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Uma das dúvidas que tenho em relação ao ensino de sociologia no ensino médio diz respeito à possibilidade de se utilizar as obras dos autores clássicos como objeto de estudo nas aulas. Isto porque claramente a idéia que se tem é de que o alto grau de dificuldade para alunos, aliado ao tempo da aula, torna isto uma tarefa nada funcional. Também receio que em uma tentativa de se tentar aproximar conceitos clássicos com situações atuais, para se exemplificar, ocorra uma deturpação das teorias. Diante disto, apresentarei aqui para discussão uma proposta de aula de sociologia (elaborada em conjunto com outros três alunos para a disciplina EL142 – Tópicos especiais em ciências sociais,) sobre o conceito de fato social de Émile Durkheim relacionado a idéia de preconceito.

Plano de Aula – Fato Social

A aula tem como objetivo elucidar o conceito de Fato Social, elaborado por Durkheim, no contexto de uma aula de sociologia no ensino médio. Tal conceito foi escolhido como tema central, por ser este o que define o objeto de estudo da sociologia e fundamental para entender a sociologia como campo científico. A partir deste conceito, se utiliza o exemplo do preconceito como um fato social, escolhido por ser um tema atual, de interesse pelos jovens e também por ser uma reflexão importante, buscando desnaturalizá-la e analisá-la como uma construção social.

A aula será dividia em três partes:

1) Apresentação e justificativa do tema: a importância do autor e do conceito de fato social, explicação do conceito.

2) Introdução do preconceito como exemplo de fato social:

Apresentação de trecho do filme Madame Satã (Karim Aïnouz-2002).

Apresentação de notícias divulgadas nos meios de comunicação relacionadas ao preconceito:
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/05/25/estudante-africana-agredida-chutes-dentro-da-universidade-federal-da-paraiba-916683575.asp
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/05/25/estudante-africana-agredida-chutes-dentro-da-universidade-federal-da-paraiba-916683575.asp
http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/05/25/estudante-africana-agredida-chutes-dentro-da-universidade-federal-da-paraiba-916683575.asp

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,educacao-ainda-e-desigual-para-negros-e-brancos,611443,0.htm

3) Discussão sobre o preconceito como fato social, pautada em algumas questões orientadoras:

a. O preconceito é uma postura individual ou coletiva?
b. O preconceito possui uma existencia própria, independente das manifestações individuais?
c. É possivel olhar o preconceito como uma coisa?
d. Se o preconceito é um fato social, é possivel superá-lo?
e. Um bebê manifestaria o preconceito?
f. O preconceito apresenta as tres características básicas que qualificam um fato social (generalidade, exterioridade e coercitividade)?

4) Como atividade para a próxima aula, será proposto aos/ás estudantes que identifiquem outros exemplos de fato social.

5) Apresentar o objeto da aula e buscar um feedback.

Bibliografia utilizada para preparação da aula:
DURKHEIM, E. Regras do método sociológico. Trad. Maria Isaura Pereira Quieroz. 6ª. Ed. São Paulo: Companhia Editora Nacioanal, 1974.
Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em gênero, orientação sexual e relações étnico-raciais. Livro de Conteúdo, versão 2009. Rio de Janeiro: CEPESC, Brasília: SPM, 2009

Devido à obrigatoriedade do ensino de sociologia no ensino médio a disciplina passou também a fazer parte do telecurso – método brasileiro de educação a distância em que aulas são exibidas por emissoras de televisão. Dito isto, achei oportuno que no blog de discussão do ensino de sociologia no ensino médio houvesse um espaço para análise do conteúdo apresentado nas tele-aulas. Isto porque apesar de não se tratar de um método de ensino formal, não deixa de ser uma maneira pela qual a sociologia vem sendo transmitida. Desta forma disponibilizo aqui as aulas que encontrei:
Aula 1 – “Estudando e entendendo a sociedade”

Aula 2 – “Cultura: todo mundo tem uma”

Aula 3 – “Cidadania: O que eu tenho a ver com isso”

Aula 4 – “Desigualdades: Descobrindo e convivendo com elas”

Aula 5 – “Globalização: o mundo encolheu”

Acredito que tal material propicia várias possibilidades de reflexão. No entanto, a princípio, o que mais me chamou atenção está ligado com a discussão que fizemos em algumas aulas a cerca do papel da sociologia e da idéia de que os professores desta disciplina possivelmente possuem alguns privilégios tácitos. Quando se assite as aulas 3 e 4, por exemplo, creio que fica a nítida impressão de que o objetivo da sociologia passa pela idéia de transformar a sociedade. Isto porque, são feitas afirmações que apresentam aos alunos (ou telespectadores) o dever de procurar: “acabar com a desigualdade”, “agir politicamente”, ”cumprir o papel como cidadão”. Tal abordagem, ao me ver, corrobora com uma idéia do professor de sociologia como alguém emancipador, além disto, também, acaba por contribuir para imagem de que a sociologia não possui um caráter cientifico. Posto isto, me parece que tal forma de abordagem vai ao encontro do que chamávamos de senso comum sociológico em nossas discussões.
De qualquer forma, isto foi apenas uma análise sobre um aspecto das tele-aulas que considerei pertinente comentar, sendo que a idéia do post não é simplesmente focar nisto, mas sim possibilitar uma discussão a respeito desta forma de ensino de sociologia.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1446/11, do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que estabelece a competência exclusiva para o ensino da Sociologia aos licenciados em Sociologia, Sociologia Política ou Ciências Sociais. A proposta altera a Lei 6.888/80, que dispõe sobre a profissão de sociólogo.

Segundo o autor do projeto, como a lei não previu exclusividade para o sociólogo no ensino da disciplina, outros profissionais tem tomado esse espaço tanto no ensino médio como no superior.

