma maior interação capaz de fazer com que o educando se sinta parte do processo educacional, do processo no qual Paulo Freire bem assenta existente em uma troca de aprendizados entre alunos e professores.

No entanto, vale lembrar que o trabalho docente recebe intervenção direta de vários fatores que juntos facilitam ou inibem as habilidades criativas dos envolvidos nesse processo. São eles condições de trabalho, arquitetura da escola, ambiente, entre tantos outros que sabemos influenciar diretamente no aprendizado. Contudo, o abordado com maior relevância aqui consiste no material apresentado que nos guia para a forma de abrir o horizonte do aluno para o conhecimento a ser apreendido.

São esses materiais, que deveriam quebrar as barreiras da educação fragmentada e nos trazer a interação, novas problemáticas extraídas do âmbito real dos estudantes e professores, flexibilidade de ensino para uma educação eficaz. No entanto não é isso que é possível observar.

O que vemos, portanto, é a ausência de autonomia do professor, transformação da lógica educacional em empresarial, fortemente influenciada pelo material de ensino que deveria nutrir as práticas da educação. Com isso, é possível ponderar “se” e “como” o material didático realmente influencia no papel do professor em sala de aula. Como essa prática é vista pelos professores da área? É essa questão que busco pensar e trazer como ponto aqui.

Em uma breve pesquisa na internet sobre o sistema de ensino de algumas escolas foi possível observar a existência de “pacotes educacionais”, expressão que OLIVEIRA (2009) utiliza em seu artigo. São esses, apostilas, que trazem, mais do que o saber, a venda de uma marca, de uma padronização do ensino que tem como função “facilitar” o trabalho docente.

A utilização dessas marcas apostiláveis aponta para a influência do capital no sistema de ensino, cada vez mais racionalizado. Essa idéia de racionalização é muito bem abordada em OLIVEIRA (2009), quando este enxerga nas escolas atuais um princípio de transição de lógica. Trata-se da inserção de uma lógica empresarial, que busca ora a otimização dos lucros, ora a contenção de gastos.

Dessa forma, verifica-se uma preocupação não com a qualidade do material, mas com uma questão meramente econômica. A pergunta que fica é, será que o material didático reflete a realidade dos alunos?

Para corroborar com essa idéia, me valho novamente de OLIVEIRA (2009), que traz dados específicos da educação no Brasil. Segundo a revista exame (apud OLIVEIRA, 2009, p. 752), em 2008 o ensino privado moveu cerca de R$90 bilhões, comparado aos R$15 bilhões em 2004. Embora esse valor não ultrapasse ainda os gastos públicos em educação do país, um aumento de R$75 bilhões em 4 anos não pode passar despercebido.

O crescimento dos investimentos em educação privada pode, portanto, simbolizar a disseminação desse material comercial e da confirmação da inserção da escola na lógica mercantil. O que preocupa, no entanto, além de uma questão de qualidade e adequação do material apresentado a essas crianças, é a desprofissionalização de docentes que essa lógica desencadeia.

Isso porque, um suporte que traz uma ordem específica, prende e reduz o trabalho do professor em sala de aula podendo apenas trazer a desvalorização ainda maior de seu trabalho como profissional. Como traz OLIVEIRA (2004), “a imposição de um procedimento técnico sobre o currículo das escolas” só pode trazer a perda de autonomia, poder e autoridade dos trabalhadores do ensino, ou seja, a desqualificação desses profissionais.

Me parece que ao trabalho docente sobre uma responsabilidade maior, a necessidade de um “jogo de cintura” para introduzir sempre detalhes, discussões, atividades que nem sempre são contidos nos modelos de ensino, mas que posteriormente podem ser cobradas em exames ou provas de ingressoem universidades. Issoporque cada vez mais a escola passa pela transformação em empresa, com metas e obrigações conteúdistas. Esse contexto vai de acordo com as idéias de TARDIF E LESSARD (2005) ao afirmarem que o trabalho docente comporta uma dupla face: é um trabalho regulado e flexível.

O que OLIVEIRA (2004) nos mostra em seu texto, no entanto, é que determinados mecanismos empresariais colocados dentro da lógica educacional pode acarretar uma perda de controle do trabalhador do seu processo de trabalho, e até mesmo à alienação. Isso porque o profissional se torna cada vez mais especializado e com isso “perde a noção de integridade do processo” (OLIVEIRA, 2004, p. 1134).

