Author Archive for: Guilherme Caldas de Souza Campos

Para quem não leu, no meu último post eu estava procurando por artigos  que tratassem de como a educação já havia sido tratada pelas diferentes abordagens sociológicas. Até aquela altura, como muitos colegas já haviam publicado posts de autores mais contemporâneos, acabei postando um antigo fichamento de um texto pouco conhecido de Durkheim que tratava especificamente do tema da educação. Quem quiser pode conferir o post clicando aqui. Desta vez, eu achei um material bastante interessante que desse conta da visão sociológica da educação como um todo. Trata-se de um texto produzido pela socióloga Graziella Morais Dias da Silva, pesquisadora do Núcleo de Sociologia da Cultura da UFRJ, onde ela trata das diferentes perspectivas sociológicas da educação, passando desde os autores clássicos até os mais contemporâneos, inclusive autores brasileiros que trataram do tema.

Para acessar o texto on-line, clique no link abaixo:

http://www.rolim.com.br/2002/_pdfs/sociologia2.pdf

No começo do texto, a autora apresenta a as discussões acerca da educação no âmbito da sociologia no último século, especialmente pela sociologia clássica citando o trabalho da socióloga britânica Margaret Archer. Segundo Archer, a sociologia clássica (Marx, Weber, Durkheim e Parsons) tratou a educação “como uma instituição social macroscópica”, que se inter-relacionava com as outras instituições sociais na conformação da sociedade. A autora deixa claro a visão macrossociológica para estes autores no trato da educação como um sistema conformador e reprodutor da realidade social. Dando ênfase às abordagens durkheimiana e parsoniana, a autora mostra a proeminência na visão destes autores da educação  no processo de modernização.

Ao passar a autores mais contemporâneos, como Habermas, Giddens e Bourdieu, a autora mostra como que a sociologia foi aos poucos se distanciando de uma visão macrossociológica e empírica  para uma abordagem mais própria e teórica ao tratar da educação. Nas suas palavras,

“Com isso pretendo mostrar como a abordagem macrossociológica se distanciou ao longo do tempo da perspectiva da educação como instituição social qu se constrói na relação histórica com outras instituições, para tratá-la como uma instituição abstrata com efeitos abstratos. Ao mesmo tempo, a educação deixou de ser pensada com o otimismo instrumental parsoniano, substituído pelo pessimismo althusseriano. A educação passa a ser definida como reprodutora das desigualdades sociais mais gerais da sociedade – sejareproduzindo as desigualdades entre as classes, seja reforçando o predomínio da racionalidade instrumental sobre a razão comunicativa.”

Com excessão de Bourdieu, a autora nos diz que nenhum dos autores contemporâneos tratou diretamente da educação, somente de forma tangencial. Segundo ela, Boudieu tratou da educação como um “misto de disputa de poderes, mas com posições já delimitadas pelo capital econômico e simbólico herdados, e tendendo sempre à estabilidade“. Mesmo não desenvolvendo um trabalho específico sobre a educação, Boudieu teria sido o único entre os contemporâneos, segundo ela, a atribuir um papel à educação na conformação da sociedade, mesmo que de forma funcionalista. Já os outros dois autores (Habermas e Giddens) teriam tratado a educação como “instituição vinculada ao desenvlvimento da modernidade, ou ainda numa discussão pontual, sem que exista uma definição precisa do que seja o sistema escolar, tratando suas partes como instituições quase independentes“. Um ponto em comum, no entanto, é percebido pela autora nos três contemporâneos por ela escolhidos, o fato de que a educação seria um processo de reprodução social e cultural, e não mais algo transformador da realidade  em mutação como havia sido percebida pelos clássicos.

