Author Archive for: Fernando Xavier

    O Caderno trabalhado no segundo bimestre da segunda série do Ensino Médio almeja desnaturalizar os conceitos consumismo e consumo diferenciando-os através de uma reflexão sobre as diferenças entre as necessidades inerentes à sobrevivência humana e aquelas construídas socialmente ou pelo mercado apenas para manter a circulação de capitais, em outras palavras, para gerar mais lucro do que seria possível se todos consumissem somente o necessário.

     Esta apostila também aborda novamente o conceito de cultura e através dele reflete sobre o conceito de comunicação de massa, questionando se existe de fato uma cultura de massa e quais os limites da sua influencia. A articulação entre os conceitos (cultura, comunicação de massa, consumo, consumismo e identidade) objetiva que o aluno do ensino médio reflita sobre o seu próprio modo de vida, além do estilo de vida dos seus amigos, familiares e da sociedade em geral. Os autores não utilizam somente uma concepção de cada conceito, apresentam os conflitos entre diferentes concepções e logo em seguida apresentam uma considerada provisória para se entender as questões que são propostas. O primeiro passo que os autores tomam é caracterizar a cultura como um conjunto de padrões socialmente transmitidos pela linguagem e a partir daí esperam que os alunos reflitam sobre o seu meio(escola, casa, espaços de convivência em geral) para identificar os mecanismos de transmissão cultural que temos em nossa sociedade. Dão ênfase aos meios de comunicação de massa, e essa atitude é explicável pelo fato das outras instituições transmissoras de cultura, como a família, o Estado e a religião já terem sido abordadas em outros cadernos. Em seguida os autores discutem sobre a definição de consumismo de massa. O que é a massa? Eles afirmam que não há um consenso entre os sociólogos acerca da definição desse conceito. Mas que por outro lado não é mais considerada plausível a idéia de que não podemos dividir o conceito Cultura entre Cultura de massa e Cultura erudita, posto que há uma heterogeneidade de manifestações culturais. Os valores e símbolos propagados pelos meios de comunicação são reinterpretados pelos consumidores dessas informações e adaptados para seu contexto cultural. O texto foi bem trabalhado, pois os autores visaram sempre fazer com que o aluno reflita sobre o seu próprio modo de vida. Por isso trabalham desde o começo com dicotomias nessa seqüência: cultura e cultura de massa, consumo e consumismo, jovens e cultura e jovens e consumo. Através das atividades propostas tentam aplicar esses conceitos à realidade mais próxima dos alunos, ou seja, buscam fazer com que os educandos apliquem esses conceitos no seu cotidiano através do estranhamento do mundo propiciado por pesquisas feitas pelos próprios alunos.

      Mas o currículo não é neutro. Atende às necessidades sócio-contextuais. Obedece sempre a orientações teóricas e em decorrência disso segue orientações políticas. Mas quais seriam as posições teóricas nesse caderno?

      É interessante constatar que em nenhum momento os autores utilizam o conceito de trabalho marxiano, ou seja, a mediação da consciência transformadora entre o homem e a natureza para definir o conceito de cultura. Criticam Theodor Adorno, o qual considerou em sua obra a indústria cultural como um fator preponderante na aquisição de valores, crenças e modos de vidas por parte das massas, ao afirmarem em outras palavras que a cultura de massa é apenas um modo de manifestação cultural sendo compartilhado e adaptado por todos os outros códigos simbólicos.

      O estudo etnográfico de antropólogos contemporâneos é muito utilizado, além da obra de Zygmunt Bauman, que pode ser considerado um autor pós-moderno na medida em que se utiliza de uma metodologia com outros conceitos preponderantes além do clássico paradigma do trabalho na análise na sociedade contemporânea. Para o autor a sociedade contemporânea é demasiado complexa e as teorias, os valores, as crenças são construídas e reconstruídas com uma velocidade maior do que acontecia no passado próximo.

    Seria um equivoco pensarmos que o cabedal teórico dos autores não influenciaram na elaboração desse material. Nesse sentido é possível entender a posição teórica refletida nesse caderno como um ponto de vista onde a linguagem é o fator principal de transmissão da cultura, onde a cultura de massa não é o principal fator estruturante da cultura dos grupos sociais, onde os produtos do consumismo não são homogêneos por serem adaptados e transformados constantemente pelos indivíduos, mas que embora afetem a vida em sociedade por suscitarem uma contradição, a qual se revela no fato de que a sociedade contemporânea convive com a abundancia de mercadorias supérflua ao mesmo tempo em que muitas pessoas não têm o básico necessário para a sobrevivência.

    Os conceitos utilizados são insuficientes para explicar assuntos tão complexos como os tratados. Seria preciso uma maior articulação com os tema dos  outros cadernos e com outros autores, pois uma pluralidade de pontos de vista não confundiria os alunos mas pelo contrário lhes mostraria o quanto a realidade é complexa e pode ser vista de diferentes ângulos.

     Fernando Xavier Silva   083545

     Dennis  Lucas Gonçalves             072983

    Ministramos essa aula  em março de 2010 em um curso pré-vestibular popular no Parque Oziel. Procuramos demonstrar o conceito de mais-valia a partir de uma aula dinâmica e com extensa participação dos alunos. Falamos nas aulas anteriores da forma como o declínio do feudalismo e o renascimento urbano-comercial fizeram  surgir uma nova classe social, a burguesia mercantil.  Tratamos também da forma como a acumulação de capital desembocaria na Revolução Industrial e como se dariam as novas relações de produção. Resolvemos então tratar nessa aula sobre o conceito de mais-valia.

      Simulamos a construção de um fábrica de camisetas, onde eu seria o gerente de produção e o outro professor  o dono da fabrica.  Os alunos seriam os operários. Perguntamos quanto eles queriam receber em salário. Acertamos os mesmos, o custo da matéria prima, os custos do transporte, o custo de vida do dono da fabrica, etc. Enfim fizemos um cálculo mais ou menos aproximado de tudo que seria gasto na manutenção da fábrica baseados em dados reais, pois uma aluna é costureira há muitos anos. Pronto, com os cálculos feitos e os salários e condições de trabalho combinadas, começamos a trabalhar. Cada aluno retirou várias folhas do seu caderno e as dobraram várias vezes até obter partes de aproximadamente 5 centímetros. Feitas essas dobras os alunos as recortaram. Cada pedaço representaria uma camiseta. Sempre baseados em dados reais, daríamos um prêmio para quem produzisse mais. Um prêmio em dinheiro estabelecido antes do inicio do trabalho. Após vinte minutos paramos a produção. Lembro ainda que eu a fiscalizei o tempo inteiro, chamando a atenção diante de algum erro. Feito tudo isso, contamos quantas camisetas foram produzidas, e verificamos quem ganhou o prêmio. Lembramos do preço de mercado de cada camiseta e calculamos o montante total do lucro  do dono da fábrica, que mesmo pagando viagens aos exterior para seus filhos, faculdades caríssimas, carros , etc, ainda obtinha um lucro suficiente para continuar aumentando a produção e as vendas.

