Author Archive for: Gustavo Ferraz

Na publicação anterior, fizemos o mesmo exercício, contudo sobre a análise marxista do filme. LINK: https://escsunicamp.wordpress.com/2011/12/12/filme-ao-mestre-com-carinho-numa-analise-marxista/

Novamente, a referência do filme e o site, onde o professor pode baixá-lo:

1967: To sir, with love (Ao mestre, com carinho). Reino Unido; drama, cor. Direção e roteiro: James Clavell. Estúdio: Columbia Pictures Corporation.

http://downloadfilmesgratis.blogspot.com/2008/12/ao-mestre-com-carinholegendado-1966.html

Ao mestre, com carinho e Max Weber (1864-1920)

Penso que, se quisermos traçar um paralelo entre o filme e o pensamento de Weber, devemos fazê-lo em torno das reflexões sobre o poder. Segundo o pensador alemão, o que é o poder? Poder é “a possibilidade de encontrar obediência a uma ordem determinada” (WEBER, p.3). Durante o filme, sobretudo no início, percebemos que o grande conflito é a capacidade do professor possuir ou não o controle sobre a turma. De que forma, então, o professor lida com os jovens e qual a maneira que exerce o seu poder a fim de domar aquela turma de rebeldes? Num paralelo com Weber, podemos dizer que num primeiro momento o professor se relaciona com a turma por meio do poder legal; isto é, utiliza-se da sua condição de “superior” na estrutura organizacional da escola – cargo de professor – para exercer poder sobre os seus alunos. O professor Thackeray entra em sala, exige silêncio, exige que falem, que escrevam, que façam leituras, que participem etc., contudo percebe cada vez mais a não correspondência entre ele e os seus alunos; percebe o fracasso das suas aulas e o quanto não é respeitado. O limite para esta situação é após ser atingido por um objeto jogado pelos alunos contra a sua cabeça e quando estes se utilizaram da sala de aula para queimar algo e impossibilitar as atividades. O poder institucionalizado e legitimado pelo estatuto da escola – o qual colocava o professor como o detentor do poder – não funcionava naquele ambiente. O professor, ora ou outra era respeitado e atendido, mas a pessoa do professor, o sr. Thackeray, não; este era desrespeitado e os seus alunos não o escutavam nem mesmo o obedeciam. Esta é a maior característica do poder legal – no qual a obediência não é em direção à pessoa enquanto ela própria, mas em direção à hierarquia estatutária e à posição das pessoas dentro desta hierarquia instituída. Era preciso mudar esta situação…

Ocorre esta mudança no instante em que o professor Thackeray percebe que os seus alunos são crianças; crianças imaturas que se pretendem adultas, mas que não sabem o melhor caminho para crescer; crianças que se desrespeitam entre si e a si mesmos e que por conta disso não vão respeitar o professor, e por que iriam? Crianças que não aprendem nada em sala de aula, pois estão preocupados com os seus problemas de serem crianças que pretendem ser adultas; crianças que só encontram desvantagens ao obedecer; e são crianças que buscam vantagens; então, a partir daí, o que faz o professor? Thackeray se dá conta de que lidar com os seus alunos somente a partir da sua posição de professor, do exercício do poder legal, não funciona, pois é deprimente e tende ao fracasso. Desse modo, decide ser então o Thackeray-professor, isto é, ele próprio e também professor. E outra relação de poder irá subsidiar esta nova atitude. A partir de então, Thackeray desinstitucionaliza o poder que tinha sobre os seus alunos, pois se apresenta como uma pessoa aberta para conversar e compartilhar experiências. Desenvolve com os seus alunos uma relação de poder não institucionalizada, que segundo Weber, são aquelas que ocorrem entre as pessoas no dia-a-dia. Thackeray-professor fundamenta sua nova atitude – o exercício do seu poder – naquilo que Weber chama de teleológico-racional, ou seja, em vantagens e desvantagens por parte de quem obedece. Agora, nesta nova relação, os alunos terão de obedecer, de respeitar, na vantagem de aprender a ser adultos – na acepção mais digna do termo. Involuntariamente, como consequência desta mudança de atitude, a relação de poder entre Thackeray-professor e os seus alunos sustenta-se num outro fundamento primordial: o afeto. Todos os envolvidos constroem um laço afetivo muito forte, o que torna o dia-a-dia na sala de aula momentos encantados, de muito respeito e de aprendizado. Dessa forma, posicionando-se de maneira mais intimista e dialogando com a vida dos seus alunos, Thackeray-professor alcança o sentido da socialização – desenvolve nos seus alunos a identidade social e a identidade individual, o self, conforme as elaborações de George H. Mead (1863-1931).

Gustavo Ferraz

Textos de referência:

WEBER, Max. Três Tipos Puros de Poder Legítimo. Tradução: Artur Morão. www.lusosofia.net. p. 1 -18.