Tal informação nos mostra, portanto, o quão grave pode ser a perda de autonomia do professor em sala de aula. Embora os professores na rede pública de ensino possam alterar o método, ou acrescentar pontos ao plano de ensino caso não considerem suficiente, é interessante pensar que, posteriormente, existirá uma cobrança tanto docente quanto discente em relação ao conteúdo constante nas apostilas fornecidas, através também de provas estaduais para “premiação” em bônus.

Um ponto que pode ser considerado a favor do sistema apostilado de ensino por parte de alguns professores é, sem dúvida, o tempo de jornada de trabalho. Isso porque obviamente sem um bom suporte, um livro para se trabalhar, seria necessário grande tempo de preparo das aulas, o que não é, infelizmente, a realidade atual dos professores.

O que se pondera aqui pode, portanto, fazer referência à colocação de LUDKE e BOING (2004) em relação à forma de transmissão do saber. Para esses autores, é necessária uma interação entre professor e aluno para decodificar, ler, compreender textos e situações. Dessa forma, fica evidente que um material didático que limita a atuação do professor em classe acarreta também na defasagem de ensino.

Ainda em LUDKE e BOING (2004), é possível fazer uma relação com a reestruturação do trabalho pedagógico que vêm, aos poucos, trazendo uma maior precarização do trabalho docente. Para esses autores, a ausência de autonomia, especialização e transição de lógicas pode influenciar diretamente na construção de identidade de nossos docentes.  Com isso, a noção dos profissionais da educação do que seria um sistema de ensino vai se turvando conforme são inseridas características empresariais dentro da escola.

Nesse contexto, destarte a precária condição salarial dos docentes, que também muito preocupa, a falta de identificação com o trabalho desse profissional de ensino torna a profissão cada vez menos atrativa, devido a um sistema perverso de controle e desvalorização.

O gosto pela pedagogia vai se esvaindo entre os jovens, ao que LUDKE e BOING (2004) caracterizam como o desaparecimento do tom de missão, vocação ao serviço docente. Ainda para os autores, embora o trabalho docente há muitos anos tenha se afastado de uma categoria de trabalho em si, a ocupação já esteve sim mais valorizada profissional e financeiramente. Nesse caso, a falta de profissionalização mascarada por materiais que servem de apêndices ao trabalho do professor tem legitimado a precarização de um trabalho que deveria ser valorizado em demasia.

O que entendo por isso é que, a lógica capitalista está escancarada na educação do Brasil, tanto no setor público quanto no privado. A educação reflexiva cedeu aqui lugar para um tipo de educação mecanizada voltada para os interesses do mercado, onde o tempo e o movimento tende a ser parte fundamental no controle da “produção”, e o trabalho do professor submetido a esta mesma pressão.

Em tempos de toyotismo a educação não está imune a estas influências, a racionalização do trabalho através da divisão sistemática das matérias e da padronização do material sem levar em conta a realidade dos alunos, e a internalização da cobrança identificada pela necessidade de cumprimento de metas são apenas alguns exemplos das transformações que afligem o sistema escolar interferindo diretamente no papel da escola na sociedade. Nas palavras de Santomé:

  “… a instituição escola traíra sua autentica razão de ser: preparar cidadãos e cidadãs para compreender, julgar e intervir na sua comunidade, de forma responsável, justa, solidária e democrática” (SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Cap. 1 pag. 14)

 Cumprindo o papel no sistema no qual estamos inseridos, nem se quer percebemos a sua deteriorização, de forma que muitas vezes vemos as mudanças como benefício para os alunos e no caso do material didático como diretrizes (em seu sentido mais extremo) para utilizaçãoem aula. Ocapitalismo vem assim cumprindo seu papel de neutralização dos indivíduos.

Dessa forma, como aqui ponderado, o material didático compulsivamente apostilado pode estar contribuindo na realidade para submeter o professor aos ideais do capital, desestimulando sua formação e desqualificando sua posição social, de pensador e mestre, para um mero tutor operacional.

Diante disso, fica a minha impressão sobre o sistema apostilado, método hoje utilizado por grande parte das escolas particulares e públicas. A perda de autonomia dos professores e a confirmação da precariedade de ensino não devem passar despercebidas, tampouco a transição da lógica educacional a outra cada vez mais mercadológica.