       Os alunos entenderam o conceito e  como se dá a exploração do trabalho pois fizeram muitas relações com suas experiências de trabalho, já que todos são assalariados. Surgiram perguntas, o que é sempre muito bom.

      Essa experiência ilustra a possibilidade dos alunos interagirem com a aula, participando de forma satisfatória da produção de conhecimento.

João de Almeida Rego Campinho RA 061690

Fernando Xavier Silva                            RA 083545

AULA 4: A ATUAL FORMA DO ESTADO BRASILEIRO

-Fazer uma breve reconstituição do que vimos nas aulas anteriores:

a) conceito de Estado e suas características

b) Formas e sistemas de governo

c) Formação do Estado Brasileiro

Hoje falaremos sobre as características atuais do Estado brasileiro. A proposta da aula de hoje é entender criticamente como funciona o Estado brasileiro.

Características da constituição de 1988:

Vimos na aula passada que em meio a um contexto de aumento das lutas populares, greves e mobilizações, em 1986 foram eleitos os deputados e senadores que compuseram a Assembléia Nacional Constituinte, ou seja, estes deputados além dos trabalhos normais de legislação tinham a tarefa de elaborar e aprovar uma nova constituição para o país. É importante, lembrar, como vimos, que além dos deputados e senadores eleitos havia na Assembléia Nacional Constituinte os senadores ´biônicos´, ou seja, senadores nomeados durante a Ditadura Militar e que ainda não tinham terminado o mandato.

Como vimos, a constituição de 88 estabeleceu a eleição direta para presidente.

Agora veremos as características principais do Estado brasileiro, estabelecidas na Constituição de 1988 e presentes atualmente: Quais são as características atuais do Estado brasileiro?

– Características gerais: Estado capitalista, democrático, presidencialista, federalista, bicameral.

A separação do poder do Estado no Brasil:

 

1)      Executivo: 

Presidente, vice-presidente, ministros. O Executivo no Brasil centraliza a maior parte do poder do Estado e possui o controle da maior parte do orçamento público.

O presidente fixa a política dos ministérios e possui grande participação nas propostas de leis aprovadas no Legislativo. Ele também pode encaminhar projetos de lei, estabelecer medidas provisórias que passam a vigorar como lei assim que são emitidas e somente deixam de vigorar se o Legislativo não aprová-las.

E, além disso tudo, o presidente possui direito exclusivo de apresentar propostas de leis em alguns temas: orçamentário, tributárias e referentes à organização administrativa. Quanto ao orçamento além de somente o Executivo poder apresentar a proposta de gastos orçamentários anuais, o Legislativo não pode fazer emendas que signifiquem o aumento dos gastos. Por fim, o presidente também pode solicitar urgência na apreciação de projetos de lei por ele apresentados no Legislativo. Neste caso, o projeto deve ser discutido em cada uma das Casas Legislativas (Câmara e Senado) no prazo máximo de 45 dias.

O presidente nomeia também os membros dos tribunais federais, o que veremos a seguir. É o grande comandantes das Forças Armadas e da Polícia Federal

Questões para debate

Podemos ver, portanto, a grande concentração de poder no Executivo brasileiro.

Quais são as conseqüências disso?

Pensando a história da formação do Estado brasileiro, porque o Executivo tem essas características do nosso país?

Legislativo: 

O legislativo como sabemos, aprova as leis e fiscaliza através das CPI – os poderes Executivo e Judiciário. Além disso, aprova o orçamento da República.

Congresso Nacional: Câmara + Senado.

Câmara dos deputados (“Casa do Povo, “Câmara Baixa”): 513 deputados.

Os deputados são eleitos por um mandato de 4 anos e cada Estado possui um número de deputados proporcional à população do Estado. O deputados são eleitos por critérios proporcionais ao número de votos da coligação partidária. Porém, essa proporcionalidade é limitada, pois é estabelecido um número máximo e mínimo para cada estado do país. O número máximo são 70 deputados e número mínimo são 8 deputados (Esse dispositivo foi estabelecido durante a Ditadura Militar nos chamados “Pacotes de Abril”e foi incorporado pela constituição de 88). Isso faz com que São Paulo, o estado mais populoso, tenha 70 deputados quanto proporcionalmente deveria ter 111 e Roraima e Amapá possuem 8 cada um, quando deveriam ter 1 e 2, respectivamente.

Senado (“Casa dos Estados”, “Câmara Alta”): 81 senadores. Os senadores são eleitos para um mandato de 8 anos. A eleição dos senadores é majoritária, vence aqueles que possuem mais voto. O Senado não segue uma proporcionalidade ao número de habitantes do estado, pois são eleitos somente três senadores por estado. A função proposta para esta Casa é a representação dos Estados.

Vimos na aula anterior que o Senado surgiu no Império, como o Estado não se organizava de maneira federativa, a presença do Senado era justificada pela necessidade de uma Casa mais conservadora e supostamente representante dos interesses gerais.

Tanto a Câmara quanto o Senado podem propor projetos de lei. Assim que o projeto é aprovado na Casa que o apresentou, ele é enviado para a outra Casa para receber emendas e aprová-lo ou não. Se aprovado, o projeto deve retornar à casa de origem para sua confirmação ou não. A Casa de origem pode aprovar o projeto, sem as emendas da outra Casa. Os projetos presidenciais são apreciados primeiramente na Câmara dos Deputados. Porém, a constituição de 88 permite que alguns projetos de lei sejam discutidos por uma sessão conjunta do Congresso Nacional, tanto as Medidas Provisórias quanto o projeto de lei orçamentária são discutidos em sessões conjuntas da Câmara e do Senado.

Podemos ver como a presença de duas casas atrasa o processo de legislação. Além disso, o Senado, por não possuir proporcionalidade, é historicamente mais conservador que a Câmara.

No Brasil, senadores das regiões Norte e Centro-Oeste que corresponde a 13% da população juntos corresponde a 51% dos votos no Senado e podem, portanto, barrar a aprovação de uma lei, mesmo que esta esteja apoiada por todos os outros senadores, que representam 87% da população.

Questões para debate:

Na eleição de deputados e senadores o peso do voto de cada eleitor é o mesmo? Quais são os aspectos positivos e negativos da presença do Senado e da ausência da completa proporcionalidade para eleição de deputados e senadores?

Os aspectos negativos e positivos da preponderância do executivo sobre o legislativo no sistema de governo brasileiro?