GRIGOROWITSCHS, Tamara. O conceito de “socialização” caiu em desuso? Uma análise dos processos de socialização na infância com base em Georg Simmel e George H. Mead. Educ. Soc., Campinas, vol. 29, n. 102, p. 33-54, jan./abr. 2008. Disponível em: http://www.cedes.unicamp.br

 

Ao mestre, com carinho é um filme da década de 60 (ver a referência ao fim do texto) muito inspirador para pensarmos nas relações instituídas dentro de uma escola e naquelas outras que podemos engendrar, no sentido de transformar a escola num espaço construído  e constituído por seres humanos, os quais, em conjunto, buscam relações verdadeiras e uma vida melhor.

Filme importante, sobretudo, para o professor.

Pode-se baixar o filme a partir deste link:

http://downloadfilmesgratis.blogspot.com/2008/12/ao-mestre-com-carinholegendado-1966.html

Aqui, esboço um ensaio sobre filme, a partir de uma análise marxista:

Ao mestre, com carinho e Karl Marx (1818-1883)

Pensar o filme ou qualquer outra questão a partir da perspectiva marxista nos faz refletir sobre os casos individuais – micros – enquanto situações que fazem parte das condições estruturais da sociedade – os aspectos macros. A vida de uma pessoa está intrincada dialeticamente com as condições materiais e espirituais que a sociedade – através de seu modo de produção – nos oferece. O contexto do filme em questão é a sociedade capitalista, londrina, dos anos 60 do século XX. Em linhas gerais, o filme retrata o posicionamento revolucionário de um professor perante a sua turma, que através de sua mudança de atitude engendrou um modo muito mais profundo e humano de desenvolver o processo educativo com os seus alunos. Temos em vista, com o filme, a possibilidade da educação – e da escola – não estar somente à serviço do capital, mas de servir, pelo contrário, para a formação de intelectuais orgânicos – indivíduos cônscios da prática da vida social e compromissados moral e intelectualmente com a dignidade da vida humana, que passa longe das tendências alienantes da sociedade capitalista.

A escola, na primeira parte do filme, pode ser vista como a casa da desgraça, como um depósito das contradições e de todas as condições degradantes que desviam as pessoas delas mesmas e que, ao mesmo tempo, sustentam o próprio modo de produção capitalista. Digo, a escola enquanto um espaço alienado e que reproduz a alienação. O que as pessoas faziam na escola? Os professores não toleravam as suas turmas, odiavam os diabos que eram aqueles adolescentes, odiavam as suas aulas e as suas tentativas fracassadas, odiavam a si próprios e o seu trabalho precarizado; os alunos, por sua vez, iam para a escola para enfrentar os professores e se divertir, formar grupos e fazer bagunça, odiavam os diabos que eram os seus professores, odiavam os conteúdos que tentavam enfiar nas suas cabeças, odiavam obedecer e nada receber em troca. Qual o sentido daquela escola? Se nada funciona, por que as pessoas vão lá? Sentem-se obrigadas a isso? Sim, a escola é obrigatória. Mas para o quê? A escola é um passaporte obrigatório para um mundo alienado, sendo ela própria um centro que propaga alienação – é necessária pois “educa” as pessoas na lógica da economia burguesa, que em si é algo caótico e que explora o ser humano – desse modo, o ambiente escolar não escapa dessas características.

Assim como uma fábrica, a escola – na primeira parte do filme – é um local onde os seus operários – no caso os alunos – são cobrados duramente e somente por aquilo que devem e que podem produzir; seguindo a lógica da produção, assim como na fábrica, a qual bonifica o trabalho dos operários através do pagamento do salário, a escola o faz por meio das notas, aprovações etc. Contudo, traço marcante prevalece nos dois espaços: a exploração do trabalho. Na escola, o professor e o aluno são explorados. Em nome de quem? Quem os explora? Todos estão refém de uma lógica – de uma ideologia – que distancia as pessoas delas mesmas valorizando elementos mundanos que nos ludibria acerca da verdade. Teorizando, podemos dizer que a escola, naquele contexto, está longe de ser um espaço de humanização, pois está diretamente ligada aos valores da economia burguesa, que essencialmente vincula o homem ao processo produtivo, numa produção de riqueza alienante. Neste caso, reproduz o conhecimento de forma utilitarista e técnica, fragmentando-o e especializando o saber. O saber torna-se um meio, não havendo satisfação em si e para si do conhecimento; este serve unicamente em vista de um retorno material. A educação burguesa, portanto, ignora a sensibilidade do aluno, pois está interessada exclusivamente na capacidade de produção destes estudantes, impondo a eles uma concepção de trabalho produtivo. Embrutece estes indivíduos pois coloca a teoria antes da prática, distanciando-os das qualidades e dos interesses reais que estes alunos poderiam ter sobre os mais diversos campos do saber. Neste sentido, a escola burguesa fragmenta e teoriza o conhecimento, compartimentalizando-os em disciplinas distintas, que exigem profundas especializações por parte dos alunos, evitando qualquer tipo de interdisciplinaridade. Em suma, como numa fábrica, a escola também cultiva e impõe a alienação do ser humano.

