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Imagem em  http://racismoambiental.net.br/2010/04/

 Em 01 de junho de 2008, o líder do MST João Pedro Stédile foi entrevistado no programa de televisão Canal Livre, da TV Bandeirantes. Pelo formato do programa, são apresentadas perguntas diretas, provocativas, dando oportunidade de resposta ao entrevistado. Sédile agradece a cada ocasião, por mais dura que seja a questão colocada, pois explica qu está tendo oportunidade de ser ouvido.

 Ao longo dos 60 minutos de entrevista, vários temas são propostos por Stédile para terem ampla discussão na sociedade, mas que são ocultados pelo casamento quase indissolúvel da grande mídia internacional com os interesses do neocapitalismo globalizado. Neste sentido, a reforma agrária no Brasil não avança com foco em distribuição de renda e justiça social, e o MST vai sendo “criminalizado” perante a opinião pública.

 Como um projeto para ensino médio, os trechos abaixo da entrevista do Stédile (disponíveis no YouTube) poderiam ser utilizados para discussão de diversos conceitos do programa de Sociologia: classe social, capitalismo, reforma agrária, poder da mídia, conscientização, movimento social, neoliberalismo etc.

 Trecho 1:  http://www.youtube.com/watch?v=AsCxkvnax4w

Trecho 2: http://www.youtube.com/watch?v=yVQ_3FFhN2s

Trecho 3: http://www.youtube.com/watch?v=xnfchaMcls8

Trecho 4: http://www.youtube.com/watch?v=DcJutA76G2g&feature=related

Trecho 5: http://www.youtube.com/watch?v=-kAhe5PCzlA

Trecho 6: http://www.youtube.com/watch?v=KFzuheNm2Q0

Baderneiros e mimados

O filósofo inglês diz que os quebra-quebras em Londres são obra de uma juventude dependente e ressentida, criada pelo excesso de políticas estatais assistencialistas

Esta é a manchete das páginas amarelas da Revista VEJA – Edição 2235 – 21 de setembro de 2011  –  Leia a entrevista na íntegra em:

http://veja.abril.com.br/210911/baderneiros-e-mimados-p-17.shtml

Indicação: este texto, atual e provocador, pode ser usado em sala de aula para tratar de diversas conexões entre alteridade, preconceito, autoritarismo, utopia, etc. Ele retrata a visão de um filósofo inglês (Roger Scruton) conservador, portavoz de uma classe com fortes sinais de xenofobia. Ele se descreve como um ex-socialista que “acordou” para a farsa dos levantes estudantis de 1968, nos quais foi ativo participante.

Minha opinião (juízo de valor sobre as afirmações de Scruton: (foi uma resposta a um homem de negócios de topo no Brasil, nível de bilhões em termos de movimento no mercado financeiro)

Prezado “Fulano”,

O perigo de posições como a do Scruton é que elas resvalam pelo mesmo argumento nacionalista usado pelos nazistas contra os judeus: descreve uma realidade com muitos pontos de verdade e com clareza, dá uma versão que agrada a um público xenófobo, e generaliza o conflito como sendo causado pelos “OUTROS”. A saber: “nós”  (established, ingleses)  e os “outros”  (outsiders, imigrantes).

Por exemplo, veja o trecho: “Mas é preciso um pouco mais de honestidade intelectual para buscar uma resposta mais concreta sobre o que ocorreu em Londres. Por debaixo do verniz civilizatório, todo homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se esse verniz for arrancado, o animal vai mostrar a sua cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz nessa recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra.”

Ou seja, imigrante é uma fera humana, pois tem apenas “verniz”, mas os ingleses “puros” passaram pelo “processo civilizatório”  (a la Norbert Elias). E feras causam arruaças, depredações etc. Mas se estão dando voz a Scruton, aí vem ferro para os imigrantes. Já estou antevendo: “Heil! Europa para os europeus” — resta apenas saber quem é um europeu…

Abs,

“Este que vos escreve”

http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=64738

22/08/2011 

Um dos destaques do II Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL em São Paulo, foi a palestra de , do Publishing Perspectives. Após citar números do mercado de e-books lá fora, Ed entrou na nossa seara e se entusiasmou: “O governo brasileiro, que faz compras substanciais de livros para escolas de todo o país, anunciou que vai começar a comprar ‘conteúdo digital’ em 2014 — o que pode ser chamado de ‘Dia D’”. 