Quais são as possíveis soluções para as distorções presentes no Legislativo brasileiro?

1)      Judiciário:

O Judiciário decide as questões relacionadas à aplicação da lei e estabelece a pena daqueles que infringem as leis. Os membros do Judiciário não são eleitos, são nomeados pelos governadores (no caso dos tribunais estaduais) e pelo presidente (no caso dos tribunais federais), após serem aprovados em concurso público.

Composição do Judiciário: Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Superior Tribunal Militar (STM), Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais Regionais Eleitorais e 27 Tribunais de Justiça, sediados nas capitais estaduais e no Distrito Federal (Brasília).

Outro importante órgão da justiça é o Ministério Público (MP), formado por promotores públicos, ou seja, fiscais do cumprimento da lei. Os promotores públicos têm a função de: processar criminalmente aqueles que infringem a lei, de defender direitos de coletividades, etc.

Questões para debate:

Quais são os aspectos negativos e positivos da nomeação dos membros dos tribunais de justiça?

Última questão: conhecendo as características do Estado brasileiro, estabelecidas na constituição de 88, o que se alterou e o que permaneceu na forma e no sistema de governo brasileiro?

 

Dinâmica proposta para a próxima aula:

Formação de três grupos representando o:

1)      Legislativo

2)      Judiciário

3)      Executivo

Situações para simulação: definição das características da propriedade improdutiva da terra e regulamentação do trabalho doméstico.

 

Bibliografia consultada

BOBBIO, Noberto. Estado. In: Enciclopédia Einaudi, vol. 14. Lisboa, 1989, p. 215-231; 258-266.

CARVALHOJosé Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002

DE CICCO, C. e GONZAGA, A. de A. Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008.

HENFIL. Diretas Já. Rio de Janeiro: Editora Record, 1984.

SADER, Emir. Estado e política em Marx. São Paulo, s/d.

SAMPAIO, Plínio Arruda. Por que participar da política? São Paulo: Editora Sarandi, 2010.


        Procurando responder à pergunta acima Michael Yong afirma que há uma ligação entre as expectativas “emancipatórias associadas à expansão da escolaridade e à oportunidade que as escola dá aos alunos de adquirir o conhecimento poderoso” (YONG, 2007). Este conhecimento poderoso, para o autor, é o que permite aos educandos mobilidade social, ou seja, a escola teria a finalidade de  transmitir esse conhecimento. Serviria dessa forma como uma porta para os  alunos em direção ao mercado de trabalho, para a universidade, etc. O autor utiliza então a teoria de Basil Bernstein para diferenciar dois tipos de conhecimento, um que se aprende fora da escola, no circulo familiar, com os amigos, etc, e outro que somente a escola pode fornecer, que é generalizável, um conjunto de códigos compartilhados socialmente:

A estrutura do conhecimento local é planejada para relacionar-se com o particular e não pode fornecer a base para quaisquer princípios generalizáveis. Fornecer acesso a tais princípios é uma das principais razões pelas quais todos os países têm escolas.(YONG, 2007.pp.25)

       Esta conclusão de Young diferencia-se substancialmente da que Pierre Bourdieu faz ao analisar o sistema escolar francês, pois o ele considera que a escola aprofunda a desigualdade das condições de acesso à cultura considerada nobre pela sociedade, pois as famílias mais favorecidas obtêm mais capital cultural legitimado pela sociedade antes mesmo de escolarizarem suas crianças. Bourdieu afirma que a reprodução das desigualdades sociais através de um mecanismo primordialmente cultural, através do Habitus[1], legitima e perpetua a divisão social do trabalho na sociedade (escola para pobres; pobres nos trabalhos para pobres)[2]. Para Yong, o sistema escolar permite o conhecimento que serve de ferramenta para o indivíduo adquirir direitos, ser cidadão, etc. Para este autor é preciso melhorar as formas de avaliação, adaptar os currículos escolares de forma que os campos de saber permaneçam tão distantes uns dos outros, que haja uma clara separação entre o conhecimento poderoso e o do cotidiano, pois o autor contraria as teorias pedagógicas que buscam uma integração do cotidiano dos alunos com o conhecimento escolar:

Para crianças de lares desfavorecidos, a participação ativa na escola pode ser a única oportunidade de adquirirem conhecimento poderoso e serem capazes de caminhar, ao menos intelectualmente, para além de suas circunstâncias locais e particulares.

        Em suma, Bourdieu e Young dão duas respostas diferentes à pergunta: para que servem as escolas?

        O sistema escolar é fechado, sem qualquer chance de mudança, uma máquina que fabrica pessoas de um determinado tipo? Perpetua a desigualdade ou pode ser o fim dela? O conhecimento “transmitido” pode ser aproveitado como conhecimento poderoso?

     Afirmar que a escola é um meio de ascensão social que pode ser melhorado até atingir o seu optimum sem considerar o sistema escolar como entrave para a igualdade de condições de acesso ao conhecimento legitimado socialmente(como Bourdieu), entrave que pode ser encontrado nas próprias constituições brasileiras como bem demonstrou Alfredo Bosi[3] é um equívoco.

      Bosi afirma que as constituições brasileiras demonstram que os governos brasileiros desde a República Velha atenderam  ao jogo das classes dominantes, ou seja, em cada fase sócio-econômica atendiam à interesses seletivos ao invés de coletivos. Assim não é difícil entender porque as três primeiras constituições do Brasil republicano não estipularam o acesso à escola pública e à universidade pública e gratuita como dever do Estado, pois nessa fase histórica o sistema econômico agro-exportador necessitava apenas de mão de obra barata nas lavouras e nas escassas indústrias, e por isso pouca qualificação, Com o crescimento da indústria e com o governo populista de Getúlio Vargas houve uma reviravolta neste aspecto, pois a escola passa a ser gratuita e universal, o que é desfeito durante o governo militar, na constituição de 1967,  a partir da qual o governo deixaria de prever recursos para o sistema de ensino público, já que  o Brasil abriu as portas para as multinacionais e transnacionais aplicarem seus investimentos, inclusive na educação[4]. Do mesmo modo a Lei de Diretrizes e Bases para a educação de 1994, em perfeita sintonia com o desenvolvimento do neoliberalismo no Brasil, previu fomento por parte do governo de recursos às instituições de ensino particulares. Houve então um crescimento exorbitante de universidades privadas, ensino médio e fundamental ao alcance de quem pode pagar. O próprio governo financia o ensino superior privado diretamente através do Fies por exemplo (Fundo de investimento ao ensino superior) ao mesmo tempo que diminui os recursos para a educação pública[5].

        É nesse sentido que a resposta à pergunta inicial( para que servem as escolas?) pode estar muito além dos limites da própria escola. Os documentos oficiais podem transparecer as intenções de quem a organiza e a idealiza.