No filme, contudo, o professor Thackeray assume uma postura que inverte toda esta lógica. Pega todos os livros que subsidiavam as suas aulas e os jogam no lixo. Dali para frente ele e os seus alunos iriam conversar. Compartilhar e trocar experiências, construindo juntos aprendizados. Iriam construir saberes que dialogavam diretamente com a vida de cada um; não haveria mais incompatibilidade entre teoria e prática. As conversas, questões e problemas seriam trazidos da prática. A proposta do professor era de ensinar e trabalhar no sentido de formar os seus alunos pessoas adultas: homens e mulheres inteligentes, pois – sobretudo – responsáveis consigo e com o próximo. Educação para a vida, não apenas para o mercado. Thackeray percebeu que a escola e o seu funcionamento estavam alimentando um tumor na vida de todos ali. Era preciso humanizar um espaço por todo coisificado; sensibilizar o que estava embrutecido. No filme não está escancarada a preocupação de formar pessoas compromissadas com o materialismo histórico e dialético. Mas o professor Thackeray soube usar na prática o essencial para desenvolver uma prática educativa revolucionária – que forma intelectuais orgânicos – condição fundamental para que se desenrole, no acirramento concreto da luta de classes, a revolução das condições materiais de existência.

Gustavo Ferraz

guramosferraz@gmail.com

FILME:

  • 1967: To sir, with love (Ao mestre, com carinho). Reino Unido; drama, cor. Direção e roteiro: James Clavell. Estúdio: Columbia Pictures Corporation.

Textos de referência:

  • MORILA, Ailton Pereira e SENATORE, Regina Célia Mendes. Trabalho e Educação

em Marx e Gramsci. In: Revista da Rede de Estudos do Trabalho, Ano III, n. 6, 2010.

  • SILVA, João Carlos da. Educação e Alienação em Marx: Contribuições teórico-

metodológicas para pensar a História da Educação. In: Revista HISTEDBR On-line,

Campinas, n. 19, p. 101-110, setembro 2005.

Este post é uma continuação do anterior no sentido de atualizar as referências que podemos estabelecer entre o pensamento marxiano e a Educação. Anteriormente concluímos que a Educação mantém uma relação estreita, condicional, com a alienação – cerne do modo de produção capitalista. Podemos acessar este post a partir do link: https://escsunicamp.wordpress.com/2011/11/30/karl-marx-e-educacao/

Agora, com esta publicação, faremos referência a Antônio Gramsci (1891 -1937), pensador marxista italiano, o qual sugere que a educação e o processo educativo podem superar a alienação do trabalho, contribuindo ativamente para com a transformação e superação da sociedade capitalista. Baseamos estes argumentos no texto de Ailton Pereira Morila e Regina Célia Mendes Senatore (referência ao fim do texto).

Como a educação pode superar a alienação? Antes, é preciso se ater ao princípio do trabalho (o qual abarca o conceito da alienação), ponto central para pensar a Educação sob este perspectiva.

O trabalho, nesta perspectiva, é entendido como essência do ser humano – não apenas no sentido prático de atividade produtiva, pela qual utilizamos o termo usualmente. O trabalho, portanto, em seu sentido genérico, seria a relação primeira que o homem estabelece com a natureza, transformando-a e transformando a si mesmo, incessantemente, num processo dialético. O trabalho é, portanto, a atividade vital que engendra a cultura, que forja a consciência e que principia a organização política e as relações sociais entre os homens. Numa frase, o homem é fruto do seu trabalho. Após a satisfação das primeiras necessidades (comer, beber, proteger-se do frio, descansar etc.), conseguidas pelo trabalho, o ser humano gera para si outras necessidades. A partir daí, pelo aumento do processo de produção e da complexidade social, aumenta-se também a divisão do trabalho, que inicialmente adota como critério os aspectos físicos e biológicos (homem caça e mulher cuida do lar, por exemplo) e, noutros casos, como se percebe na história da sociedade civilizada, ocorre a divisão social do trabalho – na qual o critério é a posição que o indivíduo ocupa na estrutura daquela sociedade – no processo produtivo. Sob este critério, a divisão mais elementar é a diferenciação entre trabalho intelectual e trabalho manual: “é esta divisão que engendra a propriedade privada” (MORILA e SENATORE, 2010, p. 2); ou como afirma Marx, esta divisão do trabalho e a propriedade privada são “expressões idênticas: a primeira enuncia em relação à atividade, aquilo que se enuncia na segunda em relação ao produto da atividade” (MARX, 1986, p. 46). Neste quadro, o trabalho do homem se torna alienado, visto que obedece aos interesses de classe, em que as riquezas produzidas por uns são apropriadas por outros, em que a regra é: proteger e garantir a propriedade privada. Esta e os interesses a ela vinculados passam a ditar os rumos da organização social – inclusive dentro da escola, através da propagação da ideologia burguesa.

