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Sugestão de video para se trablhar a temática Gênero, em específico o opressão contra a mulher e suas conquistas ao longo dos tempo.

Link do video:

http://www.youtube.com/watch?v=zU_z2QmwuhY&feature=related

Visto que um recurso utilizado com freqüência em aulas de sociologia é a apresentação de filmes, ou trecho de filme, segue abaixo um artigo sobre a utilização de filmes em sala de aula.

O artigo que segue é de autor João Luís de Almeida Machado, Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro “Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema” (Editora Intersubjetiva).

O cinema na sala de aula
Estratégias de trabalho com filmes em sala de aula

A utilização de filmes em sala de aula depreende etapas prévias a apresentação da produção como já pudemos verificar em outros artigos e também elementos que permitam a utilização dos conteúdos e referências demonstrados a partir da película em trabalhos e avaliações. O elemento mais importante está relacionado, no entanto, a aplicação do filme durante as aulas, ou seja, como o professor pode orientar a ação dos alunos para que os melhores resultados possíveis possam ser atingidos.

Nesse sentido cabe, novamente, a recomendação de um planejamento prévio através do qual o educador tenha clareza quanto aos objetivos relativos à utilização do filme; se a produção será utilizada na íntegra ou apenas alguns trechos da mesma (e quais seriam, nesse caso as seqüências selecionadas); qual a relação entre o filme e os conteúdos que estão sendo trabalhados em sala de aula; que elementos principais devem ser destacados antes, durante e depois da apresentação da película; e, obviamente, as atividades que serão realizadas em função da utilização do filme em correlação de forças com as aulas sobre os temas trabalhados na produção, os materiais didáticos de apoio ao curso além de outros referenciais que eventualmente sejam pedidos ou sugeridos como ponto de apoio para as discussões e projetos fomentados.

Pensando nisso, os próximos passos relativos à utilização de filmes em sala de aula descritos nesse artigo referem-se à estruturação das aulas quanto às estratégias e metodologias que farão parte das aulas. O que se quer, a princípio, é que as aulas sejam dinâmicas e atraentes para os estudantes. Para que isso ocorra é necessário que se organizem atividades que façam com que o educando participe ativamente dos procedimentos. Trabalhar com pequenos grupos e em situações de simulação da realidade são quesitos importantes para que os filmes possam ser discutidos e gerem produção escrita.

Organização é outra palavra fundamental quando pretendemos trabalhar com grupos de estudantes; todos os detalhes de encaminhamento das atividades têm que ser apresentados antecipadamente para os estudantes. Aulas expositivas são importantes antes de o filme ser apresentado ou logo depois da amostragem dos mesmos.

Aulas expositivas que são apresentadas antes do uso dos filmes têm o propósito de traçar um panorama geral do tema que está sendo estudado. Através dessa prévia dos conteúdos apresentados em aula o educando tem condições de comparar textos utilizados, informações disponibilizadas pelos professores, artigos de revistas especializadas, referências de jornais ou revistas de grande circulação com os filmes.

O professor tem que assumir o compromisso de disponibilizar os recursos e mobilizar os alunos não apenas através de seminários, centralizando as ações, mas também, atribuindo responsabilidades e mobilizando os alunos através de atividades que se desenvolvam durante suas aulas que antecedem o uso dos filmes.

Quando os filmes antecedem as aulas expositivas, a função do uso das películas é diferenciada em relação ao caso anteriormente apresentado. Os filmes são utilizados como recurso de chamamento dos educandos ao tema, têm o propósito de despertá-los para os temas em questão, introduzem o assunto em aulas.

Mesmo nesse caso torna-se necessário que os professores procurem orientar as atividades no tocante ao filme, indicando caminhos, lançando questionamentos antes da apresentação do filme, pedindo maior atenção quanto a determinados aspectos da história representada ou intercedendo nos momentos que considere apropriados (se necessário, parando a apresentação do filme em vídeo ou DVD).

Não é recomendável que os estudantes façam anotações durante a apresentação do filme, isso dispersa a atenção dos mesmos para os detalhes da trama, do cenário, dos figurinos e de outros elementos representativos que podem ser utilizados pelo professor em suas atividades posteriores.

As aulas expositivas que transcorrerem depois da apresentação devem ser utilizadas para referendar os pontos importantes disponibilizados pelo filme, aprofundar o assunto e introduzir idéias que tenham passado despercebidas, sem que tenham sido mencionadas; novamente, cabe ao professor utilizar os recursos complementares para que suas aulas sejam elucidativas, interessantes e para que a atenção e a participação dos educandos seja contínua.

Se o professor considerar necessário os trechos mais importantes podem ser apresentados mais vezes, depois que as discussões e debates, assim como a redação sobre o material fílmico, já estiverem em curso durante as aulas.

A proposta de trabalho em pequenos grupos tem o objetivo de fazer com que os educandos troquem idéias entre si, despertem uns nos outros a atenção quanto a aspectos que não foram percebidos, discutam questões propostas pelo professor e escrevam sobre o que viram.