       Buscar o conhecimento do grau  de eficácia dos objetivos do sistema escolar brasileiro através de seus resultados objetivos, como por exemplo, o ingresso de estudantes de escolas públicas nas universidades públicas, as profissões que os ex-alunos dessas instituições se encontram depois de terminar o ensino médio, não deixaria transparente a finalidade da escola. É possível citar pesquisas exemplares como a que a Comissão Permanente para o Vestibular da Universidade Estadual de Campinas fez em 2007, concluindo que houve um rendimento mais elevado dos alunos oriundos de escolas públicas dos que os que vieram de escolas particulares.[6] E outra que aponta um maior rendimento desses alunos de escolas públicas nas universidades federais[7].   Ou uma pesquisa feita por mim em uma escola pública com 15 alunos do ensino fundamental, que indicou que os alunos vêem a escola como um meio de “melhorar de vida”, “fazer faculdade”, nas palavras deles: “a escola vai fazer a gente ter uma vida digna”, “a escola é um meio de se conseguir empregos “bons” e ingressar em universidades “boas”[8]. Os programas federais de cotas raciais, ou as pontuações adquiridas por estudantes carentes expressos em programas como PAAIS da Unicamp também seriam outros exemplos de uma melhoria relativa.

         Estas pesquisas, e estes programas há de se dizer, apontam uma melhoria relativa, mas o grosso da população desfavorecida não tem acesso ao conhecimento socialmente legitimado como poderoso, ao capital cultural que permite uma mair igualdade de condições de acesso aos bens públicos(incluindo os direitos civis, sociais e políticos). Ao mesmo tempo que indicam a finalidade da escola atrelada ao mercado, ou mesmo à racionalidade econômica. O aprender a aprender, o conhecimento pelo conhecimento então estariam distantes dessa concepção.

        Esses resultados escondem o discurso que fomenta os currículos escolares. Nesse sentido convêm analisar o currículo escolar, para  verificarmos o discurso das intenções dos formuladores de diretrizes e currículos para a educação pública.

AS INTENÇÕES EXPRESSAS NO CURRÍCULO DE SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO

         As Orientações Curriculares Nacionais (OCNs)[9] e os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio(PCNs), são referenciais teóricos que os professores podem seguir ou não, pois não há punição prevista em lei àqueles que não seguem estes parâmetros e orientações:

As OCNs referem-se à

Sociologia, como espaço de realização das Ciências Sociais na escola média, pode oferecer ao aluno, além de informações próprias do campo dessas ciências, resultados das pesquisas as mais diversas, que acabam modificando as concepções de mundo, a economia, a sociedade e o outro, isto é, o diferente – de outra cultura, “tribo”, país, etc(PCNs, pp.12)

      O texto exalta a busca pelo desenvolvimento do senso critico nos alunos, afirmando que a desnaturalização do mundo cotidiano pode lhes dar consciência de sua própria identidade, que eles ao conhecerem as instituições sociais podem abarcar outras concepções de mundo.

    Nos PCNS(2000)[10] aparece seis vezes o termo mercado de trabalho, e numa dessas aparições:

A concepção da preparação para o trabalho, que fundamenta o Artigo 35, aponta para a superação da dualidade do Ensino Médio: essa preparação será básica, ou seja, aquela que deve ser base para a formação de todos e para todos os tipos de trabalho. Por ser básica, terá como referência as mudanças nas demandas do mercado de trabalho, daí a importância da capacidade de continuar aprendendo; não se destina apenas àqueles que já estão no mercado de trabalho ou que nele ingressarão em curto prazo; nem será preparação para o exercício de profissões específicas ou para a ocupação de postos de trabalho determinados.

      Alice Casimiro Lopes afirma que estes parâmetros têm como objetivo dar ênfase à  inserção no mercado de trabalho e não desenvolver o senso critico.     Embora reconhecendo que muitos professores não lerão estes parâmetros como um guia obrigatório e praticarão às vezes o oposto, a autora reconhece a importância deste documento por ser oficial e por difundir “mecanismos simbólicos e materiais”.(LOPES, 2009)

      Por outro lado, esperar das escolas, que estão inseridas numa sociedade do trabalho (em que até as relações que envolvem afeto e carinho são mercantilizadas), conteúdos e forma de lecionar desinteressados, o conhecimento pelo conhecimento, de forma a possibilitar aos alunos maneiras de vislumbrar o mundo de formas diferentes é esperar talvez que elas mudem completamente, dada a situação do sistema escolar brasileiro, que apesar de incorporar a maioria dos indivíduos em idade escolar apresenta uma qualidade discutível.[11]

     As propostas dos Parâmetros Curriculares e das Orientações Curriculares são diferentes na forma do discurso, mas ambas procuram ligar o mercado de trabalho e a formação do homem:

Entendida a preparação para o trabalho no contexto da Educação Básica, da qual o Ensino Médio passa a fazer parte inseparável, o Artigo 36 prevê a possibilidade de sua articulação com cursos ou programas diretamente vinculados à preparação para o exercício de uma profissão. (PCNs).

E ainda:

Embora se trate de uma idéia vaga, o aprimoramento como pessoa humana indica a intenção de uma formação que não corresponda apenas à necessidade técnica voltada a atender a interesses imediatos, como por exemplo, do mercado de trabalho. Tratar-se-ia antes de um tipo de formação que inclua a constituição do sujeito como produto de um processo, e esse processo como um instrumento para o aprimoramento do jovem aluno….O acesso às ciências e às artes deve ser entendido nesse projeto: a escolha pelo homem de ser mais humano.(OCNs)

       Para Jean-Claude Forquin o currículo escolar “se insere na esfera dos saberes públicos dotados de generalidade”(FORQUIN, 2000, pp.23). Ou seja, os currículos têm como finalidade comunicar saberes que estão fora da esfera do cotidiano, são conhecimentos específicos que somente são “adquiridos” na escola, apesar dele reconhecer que há que se considerar a diversidade cultural, as especificidades de cada região ou grupos étnicos reunidos numa mesma escola, o ensino deve veicular a riqueza do conhecimento humano generalizável e acima das particularidades. No entanto, Forquin não aponta com quais critérios estes saberes são construídos. Por quem foram construídos os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio e as Orientações Curriculares para Sociologia? Que atores sociais com visões diferentes tiveram o poder de dar finalidades para a escola e o ensino de Sociologia?

      A verificação do que deve ou não ser ensinado é uma construção alheia á qualquer especificidade regional, cultural, e está integrada à homogeneização de interesses.

….