Seria a partir dessas compreensões que podemos pensar em transformar a escola e o processo educativo. Sobre isto, é importante atentar ao fato de que Karl Marx não conferia grande peso ao potencial revolucionário da escola. Apesar de o autor considerar a importância da transformação neste âmbito somando-se dialeticamente com o acirramento da luta de classes, Marx focava o maior peso na fábrica – no cerne do modo de produção capitalista e da transformação social. Há de se considerar que, no contexto de Marx (século XIX), o acesso à escola era escasso, pouco acessível; e as escolas disponíveis para os trabalhadores eram estritamente técnicas e operacionais, no sentido exclusivo de formar mão-de-obra capaz de operar máquinas e de cumprir os seus serviços na fábrica. Mesmo assim, considerava que a educação poderia desempenhar um papel revolucionário no interior do ambiente fabril. Dentro da fábrica, teria de ser desenvolvido um projeto de educação que conciliasse o trabalho técnico ensinado ao operário, com o ensino intelectual, este nunca desenvolvido junto com a massa trabalhadora. Segundo eles, Marx reivindicava uma educação que valorizasse não apenas as mãos dos trabalhadores, mas também o cérebro, no sentido de situá-los em sua condição histórica e de classe. A superação da alienação seria, portanto por meio da formação sobretudo das crianças no interior das fábricas.

Digamos que a contribuição de Gramsci é uma atualização do pensamento marxiano sobre Educação porque o contexto histórico do século XX já era diferente. Com a consolidação do Estado burguês inicia-se um processo que bem podemos perceber atualmente: a escola burguesa universalizou o ensino e o acesso à escola. Isto confere a esta instituição um peso bem maior quando comparado aos meados do século XIX. Gramsci dimensiona este novo peso e confia nestas instituições ideológicas – como é o caso da escola – um tremendo poder de transformação social.

Diferentemente de Marx, o qual pensa a educação a partir da fábrica, Gramsci toma como ponto de partida a cultura. Para o autor, a sociedade pode ser dividida entre sociedade política (o âmbito do governo e dos aparelhos coercitivos – onde se estabelece a dominação) e sociedade civil (o lugar dos aparelhos ideológicos, da hegemonia e do consenso, onde transitam as ideias que são aceitas pelo senso comum – onde se estabelece a direção); como numa equação, a soma das duas é o que podemos chamar de Estado. Com esta distinção, Gramsci confere muito peso ao que se passa no âmbito da sociedade civil, onde, por exemplo, atua a escola. Isto porque, a dominação (aqueles que governam) não se mantém se não houver consenso (que é o senso comum); ou seja, para uma classe ser dominante os seus interesses têm de ser hegemônicos no âmbito da sociedade civil. A escola, portanto, a serviço da classe trabalhadora, tem o potencial revolucionário de subverter os valores dominantes burgueses, a partir de uma propagação ideológica contra hegemônica. Neste sentido, o autor enxerga a escola como um espaço propício e essencial para a transformação da sociedade, como afirmam Morila e Senatore, tendo em vista que a escola pode instrumentalizar a classe trabalhadora para que esta possa, em união, superar o estado atual das coisas.

Além disso, Gramsci acredita que a transformação intelectual e moral das pessoas é condição para a revolução das condições materiais da sociedade. O processo é dialético, sendo um condição para o outro – por isso a tamanha necessidade de desenvolvê-los e articulá-los no sentido da transformação social como um todo. No que concerne à escola, ela propicia a elevação cultural das pessoas, o que é condição para o processo revolucionário. Neste sentido, o papel da escola tem por dever o papel fundamental de desenvolver intelectuais orgânicos, isto é, pessoas compromissadas com o materialismo histórico e dialético, e com a superação do trabalho alienado. Como? Suas acepções não diferem muito daquelas que Marx havia afirmado anteriormente. Gramsci reivindica o espaço da escola, enquanto o pensador alemão prevê o desenvolvimento da educação no interior da fábrica. Para além disso, Gramsci afirma que o ensino técnico (profissionalizante) deve ser conciliado com o desenvolvimento intelectual do indivíduo, no sentido da formação de intelectuais orgânicos – os quais contribuem ativamente para com a transformação da realidade social. Este é o ponto para superar a alienação.