Ao contrário dos autores anteriormente trabalhados, que segundo a autora teriam uma visão da educação como sendo reprodutora e constrangedora, ou ainda como um “sistema abstrato de reprodução de uma cultura supostamente predefinida e coerente“, no fim do texto ela recorre a autores que trabalham com uma visão diferente dessa anteriormente trabalhada. A autora trabalha, por fim, com uma perspectiva histórica no trato da educação pela sociologia, perspectiva que parece ser a sua favorita nas suas conclusões; para tanto, ela retorna à Margaret Acher, ao mesmo tempo que recorre à Norbert Elias. Segundo ela, enquanto Margaret Acher inaugura uma nova abordagem histórica para tratar da educação em diferentes países por ela analisados em sua tese de doutorado, Norbert Elias reafirma a importância da abordagem histórica na sociologia, mas sem a distinção entre indivíduo e sociedade como coisas distintas, como o faz Acher. Por fim, a autora propõe uma abordagem socio-histórica no estudo sociológica da educação brasileira, com o argumento de que com essa abordagem seria possível compreender a relação entre macro e micro nos sistemas educacionais brasileiros, além de compreender o funcionamento desses sistemas com outros sistemas sociais brasileiros. A autora baseia seu argumento no trabalho de Acher e de outros autores brasileiros, que defendem uma visão mais historicizada da educação nas análises sociológicas.

Bibliografia:

SILVA, G. M. D. . Sociologia e Educação: um debate teórico e empírico sobre modernidade. Revista Enfoques (Santiago), v. 1, p. 66-117, 2002.

Estava procurando algum material que falasse sobre como a escola já foi tratada pela sociologia para fazer um post maior. Porém, tendo em vista que várias pessoas já postaram tratando deste mesmo assunto, só que abordando a visão de autores mais contemporâneos (eu mesmo já postei algumas coisas sobre Foucault e tenho notado uma grande proeminência de Bourdieu nos posts anteriores), para não ficar repetitivo sobrou-me apenas a opção de procurar nos autores clássicos. Lembrei-me então de ter lido um texto de Durkheim certa vez tratando sobre a moral na escola francesa de sua época e procurando nos meus arquivos achei um fichamento introdutório que eu havia feito em 2008 deste texto. Resolvi então postar este fichamento aqui no blog para compartilhar com os colegas, pois ainda não tinha visto nenhum post tratando deste assunto sob a ótica durkheimiana. Segue uma versão resumida do fichamento feito em 2008:

O Texto refere-se a uma conferência realizada na antiga École Normale D’ Instituteurs de Paris, onde participara Émile Durkheim no início do século XX. Nesta conferência, Durkheim defende o ensino laico nas escolas francesas utilizando-se de argumentos sociológicos. A princípio, Durkheim procura apresentar e situar a moral, alvo de sua tese, que já era ensina ensinada nas escolas francesas sob a visão da religião e da teologia. Para Durkheim, tal ensino não seria eficaz, pois a compreensão da moral pela religião estaria fora do alcance da mentalidade infantil por se tratar de conceitos abstratos e metafísicos de difícil compreensão mesmo para adultos.

Durkheim caracteriza a moral como aquele conjunto de regras que rege a ação e a reação do indivíduo frente os acontecimentos da sociedade, regras essas que se infringidas geram o isolamento, o desprezo e muitas vezes a pena. Distingue-se esta moral geral das morais profissional, política e capitalista, morais estas que seriam menores e sempre subordinadas a esta moral geral (uma moral social), ou seja, maior e mais importante que todas as outras coisas humanas. A moral seria para Durkheim o que nos permitiria viver em sociedade (por isso é um “fenômeno social”), onde cometeríamos uma violência contra nossa própria vontade, para garantir a vontade do próximo. Sendo assim, a moral seria a base do funcionamento de uma sociedade, ela seria ensinada ao individuo na educação social, ou seja, em contato com outros seres humanos desde que este nasceu, daí sua importância de ter o seu ensino devidamente formalizado nas escolas primárias, para garantir o devido funcionamento da sociedade.

Émile Durkheim

Sendo a moral um fato social (uma categoria tipicamente durkheimiana) necessário de ter seu funcionamento explicado e compreendido desde os primórdios da história, sua primeira manifestação seria a religião, detentora de todo o ensino, perpetuação e aplicação da moral da sociedade. O motivo disso seria a necessidade que os homens teriam de compreender os motivos de suas próprias ações, atribuídas a um poder superior que para eles seria Deus, mas que para Durkheim seria a sociedade. Essa mesma sociedade não pode ter outra moral que não a sua própria moral característica, assim como a religião tem seus dogmas característicos desta religião.