       O conhecimento “transmitido” pela escola dessa forma está vinculado ao papel que espera-se dos indivíduos na sociedade, mas essa sociedade é dinâmica e está inserida no contexto socioeconômico e mundial da globalização, do desenvolvimento da tecnologia, substituindo mão de obra humana por máquinas, do neoliberalismo, e com o trabalho agora flexibilizado, terceirizado, com perda da efetividade da maioria dos direitos conquistados durante todo o século XX com a luta dos trabalhadores em todo mundo. Os debates sobre a forma dos currículos têm abrangência global, porque enfim a escola atingiu o status de instituição comum à grande maioria dos países, dada sua importância na socialização das pessoas.

     A intenção de universalização dos currículos teria o objetivo de homogeneizar as intenções das escolas num sistema econômico já compartilhado pela maior parte dos países do Ocidente? O relativismo dos currículos, e sua atenção às particularidades de cada região, de cada etnia, religião, etc, por outro lado tenderia à permanência da separação entres esses grupos sociais? Compartilho nesse ponto a idéia de Candau de que é preciso haver uma dialética entre o “universalismo e o relativismo, entre igualdade e diferença”.

CONCLUSÕES

     Antonio Gramsci apontou a separação entre a teoria e a prática como causa da desigualdade cada vez maior entre as classes sociais. Propôs a escola unitária. E este horizonte ainda está distante, pois, como não apontar a necessidade do capital de mão de obra manual subregulada através dos subempregos e seu preenchimento com escolas técnicas para pobres, escolas públicas para pobres? E universidades com vestibulares inacessíveis para esses educandos que através da progressão continuada chegam até o terceiro ano do ensino médio ainda necessitando de cursinhos pré-vestibulares para quem sabe ingressar nos programas do governo de fomento à inclusão no ensino superior privado? Programas estes que nada mais são do que atestados da ineficácia do ensino público.

        Para uma mudança completa do ensino público é muito importante ter um referencial utópico, como a escola unitária de Gramsci. Almejar normativamente uma outra escola é consequentemente desejar outro tipo de sociedade, não mais pautada pela racionalidade econômica. Considero que há uma guerra de posições em torno da escola,  e portanto é preciso que a esquerda  brasileira inclua uma profunda reforma escolar nos seus programas. As escolas não-formais são muito importantes nesse sentido, pois trazem experiências que podem ser reproduzidas pelo governo do Estado, como aconteceu com a escola da Ponte. [12]

     A união entre os movimentos sociais também é um fator importante na cobrança dos deveres do Governo, como acontece com os cursinhos populares de todo Brasil que reivindicam o ingresso de estudantes de escolas públicas nas principais universidades, ou como o movimento negro que após anos de luta conseguiu que fosse realizada sua demanda de dezesseis anos, a implantação do ensino de história da áfrica no ensino público.

BIBLIOGRAFIA

Alfredo Bosi- A educação e a cultura nas constituições brasileiras, In Cultura Brasileira: Temas e situações.Ática. S.Paulo.1992(T.2)

Bourdieu, P. Escritos de Educação. Educação & Sociedade, ano XXI, no 73, Dezembro/00

Candau, V.M. O currículo entre o relativismo e o universalismo:Dialogandocom Jean-

Claude Forquin. Políticas curriculares e discussões epistemológicas. Revista Educação e Sociedade, CEDES, N.73, 2000

Forquin, J.C. O currículo entre o relativismo e o universalismo.Políticas curriculares e discussões epistemológicas. Revista Educação e Sociedade, CEDES, N 73, 200

Gramsci, A. A organização da cultura (cap.ll).IN Os intelectuais e a organização da cultura. Civilização brasileira. Rio de Janeiro.1989(T.03)

Gorz, A. Metamorfoses do Trabalho. São Paulo: Annablume, 2003. pp.132-160

Yong. M – Para que servem as escolas?. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 101, p. 1287-1302, set./dez. 2007. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br&gt;

LOPES, Alice Casimiro ; MACEDO, Elizabeth Fernandes de . Cultura e Política: implicações para o Currículo. Currículo sem Fronteiras, v. 9, p. 5-10, 2009.

Pilleti N. Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental. São Paulo: Ática, 2004.

 


[1]  Um conjunto de padrões que são adquiridos de pensamento, comportamento e gosto, que é dito por Bourdieu em  Teoria e Prática, 1977, para constituir a ligação entre o social  e a prática social (ou ação social)

[2] BOURDIEU, P. Escritos de Educação, org. Maria Alice Nogueira e Afrânio Catani, 256 págs., Ed. Vozes

[3] BOSI, A. A educação e a cultura nas constituições brasileiras, In cultura Brasileira:temas e situações. Ática. S.Paulo. 1992(T.2) pp.

[4] Foi durante  a Ditadura Militar que houve um boom na pesquisa das universidades, o investimento estrangeiro incentivado pelo regime de exceção foi a cauda disso.( Ortiz, R. Notas sobre as Ciências Sociais no Brasil. pp.172-173

[5] O governo federal anunciou, em 2010  um corte de verbas de 1,28 bilhão para o orçamento do Ministério da  Educação. Com esse corte adicional, o orçamento da Educação perdeu R$ 2,34 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/06/01/e010619815.asp

[8] A amostragem dessa pesquisa evidentemente não é significativa estatisticamente, mas dá uma idéia de que o sistema escolar continua sendo uns dos meios de ascensão social, ou pelo menos essa ainda é a idéia geral. Ver esta pesquisa nos Anexos.

[12] A escola da Ponte foi  fonte de inspiração para duas escolas municipaisem São Paulo

Fonte: http://www.educador.brasilescola.com/gestao-educacional/escola-ponte.htm


AULA 3: FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

    Relacionar essa aula com a anterior, na qual falamos das diversas formas de governo.

Iremos retomar as classificações das formas e sistemas de governo, mas situando-as na história do Brasil. O conteúdo da disciplina de História deve servir de suporte fundamental para essa aula. Eles estão no terceiro bimestre do 3° ano. Estão, portanto, estudando o Brasil contemporâneo, próximo ao golpe militar de 1964.

Relembrar das formas de governo na formação do Estado Brasileiro:

O Brasil foi Colônia de Portugal. Em seguida, foi Monarquia Constitucional. Tornou-se independente de Portugal, mas manteve-se Monarquia até 1889 quando tornou-se República. Porém, uma República restrita e oligárquica. Passou por uma Ditadura com Getúlio Vargas. Adentrou em um período relativamente democrático. Porém, houve o golpe militar em 1964, interrompendo esse período democrático chamado de República Populista. Em 1985, através de pressões do movimento sindical e popular foi designada uma Assembléia Nacional Constituinte, que teria a função de elaborar uma nova constituição, que estabeleceu novamente a democracia e eleições diretas para presidente. Trataremos desse último período na próxima aula.