É óbvio que a tarefa não é simples, ainda mais tendo em vista o aprofundamento das condições precárias dentro da escola e que acometem todo o sistema educacional brasileiro: os baixos salários, a falta de infraestrutura, de investimentos, o sucateamento da escola pública e do favorecimento das instituições de ensino privadas, a má formação dos professores e educadores, a incompatibilidade do material de ensino proposto com a realidade dos alunos e alunas; ou seja, a escola quase como um depósito obrigatório; como algo que mesmo inconscientemente nota-se que perdeu, ou mesmo não possui claramente, um sentido. Podemos assim afirmar se quisermos tirar um retrato estereotipado da educação brasileira. Contundo, diante de todas as adversidades é necessário lutar em nome de uma educação pública de qualidade. A tarefa não é simples, mas um passo importante é justamente trocar ideias, transmitir pensamentos que se elaboram a partir da crítica para que a realidade injusta venha à tona, para cada vez mais pessoas. O professor pode juntar forças e plantar muitas sementes com o seu trabalho. É um dos principais que sofre com o trabalho alienado e com as péssimas condições, ao mesmo tempo em que tem o poder de dialogar com muitos indivíduos acerca das questões que cercam tanto a sua quanto a vida deles. As contribuições de Marx e Gramsci são imprescindíveis, tanto para a reflexão, quanto pelo estimulo e o vislumbramento real de uma ação, de um comportamento, que busca, sobretudo, a emancipação do ser humano em prol dos interesses populares.

Textos de referência:

MORILA, Ailton Pereira e SENATORE, Regina Célia Mendes. Trabalho e Educação em Marx e Gramsci. In: Revista da Rede de Estudos do Trabalho, Ano III, n. 6, 2010.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. 5. São Paulo: Hucitec, 1986.

Tratamos anteriormente sobre a visão de Durkheim sobre a Educação, demonstrando o quão presente estão as suas contribuições sobre a realidade do século XXI. O autor compreende a Educação enquanto um fenômeno social fundamental para manter a vigência da sociedade. A Educação transmitida, ou reproduzida por meio do processo educacional, estabelece o que é o certo e o que é errado – através da transmissão das normas e valores prezados pelo meio social – e reproduz a lógica da especialização e da produção – pilares da economia política atual – ao fragmentar o saber por conta das diversas áreas profissionais existentes, as quais, em união, permitem o funcionamento orgânico da sociedade. Durkheim também previa a privatização das escolas (que é a “casa da Educação” desde a consolidação do Estado burguês) e a despadronização da qualidade do ensino – escolas “boas” e escolas “ruins” – pois esta lógica obedece a mesma lógica da desigualdade social existente no âmbito da economia política. Podemos acessar o post sobre Durkheim neste mesmo blog através do link: https://escsunicamp.wordpress.com/2011/11/16/durkheim-e-educacao-realidade-do-seculo-xxi/

Uma pequena observação:

Pretendemos, com estes textos, relacionar a própria atividade do professor – e de toda a escola – com os principais nomes da sociologia, num sentido de estimular a reflexão sobre a sociedade a partir da própria atividade para a qual se destina as contribuições deste blog. É fundamental que o professor de sociologia transforme a sua própria atividade em objeto de reflexão pois assim, além de trazer os alunos junto da crítica, possui um maior cabedal para saber como lidar com a turma e proporcionar momentos proveitosos.

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Neste post trataremos da contribuição de outro pensador sobre o mesmo tema. Qual é a contribuição teórico-metodológica que Karl Marx (1818 – 1883) pode dar sobre a história da educação e sobre o processo, ou sistema educacional?

O primeiro ponto a ser considerado é que o autor do século XIX não dedicou muitos escritos diretamente sobre o tema. Desse modo, o que se pode fazer é, sobretudo, desdobrar o pensamento marxiano para o campo da Educação. Assim faz João Carlos da Silva, educador brasileiro contemporâneo, o qual parte dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 e da Crítica da Educação e do Ensino, ambas as obras de Marx, para chegar a conclusões mais gerais do pensamento do alemão sobre o tema.

Nesta perspectiva, a Educação é entendida dentro da dinâmica do capital; e mais, como reprodutora das condições de trabalho alienantes – reprodutoras da ideologia burguesa.

Segundo João Carlos da Silva, o ponto central para pesarmos a Educação sob este prisma é a partir do conceito de alienação. Isto porque esta é a marca fundante do capitalismo; e mais: a alienação é a condição de vida, de todos os homens e mulheres que vivem na sociedade capitalista. A lógica do capitalismo é alienante. Somos alienados, em primeiro plano, pela própria posição que assumimos no processo de produção. Alienados por vivermos numa sociedade de classes. Mas, de modo mais claro,o que seria esta alienação no contexto capitalista?

A alienação é uma condição que tem origem na divisão social do trabalho, sendo a mais elementar a divisão do trabalho manual e intelectual; a partir daí surge a alienação, processo em que o trabalhador distancia-se e separa-se da riqueza que produz pois ela não mais lhe pertence – pois pertence ao capitalista, outro ser humano que explora o seu trabalho e lucra com esta exploração. Neste contexto, o homem torna-se mercadoria, numa conjuntura em que o pensamento dominante fica imbuído pelo conceito e pela realidade da propriedade privada, a qual deturpa a relação entre os homens, engendrando um mundo pautado pela concorrência de todos contra todos, o que distancia todos da sua condição plena de ser humano, generalizando portanto a condição de alienação. A sociedade capitalista é essencialmente uma sociedade alienante, pois a alienação elementar está no cerne do seu modo de produção.