 

 

Bibliografia

 

 

ALENCAR, E. M. L. S. Criatividade. 2 ed. Brasília: Editora Da Universidade de Brasília, 1995.

BRIDI, M. A.; ARAÚJO, S. M.; MOTIM, B. L. Ensinar e Aprender Sociologia. São Paulo: Contexto, 2009.

LUDKE, Menga e BOING, Luiz Alberto. Caminhos da profissão e da profissionalidade docentes. In: Educação e Sociedade, Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1159 – 1180, Set./Dez. 2004

MARX, Karl. O Capital. Critica da economia política. Livro 1, vol. 1, capítulo I. Difel: são Paulo, 1982.

OLIVEIRA, Dalila Andrade. A reestruturação do trabalho docente: precarização e flexibilização. In: Educação e Sociedade. Campinas, vol. 25, n. 89, p, 1159-1180, Set./Dez. 2004, p. 1127-1144, Set./Dez. 2004

OLIVEIRA, Romualdo Portela. A transformação da educação em mercadoria no Brasil. In: Educação e Sociedade. Campinas, vol. 30, n. 108, p. 739-760, out. 2009

SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artmed, 1998. Capítulo 1

TARDIF, Maurice e LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis: Vozes, 2005. Cap. 6 Os fins do trabalho docente, p. 195 – 230

http://www.todospelaeducacao.org.br/

http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001894/189433e.pdf

http://www.unesco.org/new/en/education/themes/leading-the-international-agenda/efareport/reports/2010-marginalization/

Sabemos que a motivação é um dos componentes essenciais para que aconteça o aprendizado, e segundo os estudos da Psicologia, é um processo que ocorre internamente ao indivíduo e implica desejos e vontades pessoais. Sendo assim, é fundamental que os alunos, aqui em destaque os de ensino médio, encontrem razões suficientes para estudar Sociologia.

Infelizmente, o que vimos atualmente é que esse desejo não acontece na maioria das vezes de forma espontânea, mas como uma resposta à demanda de conhecimento da disciplina, necessária para a aprovação em exames vestibulares ou nos exames nacionais do ensino médio. Embora tenhamos plena consciência de que esse estímulo ainda figura como componente pouco representativo frente à importância da disciplina de Sociologia no auxílio à formação crítica individual e da consciência social dos indivíduos, reconhecemos que ainda hoje é força motriz para seu estudo.

É por isso que tentamos aqui analisar o conteúdo de sociologia apresentado no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) do ano de 2011, primeiro ano em que a disciplina aparece na prova. A partir dessa análise comparativa entre as 8 questões de sociologia do ENEM e os cadernos do Estado, é possível obter indícios para o entendimento do rumo de ensino tomado e, principalmente, sobre a coerência entre o que é ensinado e o que é exigido posteriormente nessas avaliações.

No total, foram 8 questões selecionadas e consideradas neste post como de cunho sociológico, sendo elas as de número 2, 18, 20, 21, 27, 30, 31 e 45 referentes ao caderno azul da prova.

A primeira questão que aborda conceitos da Sociologia é a de número 2, que pondera sobre o conceito de moral para cada indivíduo. Reconhecendo, portanto, que ela é vista e cumprida de diferentes formas, a ambigüidade apresentada acontece, segundo a resposta correta D, porque os padrões éticos e morais “são criados pelo homem, que concede a si mesmo a lei a qual deve se submeter”.

Embora essa seja também uma questão de interpretação, não foi encontrado nos cadernos de Sociologia do Estado um tópico específico que tratasse sobre moral e ética, contudo, no Caderno do 3º ano do Ensino Médio, Volume 1, existe um tópico que aborda “a cidadania moderna e os direitos civis”. Esse tópico traz uma pequena explicação sobre a noção de liberdade para Rousseau, onde se lê:

“Para que o homem possa viver em sociedade, sem renunciar à liberdade, ou seja, obedecendo apenas a si mesmo e permanecendo livre, é estabelecido um contrato social em que a autoridade é a expressão da vontade geral, expressão de corpo moral coletivo dos cidadãos. Desse modo, o homem adquire liberdade obedecendo às leis que prescreve para si mesmo”.

(“Tópico 2: Cidadania Moderna: Direitos Civis”. Caderno do professor, Sociologia, 3ª série, Vol 1, p. 13, 2009)

Essa é a única referência mais específica que encontramos onde poderia ter se abordado durante a aula o sentido de moral e ética para os indivíduos.