Separar a turma em 5 grupos. Passar cinco textos com a explicação da transição dos períodos da história do Brasil. Pedir para os alunos responderem as questões de acordo com o texto e com o conhecimento histórico e depois explicar para o restante da turma as principais características de cada tipo de organização dos governos na história do Brasil, seguindo o seguinte modelo:

a)                  Quem tomava as decisões?

b)                 Quais eram os seus interesses?

c)                  Pertenciam a qual classe social?

d)                 Porque foram depostos do poder?

Eles terão ainda que responder as perguntas relativas a cada texto e entregá-las.

20 minutos de leitura e debate entre eles.

30 minutos de exposição e procura de relações e continuidades encontradas nos textos.

Grupo 1

Brasil Colônia-1500-1822

“Para melhor controlar a colônia, o rei de Portugal resolveu dividir o Brasil em Capitanias Hereditárias. O território foi dividido em faixas de terras que foram doadas aos donatários. Estes podiam explorar os recursos da terra, porém ficavam encarregados de povoar, proteger e estabelecer o cultivo da cana-de-açúcar. No geral, o sistema de Capitanias Hereditárias fracassou, em função da grande distância da Metrópole, da falta de recursos e dos ataques de indígenas e piratas. As capitanias de São Vicente e Pernambuco foram as únicas que apresentaram resultados satisfatórios, graças aos investimentos do rei e de empresários

Após a tentativa fracassada de estabelecer as Capitanias Hereditárias, a coroa portuguesa estabeleceu no Brasil o Governo-Geral. Era uma forma de centralizar e ter mais controle da colônia. O primeiro governador-geral foi Tomé de Souza, que recebeu do rei a missão de combater os indígenas rebeldes, aumentar a produção agrícola no Brasil, defender o território e procurar jazidas de ouro e prata.

Também existiam as Câmaras Municipais que eram órgãos políticos compostos pelos “homens-bons”. Estes eram os ricos proprietários que definiam os rumos políticos das vilas e cidades. O povo não podia participar da vida pública nesta fase.

Oficialmente as instituições do Estado já existem no Brasil há mais de 450 anos e, naturalmente, apresentaram as mais diversas formas ao longo desses quatro séculos e meio de história. Desconsiderando-se as doações das 15 Capitanias Hereditárias iniciais, feitas a partir de 1532, experiência administrativa fracassada, a origem do Estado no Brasil data da implantação do Governo-Geral em Salvador na Bahia, no ano de 1549. A sua função primeira, além de garantir o funcionamento da indústria açucareira e da extrativista, era a assegurar ao Reino de Portugal a posse, a mais extensa possível, do perímetro litorâneo da terra recém descoberta. Daí verificar-se que a preocupação dos governadores-gerais (Tomé de Souza, Duarte da Costa, Mem de Sá, e outros), foi a construção de fortes nos principais pontos considerados estratégicos. O Estado colonial foi, pois, antes de tudo um Estado de conquista.” ( Fonte: http://www.suapesquisa.com/colonia)

Questão para Debate: A partir do texto e das aulas de história perguntar aos alunos: Porque não havia um governo centralizado no Brasil?

Grupo 2:

Monarquia-1822-1889

“A transformação seguinte será a do Estado Imperial brasileiro, legalizada depois da proclamação da independência, em 1822, pela Constituição outorgada de 1824. D.Pedro I dedica-se a obter a legitimidade, contestada por oficiais lusitanos e por líderes populares do Nordeste. A Carta constitucional determinou, além dos poderes tradicionais – executivo-legislativo-judiciário – a implantação de um poder moderador (que de fato tornou-se uma sobreposição da autoridade do imperador). Os objetivos gerais do Estado Imperial, que se estendeu até 1889, podem ser determinados pela : a) consolidação da autoridade imperial sobre todo o território brasileiro; b) manutenção do regime escravista; c) preservação da paz interna e do reconhecimento internacional.

Ocasião em que as fortunas privadas eram acumuladas graças aos privilégios auferidos pela nobreza nativa criada por D.Pedro I e reafirmada por D.Pedro II. Ideologicamente pode-se dizer que o Império Brasileiro (que continuou sendo um estado português no ultramar) gradativamente afastou-se dos primados absolutistas dos seus primeiros anos, dominados pelo clima da Santa Aliança, para uma posição similar ao do regime monárquico britânico, onde havia a convivência do soberano com um parlamento bipartidário. Isto, todavia, não significou o afrouxamento do controle central sobre o provincial.

Paradoxalmente foi a vitória na Guerra do Paraguai (1864-1870) que terminou por enfraquecer o império. Necessitando ampliar o poder do exército para derrotar Solano Lopes, D. Pedro II terminou por armar o braço que acabou por derrubá-lo em 15 de novembro de 1889, na crise decorrente da abolição da escravatura determinada pela Lei Áurea, de 13 de maio de 1888.” (Fonte: http://www.suapesquisa.com/colonia)

 

Pergunta: Quais as mudanças que o governo Imperial trouxe para o Brasil, pensando na organização do Estado Brasileiro?

 

Grupo 3

República Oligárquica-1989-1930

“A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, seguida da aprovação da Constituição de 1891, inaugurou um novo regime político no Brasil, desta vez fortemente inspirado no presidencialismo federativo norte-americano. Os estados, governados por presidentes, gozaram da mais completa autonomia possível, tendo inclusive uma política externa independente. O encolhimento da autoridade da União, resultante do federalismo extremado então adotado, reavivou os poderes localistas dominados pelos coronéis (antigos integrantes da Guarda Nacional) que passaram a ser os verdadeiros donos dos destinos políticos dos seus respectivos estados, controlando e manipulando as eleições, e, por conseqüência, a composição das bancadas estaduais e federais.

O poder central, por sua vez, em pouco tempo caiu sob o controle dos dois estados mais ricos e populosos do Brasil republicano: São Paulo e Minas Gerais, regiões maiores da produção cafeeira e industrial. A antiga burocracia imperial deu lugar às burocracias estaduais, sem que essas tivessem entretanto a autoridade e o prestigio dos servidores da corte. Se o modelo adotado no Império inspirava-se no sistema britânico de governo de gabinete com dois partidos, o liberal e o conservador alternado-se no poder, o regime republicano tentou seguir as pegadas da democracia liberal americana, sem todavia imitar-lhe o bipartidarismo. Com o início do governo republicano sendo pouco mais do que uma ditadura militar, a então nova constituição de 1891previa eleições diretas apenas para 1894 e embora abolisse a restrição do período monárquico que estabelecia direito ao voto apenas aos que tivessem determinado nível de renda, mantinha porém o exercício do voto em caráter aberto (não secreto) e, entre outras restrições, circunscrito apenas aos homens, alfabetizados, numa época em que a população do país era majoritariamente analfabeta.