Para ficar mais claro consideremos que o trabalho, na fábrica por exemplo, é um trabalho alienado. Por quê? Sob a lógica alienante do capital, a atividade produtiva, o nosso “trabalho” do dia-a-dia torna-se um meio de sobrevivência, no qual o trabalhador não reconhece a sua individualidade, nem pretende encontrar no trabalho a sua maior satisfação, mas pelo contrário, se utiliza do trabalho para satisfazer outras necessidades que lhe são alheias; ou seja, trabalhamos porque temos de trabalhar, mas não aproveitamos a riqueza do nosso trabalho e este tão pouco contribui para com as necessidades humanas do homem, limitando-se male má às satisfações materiais de vida do trabalhador. É neste sentido que podemos pensar o trabalho/atividade na escola – um centro que produz educação. A escola cultiva o conhecimento como o meio necessário para que o aluno possa concretizar uma vida de sucesso material fora da escola. Pragmatiza este projeto de vida inserindo na cabeça dos envolvidos no processo educacional a necessidade do estudo para uma boa inserção no mercado de trabalho. Tudo isto é feito sob a lógica da especialização e da produção, próprias de um mundo regido pelo capital. Educa-se sob os limites da alienação.

A fim de desenvolver este raciocínio, João Carlos da Silva faz uma comparação entre a realidade de uma fábrica e a realidade escolar. O traço comum é que estruturalmente os dois espaços funcionam do mesmo modo, ou com o mesmo propósito, tendo em vista que as pessoas neles inseridas trabalham em função do capital. Para o autor, este paralelo é importante de ser traçado, visto que a atividade dos alunos na escola é uma expressão da atividade que ocorre no seio do modo de produção capitalista, que é, por excelência, a produção fabril. Nestes termos, assim como numa fábrica, na escola os professores e os alunos são cobrados por aquilo que produzem e pelo o que devem produzir. As notas, as pontuações, os certificados e os diplomas são elementos que cumprem o mesmo papel que o salário tem para o trabalhador na fábrica; ou seja, servem como recompensa, ou bonificação pelo trabalho produtivo realizado pelo aluno na escola.

Neste sentido, o autor conclui que a escola está longe de ser um espaço de humanização, pois está diretamente ligada aos valores da economia burguesa, que essencialmente vincula o homem ao processo produtivo, numa produção de riqueza alienante. Neste caso, reproduz o conhecimento de forma utilitarista e técnica, fragmentando-o e especializando o saber. O saber torna-se um meio, não havendo satisfação em si do conhecimento – o que, para além de trazer unicamente um retorno material, contribui diretamente para com a emancipação e o desenvolvimento intelectual do ser humano. A educação burguesa, portanto, ignora a sensibilidade do aluno, pois está interessada exclusivamente na capacidade de produção destes estudantes, impondo a eles uma concepção de trabalho produtivo. Embrutece estes indivíduos pois coloca a teoria antes da prática, distanciando-os das qualidades e dos interesses reais que estes alunos poderiam ter sobre os mais diversos campos do saber, pois os entenderiam primeiramente na prática e em conjunto, na organicidade da realidade. No sentido contrário, a escola burguesa fragmenta e teoriza o conhecimento, compartimentalizando-os em disciplinas distintas, que exigem profundas especializações por parte dos alunos, evitando qualquer tipo de interdisciplinaridade. Nestes marcos atuais, João Carlos da Silva considera que, assim como a fábrica e/ou a empresa capitalista, a escola também cultiva e impõe a alienação do ser humano.

De modo não muito distinto, os apontamentos de Durkheim e de Marx sobre a Educação coincidem. Ambos a consideram como instituição fundamental que mantém o estado de coisas, a vigência orgânica e estrutural da sociedade da época. Escola enquanto reprodutora ideológica e berço dos futuros homens e mulheres que, trabalhando, darão continuidade à vida social e à dinâmica do capital, nos termos de Marx. Desdobrando o pensamento de Marx, chegamos a termos mais precisos, quando comparados às colocações de Durkheim. A escola é uma instituição alienante e alienadora.

Cabe, agora, a seguinte reflexão: é possível transformá-la?

texto de referência:

SILVA, João Carlos da. Educação e Alienação em Marx: Contribuições teórico-metodológicas para pensar a História da Educação. In: Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 19, p. 101-110, setembro 2005.