Durkheim afirma que se quisermos nos desprender desta concepção de conduta moral religiosa por ela ser “intangível”, precisamos substituir sua força maior, “Deus”, por uma força maior ainda e mais concreta e imediata, a sociedade. “E, com efeito, uma sociedade é para seus membros aquilo que Deus é para seus fiéis.” (Émile Durkheim). Pois, afinal, para Durkheim, a moral não existe senão na sociedade e pela sociedade, pois seu objetivo é fazer com que os homens possam viver juntos e em harmonia. Sendo que a sociedade manteria uma condição de existência com o indivíduo, e o indivíduo uma condição de existência com a sociedade, e que a religião seria apenas a expressão do poder da coletividade através de símbolos, deveria-se substituir o poder religioso pelo poder político, e pelo poder social, sendo essa substituição totalmente legitima para Durkheim.

Todos esses argumentos seriam mais que suficientes para se justificar a construção de uma sociedade mais consciente de seu funcionamento através do ensino laico nas escolas, teoriza Durkheim. Esse ensino permitiria às gerações posteriores compreender que a moral, e junto com ela a sociedade, estariam em plena metamorfose o tempo todo, e que com este conhecimento poderia esta nova geração ser formada de cidadãos capazes de intervir positivamente nesta constante mudança social.

Apesar de ser a visão de um autor clássico, achei que seria interessante trazer a sua visão para o blog para que o leitor possa comparar com as visões e debates anteriormente postados. Se encontrar mais material, trago para uma discussão mais aprofundada (continuo procurando para mais posts). A visão que Durkheim tem da educação parece se inserir em um debate contemporâneo, principalmente para a Sociologia, o debate de o que e por quê ensinar sociologia nas escolas hoje. É claro que a visão durkheimiana é enviesada tanto pela escolha metodológica feita pelo autor na época, quanto pela conjuntura do debate e dos interesses em jogo naquele momento, mas mostra como a sociologia já passou por esse debate e como os sociólogos pensaram a educação e seu papel na sociedade.

Segue referência para quem quiser conferir o texto original:

Durkheim E. O Ensino da Moral na Escola Primária. Tradução: Raquel Weiss In: Novos Estudos CEBRAP, Julho 2007.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002007000200008

Estava dando uma olhada nos cadernos de sociologia do ensino médio e me deparei com o caderno que tem por tema a questão do consumismo (se não me engano é o caderno 2 do 2º ano). Então me lembrei de um vídeo bastante didático produzido Annie Leonard chamado The Story of Stuff  (A história das coisas), um vídeo muito interessante que trata da questão do consumismo, de sua relação com a política e economia globais e de seus impactos para o meio ambiente.

Lembrei-me que quando eu havia visto o vídeo pela primeira vez eu pensei que seria um ótimo vídeo para tratar da questão do consumismo em uma aula de sociologia. Apesar do vídeo ter sido produzido visando o público norte-americano e ter vários elementos de texto em inglês, a dublagem do vídeo foi muito bem feita e o estilo de desenho animado prende bastante a atenção da pessoa que assiste. O vídeo de Annie Leonard trata de questões que vão muito além do consumismo, e portanto, podem suscitar muitas outras discussões além do consumismo, como meio ambiente e exploração econômica por exemplo, abrindo inclusive espaço para se trabalhar a questão interdisciplinarmente. Minha sugestão é que o professor use este vídeo para abrir a aula e depois, através de debate com a turma, levante os pontos principais concernetes com o que se pretende trabalhar nesta aula.

Bom, fica a dica…

Mas afinal de contas, podem as TICs (tecnologias de informação e comunicação) fazerem diferença na sala de aula? Qual o papel delas na nossa sociedade contemporânea e qual seria o seu papel no ensino de Sociologia no ensino médio? Essas perguntas pautaram o último encontro da nossa disciplina de estágio supervisionado em ciências sociais, rendendo uma ótima discussão para a turma… tanto que eu achei que esta discussão merecia um post no blog…

Eis o vídeo que suscitou a discussão da última aula, dia 01/09:

Parte 1

Parte 2

A importância da comunicação para a sociologia contemporânea e dos meios de exercita-la no mundo moderno já se fazem evidentes através do curta do diretor Pedro Ekman e do coletivo Intervozes Brasil de Comunicação Social. O vídeo nos mostra a importância da comunicação e das TICs (no caso do vídeo, as mídias de comunicação em massa como a TV e o rádio) para a conformação de hábitos, opiniões (inclusive políticas) e visões de mundo, aspectos chaves para a compreensão do seu papel na sociedade contemporânea.