Na segunda questão, de número 18, observamos a necessidade de interpretação de texto, contudo, é abordado um assunto importante: movimentos sociais. A partir de pequeno texto introdutório, é demandado ao aluno que responda o porquê os movimentos sociais contribuem para o processo de construção democrática, sendo a resposta correta a de letra C, já que “pressionam o Estado para o atendimento das necessidades específicas populacionais”.

Embora, reforçamos, não tenha sido necessário grande conhecimento prévio para a resposta dessa questão, em decorrência do texto interpretativo, o assunto “movimentos sociais” é amplamente abordado no Caderno do 3º ano, Volume 2, no Tema 2 que tem como título “Movimentos Sociais Contemporâneos”. Contudo, a definição de movimentos sociais apenas aparece de forma muito breve no caderno do aluno, página introdutória.

A questão seguinte de sociologia, de número 20 do caderno azul do ENEM, tem como tema a tortura no Brasil. Percebemos, porém, que a questão não exigia um conhecimento aprofundado do aluno sobre a ditadura e os direitos humanos por se tratar também de uma questão de caráter interpretativo. Apesar disso, encontramos o tema presente no Caderno de sociologia do 3º ano do Ensino Médio, Volume 1, através de artigo que condena a tortura, contido na Declaração Universal dos Direitos Humanos na página 22. Outras informações também podem ser encontradas sobre a ditadura, a tortura no Brasil, a repressão de direitos, entre outros.

A resposta correta a essa questão era a de letra B, a qual afirmava que “a existência da lei não basta como garantia de justiça para as vitimas e testemunhas dos casos de tortura”.

Já na questão 21, a democracia surge como tema, sendo também uma questão interpretativa. Nela, a partir de dois pequenos textos, um sobre breve conceito de ação democrática e outro sobre o acesso a informações dos meios de comunicação pela população, pede-se para que seja escolhida uma alternativa que melhor defina o papel desses meios pela sociedade. A alternativa correta seria a de letra B, que traz como função da imprensa o fornecimento de informações que fomentem o debate político na esfera pública.

Sobre essa questão, observamos que nos cadernos de sociologia existe ampla abordagem sobre o conceito de democracia. Primeiramente, no Caderno da 3ª série do Ensino Médio, Volume 2, a democracia aparece a partir da página 32, associada à luta por direitos na esfera urbana. Sendo assim, ela se mistura aos movimentos sociais através da ação das minorias, e também pela busca do fim das desigualdades. Nesse caderno é abordado de igual forma o conceito de democracia participativa.

Ainda, no Caderno do 3º ano, Volume 3, o assunto democracia aparece de forma relevante, perpassando o livro todo, agora inserida no contraste entre as diferentes formas de governo no Estado Moderno. Sendo assim, aqui é analisado os conceitos de monarquia, república e democracia, de forma comparativa.

A questão 27 diz respeito ao efeito da televisão nas crianças, sendo estas mais suscetíveis a interiorizar padrões sociais com menor visão crítica e por isso mais vulneráveis ao conteúdo veiculado. No Caderno 1, Volume 2 há um enfoque na socialização do homem e nos seus processos, conceitos relevantes para o entendimento da questão já que dariam base para a idéia de formação do ser social.

Outro caderno que contribui para a resposta da questão é o Caderno 2, Volume 2, que aborda a cultura e define a televisão como um meio de transmissão cultural, bem como a escola e a família. O caderno ainda coloca a linguagem como forma de transmissão cultural mais importante em nossa sociedade, mostrando que cada vez mais essa transmissão se faz pelos meios de comunicação em massa.

O caderno aborda ainda a questão da cultura de massa, a apropriação que cada pessoa faz de uma mesma informação, o consumismo incentivado pela mídia, a relação entre o consumo e o jovem, entre outros. Não está clara a relação entre a televisão, as crianças e seus efeitos, porém este caderno oferece insumo para o debate e uma visão crítica da questão do Enem.

Essa questão foi criticada por muitos comentadores da prova, em decorrência da sua falta de clareza em relação à resposta. Sendo assim, duas das alternativas eram possíveis, A e C, porém a letra C foi considerada correta já que evidencia essa vulnerabilidade das crianças em relação às informações, “interiorizando padrões de comportamento e papeis sociais com menor visão crítica”.

