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por Andrew Oliveira

O Jardim Campo Belo e a Escola Estadual Professora Celeste Palandi de Mello são uma metáfora e ao mesmo a crua realidade das metrópoles brasileiras as quais se configuram e se desenvolvem à base da exclusão. Escola e bairro nasceram a partir da luta popular por uma cidade socialmente justa; representando, portanto, duas lutas clássicas dos movimentos sociais – moradia e educação. Nesse cenário de disputa, nos saltam e assaltam aos olhos a dureza e a crueldade desta Campinas marcadamente desigual.

 

A Celeste Palandi está na periferia desta metrópole: as condições de infra-estrutura urbana são deficientes – por inúmeras vezes houve problemas com a distribuição de água ou queda total de energia elétrica. Está situada em uma região com apenas as ruas principais pavimentadas, com sistema de transporte de má qualidade, anos-luz distante de outro direito que é a mobilidade urbana. O tráfico de drogas e a violência são tristes realidades. Há muitos problemas, mas escola e comunidade lutam para sobreviver e ter uma luz nesta cidade muitas vezes tão nublada.

 

Quantos paradoxos. Às vezes, parece-nos que estamos em outra cidade, mas não, é a mesma cidade, a mesma Campinas. Município que abriga do outro lado da rodovia, a apenas alguns quilômetros da escola, o pretencioso Aeroporto Internacional de Viracopos, de investimentos bilionários, onde muitos (ex-)alunos/as e comunitários/as trabalham temporariamente graças às expansões do aeroporto. As próprias pessoas do Campo Belo ajudam a erguer o que no futuro pode acabar com o bairro. Afinal, há especulações e pressão para desassentar milhares de moradores da região para que essa subvalorizada área esteja à disposição dos investidores do grande capital. Mas certamente, o Campo Belo que já lutou tanto há de resistir.

A periferia parecia estar longe, mas com o tempo estamos vendo que Celeste Palandi e Campo Belo não estão tão à margem quanto se pensava. O “des-envolvimento” bate às portas. Tomara que a comunidade esteja no centro das lutas e possam garantir mais vitórias diante de uma forte desproporção de forças.

Voa, voa, voa…

 Andrew Oliveira

Na esquina da escola,

tinha um menino

que soltava pipa

e brincava sozinho

Brincava com o vento,

coloria o céu

 

Voava o menino

com o seu coração

Voava o menino

no mesmo céu

que voa bonito e grande avião

 

Um dia será

Um dia serei

Não vou mais soltar pipa

Vou ser grande, ser rei

 

E sonhando sonhou o menino

que um dia estaria

ele mesmo no céu

(muro da escola Profª. Celeste Palandi).