Bom, até aí tudo bem. Mas… como podemos fazer uso dessas novas mídias (ou não tão novas assim) nas salas de aula? E o mais importante, que diferença elas podem fazer no ensino da sociologia (não apenas da sociologia, pensando bem, mas no ensino como um todo)?

O uso de novas tecnologias na sala de aula ora assusta, ora encanta as pessoas. Mas qual será o verdadeiro impacto de sua utilização?

Para simplificar o argumento, o post, e a vida dos nossos leitores, invoco um material valioso para o professor de sociologia, o volume 15 da “Coleção Explorando o Ensino” (desenvolvido pelo MEC), mais especificamente o capítulo 8 “Sociologia e tecnologias de informação e comunicação”, escrito pelo professor Tom Dwyer do IFCH/UNICAMP:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=7843&Itemid=

O material desenvolvido pelo professor Tom Dwyer (o material ainda está fresquinho, foi publicado há menos de um ano) para a Coleção Explorando o Ensino, de uma forma geral, discute a problemática de como as novas tecnologias influenciam (ou não…) o ofício do professor na sala de aula (repito, não apenas o de sociologia). O prof. Dwyer utiliza-se do exemplo de TIC mais em voga nos dias de hoje: o computador, embora esse exemplo possa facilmente ser aplicado aos outros tipos de TIC existentes (podemos entender a televisão, o rádio, smartphones e até mesmo jornais e revistas como exemplos de TICs), o uso da tecnologia em sala de aula que mais gera polêmicas é o computador, mais especificamente a internet.

A comunicação é um processo importante da socialização humana e na transmissão de ideias e visões de mundo, daí a importância das TICs na sociedade.

Adiantando o argumento do texto, as TIC não são por si só uma revolução na sala de aula, mesmo porque seu advento pode ter efeitos negativos no rendimento escolar. As possibilidades de ensino através das TICs são encaradas hoje pela maioria dos pesquisadores como um potencial, a ser desenvolvido por ninguém mais, ninguém menos, que o professor.

“A incorporação das TIC nas Ciências Sociais brasileiras e no Ensino Médio abre uma janela a partir da qual podemos traçar novas alternativas de desenvolvimento de ensino, pesquisa e divulgação. Diferente do que certos comentadores, presos da ideologia do determinismo tecnológico, sugerem, a penetração das TIC nas escolas parece reforçar a importância do papel do professor. O professor tem um papel fundamental de ensinar aos jovens a compreender melhor o mundo ao redor e a se preparar para enfrentar não apenas o mercado de trabalho, mas também a serem capazes de analisar e opinar sobre as grandes questões levantadas no Brasil e no mundo, ou seja, se transformarem em cidadãos bem informados.” (Dwyer, 2010)

O uso das TIC nas salas de aula pode ser muito proveitoso e saudável, desde que orientado à uma recepção crítica das informações e à uma capacitação do aluno em se comunicar enquanto cidadão. Devemos, portanto, ensinar nossos alunos não apenas a “ouvir” a mensagem dos outros, mas principalmente a falar e se fazer ouvir através das TICs disponíveis.

Pensando bem, essa é uma discussão que vai longe, mas espero que este post já sirva como uma pequena alfinetada para começarmos a pensar o papel da comunicação na sociologia e o das TICs no ensino de sociologia…

Bibliografia

DWYER Tom, Sociologia e tecnologias de informação e comunicação. In:
Sociologia: ensino médio / Coordenação Amaury César Moraes. Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. 304 p.: il.
(Coleção Explorando o Ensino; v. 15).

Nesta última quinta-feira (25/08), os nossos colegas bolsistas do projeto do PIBID das professoras Angela Araújo e Andréia Galvão, do IFCH/UNICAMP, vieram em sala de aula nos contar sobre sua experiência em duas escolas públicas de Campinas. Durante a exposição foram levantadas algumas questões sobre as relações de poder que estes alunos perceberam durante sua permanência nas escolas, relações de poder que se davam entre diretores, professores, comunidade e alunos.

poder na escola

As relações de poder encontram-se em todo lugar na sociedade. Por que na escola seria diferente?

Isso me fez pensar sobre as condições em que o professor de sociologia, eventualmente, irá encontrar para trabalhar nas diferentes escolas e como essas condições poderiam ser exploradas pelo professor de sociologia em sala de aula. Uma das conclusões levantadas pelas discussões em sala, grosso modo,  era a de que as relações de poder entre os atores internos e externos da escola influenciavam nas condições de ensino da escola. Não apenas a disputa interna de poder entre funcionários, professores e alunos, mas também com relação à comunidade e ao “público” em que a escola está inserida.