A questão 30 se refere às formas de organização de governo. Os três tipos abordados na questão foram: Estado absolutista (poder tradicional), República (poder racional) e o Fascismo (poder carismático). O caderno que contempla esta questão é o do 3º ano do Ensino Médio, Volume 3, que trata em suas páginas a concepção tradicional de Estado e a construção histórica de sua definição, as formas de governo existentes ao longo da história, a separação e função dos poderes, sistemas partidários e eleitorais e também a organização do Estado Brasileiro.

O objetivo da questão era identificar qual seria, dentre as alternativas, um governo baseado no poder carismático, sendo a resposta correta a de letra B que fazia menção ao fascismo italiano de Benito Mussolini.

A questão 31 se refere à cultura e coloca em evidência, através de diálogo entre um índio tupinambá e um europeu, a diferença cultural e simbólica existente na humanidade. A resposta correta a essa questão era a de letra A, que mostra uma diferença entre as duas sociedades no sentido do destino dado ao produto do trabalho nos seus sistemas culturais, de acordo com o texto prévio.

O Caderno 1, Volume 3, oferece subsídio para responder a questão, já que tem por base a cultura, abordando temas sua construção histórica e social, o caráter social e culturalmente construído da humanidade, o etnocentrismo e o relativismo cultural, a idéia de cultura do ponto de vista antropológico, o papel da cultura na humanidade, a identificação de características da cultura, entre outros conceitos que proporcionariam ampla visão do tema ao aluno.

Também seria possível buscar informações complementares no Caderno 2, Volume 1 que trata de igual forma os temas ligados à cultura como a definição de Georg Simmel sobre o estrangeiro e quem é ele do ponto de vista sociológico, além de conceitos de aculturação e assimilação que poderiam contribuir para a interpretação da questão.

Na questão 45, a partir do trecho de um texto de Octávio Ianni, é colocado o tema da migração e o contraste de culturas, padrões e valores socioculturais, principalmente a partir do século XX no contexto nacional. Como resposta, é demandado ao o estudante que identifique uma das razões pelas quais esses movimentos migratórios vêm ocorrendo nas últimas décadas, e uma política migratória atual dos países desenvolvidos. A alternativa correta seria a de letra A, que postula a busca de oportunidade de trabalho como razão migratória e barreiras contra imigração como política dos países desenvolvidos.

Em relação a essa pergunta, encontramos também no Caderno 2, Volume 1, o Tópico 2 que tem como tema “O estrangeiro do ponto de vista sociológico”, abordando não apenas pontos a respeito da imigração, mas também movimentos migratórios e emigratórios, com o objetivo específico de esclarecer os motivos que levam os indivíduos a saírem de seu local de origem. Também a partir dos textos de Georg Simmel sobre a figura do estrangeiro e o preconceito ao diferente, observamos que o assunto percorre o caderno da pagina 18 a 26.

Por fim, concluímos que as questões de Sociologia do ENEM abordaram temas contidos em todos os anos do Ensino Médio e privilegiaram a interação dos conceitos existentes nos cadernos, mesmo que contidos em cadernos de anos diferentes. A prova abordou assuntos que estavam contemplados no material didático, sendo assim, o material elaborado pelo Estado de São Paulo, mesmo que com pouca ênfase em determinados conceitos, proporcionou conhecimentos mínimos para a compreensão e resolução da prova.

Adriana C. Pismel & Brunna I. C. Martelli 

A greve e as aulas

Olá pessoal,

 

Conforme e-mail já enviado pelo professor Pedro, esse post tem o intuito de discutir o encaminhamento da disciplina HZ104 frente a greve dos alunos, no que concerne a avaliação e reposição (ou não) das aulas.

 

Em sala, com a presença de poucos alunos, decidiu-se pela não alteração da data final da entrega do trabalho ou postagens, permanecendo então o dia 01 de dezembro. Em relação a reposição, faltando apenas 2 aulas para completar o programa da disciplina, a sugestão foi a de repor uma aula mais extensa, de 4 horas, em um dia a agendar.

 

Contudo, essas questões estão abertas a discussão tanto aqui, por meio de manifestações na forma de comentários no post, quanto na próxima quinta-feira presencialmente.

 

Fica então o espaço para sugestões sobre a avaliação e sequência das aulas.