“Por possuir uma formação mínima de quatro anos dedicados às Ciências Sociais, o professor mais adequado para o ensino da Sociologia não pode ser outro senão o próprio sociólogo”, afirmou Alencar. De acordo com ele, a proposta quer assegurar a qualidade das disciplinas de Sociologia.

Tramitação
A proposta será analisada conclusivamente pelas comissões de Educação e Cultura; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.

Projeto de Lei de igual teor (4781/09) do ex-deputado Mario Heringer, tramitou apensado ao Projeto de Lei 4780/09. Ambos foram aprovados pela Comissão de Educação e Cultura antes de serem arquivados ao final da legislatura.

Íntegra da proposta:

Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/204947-PROPOSTA-ESTABELECE-COMPETENCIA-EXCLUSIVA-PARA-ENSINAR-SOCIOLOGIA.html

 

Na linha de sugestões de atividades e temas a serem trabalhados em sala de aula pelo professor de sociologia, apresento a proposta de exibição do filme “Machuca”.
Lançado em 2004, com direção de Andrés Wood o filme nos traz a história de dois garotos, sendo um deles originário da classe média – alta, e o outro, um menino pobre, que passam a se relacionar em um tradicional colégio do Chile onde o primeiro estudava e o segundo chegou graças a uma política de concessão de bolsas a pessoas de baixa renda. Tudo isto tendo como plano de fundo a situação política do país que no momento tinha um governo socialista. Através deste contexto, o filme nos possibilita pensar questões sobre a relação entre educação e igualdade social.
A ação de oferecer bolsas a meninos de baixa renda claramente mostra-se ser uma política compensatória, ou seja, o padre, que possuía poder de gestão da escola, seguindo as suas convicções, tentou possibilitar a estas pessoas o componente que teoricamente lhes faltavam para uma melhora de vida, a educação. Desta maneira, passa a idéia de poder da educação em promover a transformação social. Porém, o que fica evidenciado, é o fato de que a escola ser gratuita não se traduz na realidade de que os que fazem parte dela partilharem de condições de igualdade.
Apesar de a política de concessão de bolsas não ter sido uma ação do Estado efetivamente, certamente ela foi influenciada pelo momento político do país e pelo governo socialista de Salvador Allende.
A relação entre os dois personagens principais que passou por momentos de grande proximidade esbarrou na origem distinta dos dois, ou seja, o fato deles viverem em realidades completamente antagônicas. Assim se nota que a escola por si só não conseguiu dar fim a esta distncia que existia entre o modo de vida de cada um.
Seguindo esta mesma linha de raciocínio, analisando o convívio entre os meninos caímos inevitavelmente em questões de classes social e sua relação com a educação. Deste modo observamos que a escola retratada no filme, apesar da sua “boa” intenção, digamos assim, de possibilitar ensino as pessoas de classe baixa, fracassa na sua tentativa de ser um ambiente neutro, pois acaba sendo mais uma ferramenta que reproduz as posições sociais daqueles que a freqüentam.
Também fica evidente no filme que a legitimação das desigualdades sociais e econômicas, faz com que estas, pela relação dentro da instituição, sejam transformadas em desigualdades escolares. Visto a clara dificuldade que os meninos que ali estavam graças as bolsa tinham na aula retratada, e que fica mais visível ainda na entrega das notas.
Por fim, podemos constatar que o fato dos dois personagens principais terem de certa forma uma consciência de classe, sendo um conservador e o outro progressista, interferiu não apenas na relação entre os dois, mas sim refletiu em toda relação entre os membros da escola.
Tendo em vista esta análise do filme, considero que a exibição do mesmo possibilita a entrada em discussões como a de estratos sociais, políticas de governo, e mesmo acerca da própria educação. Além disto, o filme se passa em um importante momento da história do Chile, fato que poderia possibilitar um trabalho em conjunto com a disciplina de história, tendo em vista que uma dificuldade encontrada para a realização desta atividade seria o tempo de duração do filme ser maior que o de uma aula.

O sociólogo Amaury Cesar Moraes fala sobre as mudanças em curso relacionadas tanto ao ensino de Sociologia no ensino médio como às transformações desse nível de ensino no país.
por Lejeune Mato Grosso de Carvalho

http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/37/artigo239013-2.asp

Durante as aulas do estágio supervisionado é notória a recorrência em que a discussão passa pela questão de qual conteúdo deve ser trabalhado por um professor de sociologia. O mesmo ocorre nos posts deste blog onde encontramos reflexões a cerca do tema, bem como sugestões do que e como deve ser abordado na sala de aula. Tendo isto em mente, encontrei uma coluna do Portal IG, em que seu autor, apresentado como um educador que analisa o Enem, os vestibulares e o ensino brasileiro, disserta sobre quais serão os temas da Prova de Humanas do exame nacional de ensino médio. De acordo com o colunista, a prova abordará os seguintes temas: cultura e Identidade, fronteiras e conflitos sociais, e, por último, Estado e Direito. Achei pertinente fazer referência ao assunto no blog, pois creio que o tema possibilita uma reflexão a respeito de qual o papel as aulas de sociologia poderiam ocupar na formação dos alunos que realizarão o exame.

As colunas podem ser lidas na íntegra nos seguintes links:

http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/estado-e-direito-sao-tema-da-prova-de-humanas-no-enem/c1597262563844.html

http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/prova-de-humanas-no-enem-cobra-fronteiras-e-conflitos-sociais/c1597244726589.html

http://ultimosegundo.ig.com.br/colunistas/mateusprado/cultura-e-identidade-na-prova-de-humanas-do-enem/c1597202700201.html