Pretendo aqui oferecer alguns materiais que podem ajudar o professor a abordar este tema de suma importância. Em diversas ocasiões o professor pode tratar das condições de trabalho em que está submetida a população brasileira. Neste enfoque, é fundamental que seja enfatizado a calamidade da escravidão, que persiste, desde o período colonial – que teve início no século XVI – até os dias de hoje. O professor, com mais informação, aprofundando-se a partir de relatos, textos e dados, pode contribuir de modo muito produtivo para com a reflexão da turma sobre a realidade brasileira, subsidiando os seus alunos para que tomem consciência e se posicionem diante dos problemas existentes na sociedade.

Eis aqui um livro que trata diretamente do assunto. Trata-se de um relatório realizado pela Organização Internacional do Trabalho, a partir do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, lançado pelo governo federal em 2003. Em 2004, o Brasil assumiu perante a ONU a existência de 25 mil pessoas vivendo sob a condição de escravo. Este livro traz importantes e surpreendentes relatos sobre esta realidade. Fundamental para o professor. A primeira edição é de 2005:

TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL DO SÉCULO XXI – OIT

O relatório pode ser encontrado em

www.oit.org.br

www.ilo.org/declaration

caso não encontrem, posso enviar por e-mail: guramosferraz@gmail.com

Além do livro, alguns vídeos podem ser bem interessantes, tais quais:

BAGAÇO é um documentário de 2006 realizado pela Comissão Pastoral da Terra de Pernambuco e pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. O documentário trata diretamente do trabalho escravo no século XXI, realidade dos canaviais brasileiros. Um ótimo material, tanto para ser apresentado em sala, e/ou servir de apoio para o professor. Para assistir, acesse o link:

http://www.social.org.br/index.php?option=com_content&view=section&id=4&layout=blog&Itemid=9

Este vídeo pretende expor a realidade do MST, movimento criado oficialmente em 1984, que hoje conta com mais de 2 milhões de pessoas, dentre as quais mais de 350 mil famílias vivem assentadas nas terras conquistadas. O vídeo é muito bom no sentido de desmascarar os estereótipos midiáticos sobre as lutas e movimentos sociais, ao mesmo tempo em que demonstra a existência destas lutas justamente contra a desigualdade da concentração fundiária, do trabalho escravo, e da exploração do homem pelo homem. Vale a pena.

 

No mais, muitos materiais estão disponíveis na web e podem ser de grande valor tanto para incrementar quanto para possibilitar uma boa contribuição por parte do professor para com os seus alunos. É importante que nos dediquemos a temas tão relevantes. Boa aula.

O assunto que pretendo desenvolver aqui já foi evocado neste mesmo blog, no seguinte post: https://escsunicamp.wordpress.com/2011/10/20/visaodurkheimian/. O post trata da “visão durkheimiana da Educação”. Acredito ser possível aprofundar ainda mais a concepção deste autor sobre o tema, entendendo a Educação como um fenômeno social essencial para a existência e reprodução da sociedade contemporânea. O que pretendo é fornecer algum subsídio para que seja traçado um resgate das colocações de Durkheim (1858-1917) e que a partir disto seja feito um paralelo com a função e com as condições atuais da Educação e do sistema educacional. O encaixe das ideias de Durkheim com a realidade é impressionante. Este é um importante material para o professor de Sociologia, tendo em vista que é um gancho para tratar da conjuntura em que vivemos a partir da reflexão sobre o próprio espaço em que ele, e os seus alunos, estão inseridos – a escola.

O objetivo aqui é ser direto, portanto, levantemos a questão elementar: o que é educação para Durkheim?

O autor conclui: “a educação consiste numa socialização metódica das novas gerações” (DURKHEIM, 1978, p.41). Obcecado por fórmulas e imbuído pela tradição positivista, Durkheim equaciona o seguinte: “A educação é a ação exercida pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontrem ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine” (DURKHEIM, 1978, p.41). É preciso atentar à minúcia das palavras escolhidas por Durkheim, pois desta citação desprende-se todo o pensamento do autor sobre a Educação.

Segundo o autor, portanto, o sistema educacional (que é a escola – “o lugar da Educação” – sobretudo a partir do século XVIII) tem o papel de “moldar” os indivíduos no sentido de enquadrá-los harmoniosamente na sociedade em que vivem. Como? A escola reproduz os costumes e normas gerais que vigoram na sociedade em determinada época. Por exemplo, Durkheim diz que se um grupo social viver em estado permanente de guerra com sociedades vizinhas a educação se esforçará por formar espíritos fortemente nacionalistas, mas se a concorrência internacional tomar forma mais pacífica, o tipo que o meio social procurará realizar a educação será mais geral e mais humano. Em outras palavras, pode-se dizer que o sistema de educação impõe conhecimentos e funciona no sentido de preservar o Estado, da maneira como ele se encontra naquele momento histórico específico. A educação, isto é, a escola não tem por objetivo formar pessoas subversivas, antissociais; pelo contrário, afirma o autor – a instituição de ensino pune aquelas pessoas que fomentam ideias consideradas impróprias. O objetivo de educar a população não é o de levar a sociedade à morte, mas de formar pessoas capazes de perpetuar o estado da sociedade vigente. E nesta modulação, o indivíduo que for contra, ou aquele que não acompanhar o processo, está passível de punição e/ou exclusão social. As pessoas estão submissas à escola? Sim, afirma o autor. A escola, então, representa uma tirania? Não, diz Durkheim, pois as pessoas estão interessadas nesta submissão. As crianças são passíveis de aceitar ideias novas, além do que a relação com o professor ameniza e humaniza esta função institucional da escola; e, por último, faz parte do senso comum o seguinte: ruim na escola? Pior fora dela; isto é, a escola é entendida como um lugar que distancia as pessoas da exclusão, da marginalidade social.