Se em relação à política externa o país neste primeiro período republicano manteve um relativo equilíbrio que só foi rompido pela questão acreanae a Primeira Guerra Mundial internamente, à partir da crise do encilhamento e da 1ª Revolta da Armada em 1891, se iniciou um ciclo prolongado de instabilidade financeira, política e social que se estenderia até a década de 1920 mantendo o país assolado por diversas rebeliões, tanto civis como militares, que pouco a pouco minaram o regime de tal forma que em 1930 foi possível ao candidato presidencial derrotado nas eleições de 1930, Getúlio Vargas liderar um golpe de Estado e assumir a presidência da república com o apoio dos militares.” (Fonte: http://www.suapesquisa.com/colonia)

Questão: Porque não podemos dizer que a republica oligárquica era democrática? 

Grupo 4:

Ditadura (Estado Novo)-1937-1945

 

“Vargas e os militares, que deveriam assumir a presidência apenas temporariamente a fim de implementar reformas democráticas, fecharam o Congresso, e seguiram governando sob estado de emergência, tendo, à exceção de Minas Gerais, substituído os governadores dos estados por seus apoiadores. Sob a justificativa de cobrar a implementação das promessas de reformas democráticas, em 1932 a oligarquia paulista tentou recuperar o poder, e em 1935 os comunistas se rebelaram, tendo ambos os movimentos sido derrotados. No entanto, a ameaça comunista serviu de pretexto tanto para impedir as eleições previamente estipuladas, como para que Vargas e os militares lançassem mão de outro golpe de Estado em 1937 estabelecendo uma ditadura de fato. Em maio de 1938, houve ainda uma outra tentativa fracassada de tomada de poder, desta vez por parte dos fascistas locais.

O Brasil manteve-se neutro durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial até os antecedentes que levaram o país a se postar ao lado dos EUA durante a conferência do Rio em janeiro de 1942 rompendo relações diplomáticas com as potências do Eixo. Em represália, as marinhas de guerra da Alemanha nazista e Itália fascista estenderam sua campanha de guerra submarina ao Brasil, e após meses de contínuo afundamento de navios mercantes brasileiros e forte pressão popular, o governo declarou-lhes guerra em agosto daquele ano, tendo somente em 1944 enviado uma força expedicionária para combater na europa. Com a vitória aliada em 1945 e o fim dos regimes nazi-fascistas na Europa, a posição de Vargas tornou-se insustentável e ele foi rapidamente deposto por outro golpe militar. A democracia foi restabelecida e o general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente, tomando posse em 1946. Tendo voltado ao poder democraticamente eleito no fim de 1950, Vargas suicidou-se em agosto de 1954, em meio à uma crise política.” (Fonte: http://www.suapesquisa.com/colonia)

 

Questões: O que acarreta para a democracia o fechamento do congresso?

Grupo 5

Ditadura Militar-1964-1985

   “Vários governos provisórios breves sucederam-se após o suicídio de Vargas. Juscelino Kubitschek se tornou presidente em 1956 e assumiu uma postura conciliadora em relação à oposição política que lhe permitia governar sem grandes crises. A economia e o setor industrial cresceram consideravelmente, mas sua maior conquista foi a construção da nova capital, Brasília, inaugurada em 1960. Seu sucessor, Jânio Quadros, renunciou em menos de um ano após assumir o cargo. Seu vice-presidente, João Goulart, assumiu a presidência, mas suscitou forte oposição política e foi deposto pelo Golpe de 1964 que resultou em um regime militar.

O novo regime se destinava a ser transitório, mas, cada vez mais fechado em si mesmo, se tornou uma ditadura plena com a promulgação do Ato Institucional Nº 5 em 1968. A repressão de opositores da ditadura, incluindo a guerrilha urbana, foi dura, mas não tão brutal como em outros países da América Latina. Devido ao extraordinário crescimento econômico, conhecido como um “milagre econômico”, o regime atingiu seu mais alto nível de popularidade nos anos de maior repressão.

O General Ernesto Geisel assumiu a presidência em 1974 e começou seu projeto de redemocratização através de um processo que, segundo ele seria “lento, gradual e seguro. Geisel acabou com a indisciplina militar que havia assolado o país desde 1889, bem como a tortura de presos políticos, censura à imprensa e, finalmente, a própria ditadura, depois de extinto o Ato Institucional Nº 5 em 1978. No entanto, o regime militar continuou com o seu sucessor escolhido General João Figueiredo, para completar a transição para uma democracia plena. Os civis voltaram totalmente ao poder em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência, mas, até ao final de seu mandato, ele tinha se tornado extremamente impopular devido à crise econômica e a incontrolável e invulgarmente elevada inflação. O mal-sucedido governo de Sarney permitiu a eleição, em 1989, do quase desconhecido Fernando Collor, que posteriormente foi deposto pelo Congresso Nacional em 1992.” (Fonte: http://www.suapesquisa.com/colonia)

 

Questão: Por que ocorreu esse período de exceção no Brasil?

Pedir para o grupo 1 explicar o que entendeu e responder as questões. Conciliar a fala desse grupo com a do grupo 2 falando das continuidades. Das classes sociais que permaneceram no poder e das que foram depostas. Por exemplo, os barões do café perderam força após o governo de Getulio Vargas que impulsionou o crescimento de um cooperativismo no Brasil.

João de Almeida Rego Campinho RA 061690

Fernando Xavier Silva                     RA 083545

AULA 1


      Partiremos do que os alunos entendem por Estado, mostrando e discutindo como o Estado interfere nas nossas vidas. Exemplos: escola, leis, polícia, sistema de saúde, condições de trabalho, etc.
“Uma definição abrangente de Estado seria ‘uma instituição organizada política, social e juridicamente,
ocupa um território definido e, na maioria das vezes, sua lei maior é uma Constituição escrita.
   É dirigido por um governo soberano reconhecido interna e externamente, sendo responsável pela organização
e pelo controle social, pois detém o monopólio legítimo do uso da força e da coerção’”.
DE CICCO, C. e GONZAGA, A. de A. Teoria Geral do Estado e Ciência Política.
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. p. 43.
Discutir com os alunos esta concepção de Estado. Sintetizar a partir da discussão as características gerais e formais do Estado:
1) Instituição com organização interna;
2) Possui um território e população definidos;
3) Possui um governo que estabelece a política aplicada pelo Estado e é responsável pela sua aplicação, em um mesmo Estado podemos, portanto, ter diversas formas e sistemas de governo;
4) Organiza e controla a sociedade em determinado território;
Sabendo as características gerais e formais do Estado, discutiremos duas concepções diferentes de Estado:
1) A concepção de Karl Marx (explicar sinteticamente quem foi Marx): o Estado como uma instituição que possui a função do controle e manutenção da dominação política e exploração econômica de uma classe sobre outra.
2) A concepção de Max Weber (explicar sinteticamente quem foi Weber): Estado como uma entidade que em determinado território possui o controle legítimo do uso da força física.
Separar dois textos que expliquem sinteticamente a concepção de Marx e de Weber para que a turma possa discutir as diferenças e semelhanças entre as concepções dos autores.
      Discutir utilizando os conhecimentos de história os diferentes tipos de Estado:
1) Estado escravista
2) Estado feudal
3) Estado capitalista ou burguês