Embora as estatísticas nessa área por ora só sejam relevantes nos Estados Unidos, é compreensível que uma notícia dessas assombre os gringos. Afinal, não é todo dia que um player do tamanho do governo federal entra no jogo – e mesmo que o impacto imediato seja apenas nos livros didáticos (textbooks, na palestra de Nawotka), é de se esperar que esse contato precoce com o livro digital influencie os hábitos de leitura da população jovem a médio e longo prazo. 

Em outras palavras, livro didático digital na escola pública pode querer dizer um mercado significativo para outros tipos de e-books no futuro – e esse futuro pode nem estar tão distante assim! 

O X da questão

O que não entrou na equação de Nawotka é COMO essa inclusão digital será feita nas escolas brasileiras. 

Várias pesquisas têm demonstrado que a mera inserção de equipamentos tecnológicos no ambiente escolar não melhora o desempenho dos estudantes. Uma das mais recentes foi o sexto relatório do PISA 2009, intitulado Students On Line – Digital Technologies and Performance. 

Com foco na capacidade de leitura de estudantes de 15 anos em 19 países, o relatório lançado no fim de junho diz que “a sua maior surpresa talvez seja a falta de uma relação clara entre a frequência de uso das TICs na escola e a performance de leitura digital dos alunos”. E acrescenta: “O uso das TICs na escola não esteve positivamente associado às habilidades de navegação nem de leitura (…)”. 

Essa conclusão pode ser chocante, mas não é nova. O mais curioso é um segundo dado: “Ao examinar a relação entre a performance de leitura digital e o acesso a computadores na escola ou em casa, viu-se que o acesso caseiro se relacionou positivamente com a performance, enquanto o acesso escolar não”. Essa relação é válida em 16 dos 19 países, inclusive quando se leva em consideração a origem socioeconômica dos alunos. 

Embora o relatório faça ressalvas sobre as próprias conclusões, não deixa de ser alarmante. Se as TICs na escola não têm feito diferença em habilidades como navegar por algumas páginas e compreendê-las, o que o PISA vai encontrar quando avaliar as áreas de matemática (2012) e ciências (2015) com “ênfase na capacidade de ler e entender textos digitais e de resolver problemas apresentados em formatos digitais”? 

E mais: se estudantes de 15 anos estão desenvolvendo certas habilidades mais em casa do que na escola, o que isso nos diz sobre o ensino de hoje? 

Pistas para a escola do século XXI

A parte boa é que o próprio relatório dá pistas de como resolver o problema. Vou resumir aqui algumas das principais: 

– Outras políticas e práticas escolares interagem com as relações observadas; é preciso levar em conta todos os fatores que influenciam a eficácia do uso de TICs na escola 

– Uma análise aprofundada deve caminhar mais na direção da qualidade do que na da frequência desse uso; um exemplo seria oferecer mais atividades baseadas em projetos, que permitam aos alunos explorar várias abordagens na resolução de problemas, como já fazem sozinhos em casa 

– Se as TICs não forem parte essencial do projeto pedagógico da escola, é improvável que os professores se motivem a investir no uso delas 

– Se os professores tiverem oportunidades adequadas para se desenvolver no uso de TICs, ficarão mais propensos a integrá-las de modo efetivo e regular às suas práticas de ensino 

Pedras no caminho?

Portanto, meu caro @EdNawotka, pode haver mais pedras no caminho do pleno desenvolvimento da leitura digital no Brasil do que fazem supor as atuais manchetes. Quem viver verá…

 Até a próxima,

@gabidias

Gabriela Dias

 

Gabriela Dias (@gabidias) é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso (e mais um pouco) na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.