Pensando, deste modo, em como o professor pode explorar as contradições e condições das relações de poder da própria escola, realizei uma pequena pesquisa através do Google Acadêmico (uma boa sugestão para o professor que busca aquela bibliografia a mais) e encontrei um pequeno texto da professora Magali de Castro da PUC Minas:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-25551998000100002&script=sci_arttext

Este texto explora algumas teorias do poder para explicar as relações assimétricas encontradas em algumas escolas brasileiras (o texto trata de um estudo realizado em escolas de Belo Horizonte no início dos anos 90). A professoa Castro explora as teorias do campo simbólico de Bourdieu e a de dominação de Weber para retratar como se dão as relações de poder nas escolas brasileiras e algumas das suas consequências para o trabalho do professor. Vale a pena reproduzir o último paragrafo do texto para exemplificar a importância deste estudo para a sensibilização do professor para as suas condições de trabalho:

“Vivendo, na rotina diária, relações de um poder simbólico, tais atores são envolvidos, em determinados momentos críticos, em disputas por cargos de poder e lutas por imposição de idéias, pelas quais mobilizam os recursos de que dispõem e vêem cair o véu do poder simbólico, que cede lugar ao embate, quase sempre desgastante. Estes momentos, apesar de muitas vezes representarem um alto custo para a Instituição e seus atores, são inerentes às relações de poder e fazem, inevitavelmente, avançar o universal, como afirma Bourdieu.” (CASTRO, 1998)

Outro pequeno texto que reforça as relações de poder na escola é o texto do professor Maurício Tragtenberg, professor da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP, que trata da dimensão da aplicação dos instrumentos de poder na escola, utilizando-se da abordagem genealógica das instituições de Foucault:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-64451985000100021&script=sci_arttext

escola prisão

É uma escola ou uma prisão? Acho que Foucault diria que é a mesma coisa...

Segundo Tragtemberg, o uso dos instrumentos de disciplina na escola configuram-se como instrumentos de exercício do poder. Seu texto nos ajuda a pensar a escola enquanto espaço de poder a priori, onde sua aplicação é fundamental para a dinâmica da (re)produção de saber e “estandardização” da sociedade:

As normas pedagógicas têm o poder de marcar, salientar os desvios, reforçando a imagem de alunos tidos como “problemáticos”, estigmatizados como “o negrão”, o “índio”, o “maloqueiro” ou o morador da “favela”. A escola, ao dividir os alunos e o saber em séries, graus, salienta as diferenças, recompensando os que se sujeitam aos movimentos regulares impostos pelo sistema escolar. Os que não aceitam a passagem hierárquica de uma série a outra são punidos com a “retenção” ou a “exclusão”. (TRATEMBERG, 1985)

Mas afinal, será que estas abordagens sociológicas servem apenas para percebemos como será difícil nossa atuação escolar e nossa tarefa de ensinar sociologia? Eu acho que não. O entendimento de como as assimetrias das relações de poder na sociedade pode levar a uma compreensão crítica e transformadora da realidade, não apenas para nós professores, mas especialmente para os alunos. Afinal de contas, por que ensinamos Sociologia para as pessoas senão para lhes dar subsídios para que transformem sua realidade? Acredito que sensibilizar os alunos para as assimetrias da sociedade pode realmente lhes render uma postura crítica e transformadora da realidade, e que realidade melhor para trabalhar com os alunos senão que a sua própria, ou seja, a realidade da escola?

BIBLIOGRAFIA:

CASTRO, Magali de. Um estudo das relações de poder na escola pública de ensino fundamental à luz de Weber e Bourdieu: do poder formal, impessoal e simbólico ao poder explícito. Rev. Fac. Educ.,  São Paulo,  v. 24,  n. 1, Jan.  1998 . Available from <a href=””><http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-25551998000100002&lng=en&nrm=iso&gt;. access on  25  Aug.  2011.

TRAGTENBERG, Maurício. Relações de poder na escola. Lua Nova,  São Paulo,  v. 1,  n. 4, Mar.  1985 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451985000100021&lng=en&nrm=iso&gt;. access on  25  Aug.  2011.