AULA 2: FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO

    Relembrar das aulas de História, fazer ligações com elas para encontrar as características principais das formas e sistemas de governo contextualizando-as. Pedir para os alunos imaginarem que a sala é um país e eles são a população dele.
Vamos supor que nesse país a população viva em extrema miséria. A maior parte das pessoas não tem o mínimo para sobreviver.
Monarquia Absolutista
         Escolher um aluno e dizer que ele é o rei da sala. Perguntar para a turma quais os deveres dele para com ela. É esperado que as obrigações dele consistam em fazer as leis, organizar a economia, cuidar da segurança do país, etc. Perguntar para ele o que faria para resolver o problema em questão.
      O Rei irá ter todos esses poderes se o regime for absolutista. Sistema de governo em os monarcas buscavam consolidar os próprios governos e não estabelecer limites para o mesmos de forma que  através da legitimização através da divinização ou tradição procurava-se confundir o poder com o monarca. Perguntar para os alunos quem sucederia o Rei caso ele morresse. Responder que nesse caso, o poder é hereditário. O poder é vitalício também, o que quer dizer que o rei governará enquanto estiver vivo.
         Dar exemplos históricos e relacioná-los com as aulas de história.
-Bom, digamos agora que todos vocês não queiram que o poder esteja totalmente centralizado em uma pessoa somente.
Monarquia Constitucional
Então, daremos mais funções para outros alunos da sala. Eles farão parte do parlamento, que tem a função de limitar o poder do Rei e de uma camada específica da sociedade.
      Temos agora um tipo de Monarquia onde o poder do monarca é limitado. Essa limitação pode ser feita por uma constituição, em que o Rei é quase um presidente, pois faz parte do poder executivo (veremos com mais detalhes esse termo na próxima aula).
Entretanto, nesse caso, o Rei também possui significado simbólico.          Perguntar então para os alunos do parlamento o que eles fariam para acabar com a miséria do país. Ver se o Rei concorda.
   Falar que houve a transição do regime absolutista para uma monarquia limitada por constituição nesses países através de conflitos. Relacionar às aulas de história. Exemplos: França e Inglaterra.
                                            Monarquia Parlamentar
      A função do rei pode ser somente a de chefe de Estado. Por exemplo: vamos supor que o aluno escolhido anteriormente ainda é o rei. Só que ele somente tem a função de Chefe de Estado. Que deve ter como responsabilidade somente o que a constituição lhe propor. O executivo é exercido por um conselho de ministros.
        Dar o exemplo da Inglaterra. O poder do rei já foi absoluto, mas através da revolução Gloriosa houve limitação desse poder.
    De estamentos: o rei descentraliza certas funções, que são delegadas a membros da nobreza, reunidos em cortes, ou a outros órgãos que funcionam como desdobramentos do poder real. Ex: Reinos feudais.
República
       A República fundamenta-se no ideal de democracia. Nasceu a partir dos ideais iluministas que iam contra a Monarquia. Pressupõe participação popular. A República (do latim res publica, “coisa pública”) é uma forma de governo na qual o chefe do Estado é eleito pelos cidadãos ou seus representantes, tendo a sua chefia uma duração limitada. A forma de eleição do chefe de Estado, o presidente da república, é normalmente realizada através do voto livre e secreto. Dependendo do sistema de governo, o presidente da república pode ou não acumular o poder executivo.
         A República pode ser:
                                                           

Democrática
       

         Perguntar para os alunos o que eles entendem por democracia. Lembrando que já falamos sobre isso. Por isso, apenas relembrar rapidamente suas origens em na Atenas( na Grécia antiga) e o ressurgimento com o Iluminismo.
                                                   

Democratica Direta
     

         Neste caso, o poder que antes estava centralizado está dividido entre todos. Todos cidadãos participam igualmente da política, todos tem direito à opinião e todos legislam e executam a política.
Perguntar a todos o que eles fariam para resolver aquele problema da pobreza e desigualdade no país.
          No entanto, esse tipo de democracia existiu na Atenas antiga. E eram considerados cidadãos somente os homens. Eram excluídos os escravos, as mulheres, estrangeiros, artesãos, pequenos proprietários de terras e outros grupos sociais.
Democrática Indireta
      É uma das características da nossa democracia. Nós elegemos representantes através do voto. Eles teoricamente representam os interesses dos diversos grupos que compõem a sociedade através dos partidos políticos. Nesse caso, fazer uma eleição na sala e escolher representantes para resolver os problemas dessa sociedade.
Democrática Semi-direta
      É um misto entre as duas. Perguntar para os alunos se eles se lembram daquele referendo sobre a comercialização de armas que ocorreu no Brasil em 2005. O plebiscito e o referendo são instrumentos de democracia direta. Governos que se utilizam de ferramentas que possibilitam maior participação popular como por exemplo plebiscitos e referendos, (consulta aos eleitores sobre um projeto já aprovado anteriormente), com freqüência, são consideradas democracias semi-diretas. Não será preciso prosseguir com a dinâmica porque eles já presenciaram no Brasil o referendo referente ao desarmamento.


Aristocrática
         

            Governo de poucos, de uma classe ou camada social privilegiada.          No entanto, a república oligárquica também pode ser um governo de uma classe privilegiada. A república pressupõe a participação popular de alguma forma, pois é derivada dos ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. Escolher um grupo de alunos, que serão a elite econômica desse país. Situá-los na história do Brasil para exemplificar. Serão os barões do Café na republica oligárquica.
Parlamentarismo
          Pode existir tanto nas monarquias quanto nas repúblicas. É uma forma de se dividir o poder de Estado. O parlamento gere o Estado juntamente com o Chefe de Estado, que pode ser o Rei ou um presidente. O parlamento pode gerir também conjuntamente com chefe de governo, ou seja, um presidente. A diferença é que o chefe de Estado tem a função de, na maioria das vezes, representar o Estado, não sendo responsável pela maioria das decisões políticas. Ao contrario do chefe de governo, que é eleito pelo voto ou nomeado pelo chefe de Estado e detém funções no poder executivo.
     Na próxima aula utilizaremos esses conceitos para entender a formação do Estado Brasileiro.