Outros dois aspectos interessantes. O primeiro: A escola deve ser igual para todos?

Não, afirma Durkheim. A educação além de reproduzir normas e costumes gerais de uma determinada sociedade num determinado momento de seu desenvolvimento, reproduz também conhecimentos especializados que variam de uma função para outra. Ou seja, a educação reforça e perpetua os costumes, valores e conhecimentos básicos que permitam a própria existência da vida coletiva daquela sociedade; ao mesmo tempo, reforça e perpetua a especialização, a diversificação necessária: escolas diferenciadas de profissionalização (cada indivíduo cumpre uma função na sociedade – um é médico, outro padeiro, outro professor – e são interdependentes para viver numa sociedade); além desta, podemos identificar outra diversificação necessária perpetuada pela escola: a divisão de classes. A escola não é igualitária, pois a base de nossa sociedade é divisão de classe social. Alguns têm acesso ao melhor, ocupando as profissões mais valorizadas – outras pessoas não tem acesso à qualidade, vivem na precarização, da escola, da profissão e da vida. É necessário, para a manutenção de um Estado que se funda na desigualdade, existir uma escola desigual. O que podemos perceber hoje, com a precarização da escola pública (onde o povo, a maioria está inserida) e com a supervalorização das escolas privadas (lugar da minoria burguesa)? Não é verdade que, no máximo, uma escola precarizada lança os seus alunos com má formação num mercado de trabalho também precarizado e de baixa remuneração, formando trabalhadores manuais? Já as particulares, objetivando sempre lançar os seus pupilos nas melhores universidades, não está em busca de qualificar trabalhadores intelectuais? Estas indagações mesclam aquilo que Durkheim colocou, com o princípio da alienação – marca fundante da sociedade capitalista, como bem desenvolve pensadores como Karl Marx (1818-1883). Ponto interessante a ser desenvolvido pelo professor.

Última questão. Por que o Estado deve cuidar da educação na visão de Durkheim?

Partindo da visão de Durkheim de que a educação tem por finalidade adaptar a criança ao meio social para o qual ela se destina, fica claro que o Estado deve se preocupar com a forma pela qual se dará essa educação, ou seja, admitindo-se que a educação seja função essencialmente social, não pode oEstado desinteressar-se dela,pois se o fizer a sociedade ficará à mercê de interesses particulares, arruinando-se numa multidão incoerente de divergências particulares. Nas palavras de Durkheim: “Se a educação, como vimos, primacialmente se apresenta como função coletiva, se tem por fim adaptar a criança ao meio social para  o qual se destina – é impossível que a sociedade se desinteresse desse trabalho” (DURKHEIM, 1978, p.47).

Comoaeducação, portanto, nãopoderiaafastar-se doEstado, uma vez que é justamente ele a referência em vista da qual a educação dirige os seus esforços. Contudo, Durkheim também prevê um fenômeno totalmente possível de ocorrer, e que nada mais é que a realidade dos dias de hoje: a privatização. Durkheim afirma que o Estado deve ter o controle sobre a Educação, mas não necessariamente o monopólio do ensino. O autor defende a ideia de que indivíduos, muitas vezes, são mais atuantes e renovadores em comparação ao Estado, e portanto, podem controlar os estabelecimentos de ensino. O determinante é que haja um órgão do Estado que fiscalize e que padronize (a partir de um controlem e de permissão) o conteúdo das escolas privadas. Estes estabelecimentos, portanto, devem ser reconhecidos como aptos pelo Estado no momento em que – principalmente – não estejam a serviço de um ensino antissocial ou de uma educação contra as normas da sociedade vigente.

A partir, portanto, desta concepção durkheimiana de que a Educação é o meio pela qual a sociedade prepara as suas próprias condições de existência, o professor pode suscitar reflexões e trabalhos muito coerentes e importantes sobre a realidade do século XXI, sobre os problemas e condições em que vivem as pessoas em nossa sociedade.

Este texto amparou-se no seguinte trabalho de Durkheim:

DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia.Tradução doProfessor LourençoFilho.Rio deJaneiro: Melhoramentos eFundaçãoNacional deMaterialEscolar, 1978.