A idéia de simulações como proposta de ação nas aulas depois da apresentação do filme tem o propósito de aproximar os temas apresentados nos filmes da realidade vivida pelos alunos, tornando o assunto em questão ainda mais pulsante e vivo para os mesmos. Ambientar as aulas em situações como uma redação de jornal, uma estação de rádio, uma organização não-governamental ou uma secretaria de governo pode estimular os estudantes e fazer com que o resultado final dos trabalhos seja ainda mais interessante.

 

  • Referência Bibliográfica:  

http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=825

Em estágio acadêmico realizado no primeiro semestre de 2011, na Escola Estadual Jornalista Roberto Marinho – Campinas, SP, um tema trabalhado com freqüência, com alunos da segunda série do Ensino Médio, foi o da violência.

 Está temática foi trabalhada em todas suas formas de expressão como, por exemplo, violência doméstica, violência contra mulher, violência presente nas ruas, etc.

Como atividade complementar foram trabalhadas algumas músicas do cantor Gabriel “O Pensador”, dentre elas “Retrato de um playboy”, “Lavagem cerebral”, “Estudo errado”, “O resto do mundo” e “Até quando”.

A sala foi dividida em cinco grupos, para cada qual foi distribuída a letra de uma das músicas (citadas acima).  As músicas foram tocadas para que todos estudantes escutassem e, em seguida, esses foram orientados a fazer uma análise da letra que se encontrava com eles.

 O objetivo da análise (e da atividade) era que os alunos identificassem na letra qual “tipo” de violência estava sendo tratada. A partir de trechos das músicas, que serviriam de base para reflexão, os alunos deveriam elaborar uma discussão sobre a forma de expressão da violência que a letra tratava.

Ao final abriu-se um debate para que os grupos expusessem suas reflexões e, em contrapartida, os alunos expressassem suas opiniões.

 

Para melhor ilustrar está atividade apresento abaixo uma reflexão de um dos grupos, o qual estava com a música “O Resto do Mundo”:  “Foi identificado que a falta de oportunidade pode gerar violência como, por exemplo, acabar com a vida de terceiros, pois não se tem nada a perder; a questão do racismo, sendo racismo igual a burrice (“burro quem acha que racismo não existe”). Identificamos também que a  questão de falta de oportunidades, de acordo com a música, pode estar ligada as pessoas ricas, o que gera grande revolta, podendo desencadear vários tipos de violências (roubos, assassinatos, etc.)” (comentários dos estudando da Segunda Série do Ensino Médio, da Escola Estadual Jornalista Roberto Marinho, a respeito da música “O Resto do Mundo” ‘Gabriel “O Pensador”).

A questão da violência nas escolas é temática recorrente na França, sendo colocada através da mídia ou mesmo dentro do próprio ambiente escolar.

Esta questão pode parecer nova, tendo surgido nos anos 80 e se desenvolvido nos anos 90, porém essa temática surge no século XIX quando

“houve, em certas escolas do 2o grau algumas explosões violentas, sancionadas com prisão. Da mesma forma, as relações entre alunos eram frequentemente bastante grosseiras nos estabelecimentos de ensino profissional nos anos 50 e 60.” (CHARLOT, Bernard. A violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão, Sociologias, Porto Alegre, no 8, 2o semestre 2002, p. 1).

Entretanto, nos dias atuais a violência nas escolas assume novas formas.

As novas formas de violência, dentre as quais encaixam-se homicídios, agressões com armar, passam a impressão de que não existem mais limites e que tudo poderá acontecer no ambiente escolar – “o que contribui para produzir o que se poderia chamar de angústia social face à violência na escola.”(idem, p. 2)

Há outro fato novo: os jovens envolvidos são cada vez mais novos. Alunos que apresentam comportamentos agressivos estão presentes desde pré-escola até o ensino médio.

Outro componente da violência escolar é o aumento de “fatores externo” que influênciam em tais casos como, por exemplo, grupos de jovens que resolvem suas desavenças dentro das escolas, familiares que buscam “justiça” para “injustiça” cometida no ambiente escolar contra seus parentes, ou seja, “a escola não se apresenta mais como um lugar protegido, até mesmo sagrado, mas como um espaço aberto às agressões vindas de fora.”(idem, p. 2)

Já atos repetitivos que podem não ser considerados atos de violência geram certa tensão no ambiente escolar, o que aumenta a angústia social, tanto mais do que atos realmente violentos.

Enfim, a violência escolar parece aumentar apesar das diversas tentativas de combatê-la:

 “tudo se passa como se a violência na escola tivesse convertendo-se em um fenômeno estrutural e não mais, acidental e como se, depois de instalada nas escolas de bairros problemáticos, ela se estendesse hoje a outros estabelecimentos.”(idem, p.3)

A situação de angústia social gera discursos sociomidiáticos (idem, p.3) que tendem agrupar fenômenos de natureza diferentes.

Entretanto, quando se analisam os locais onde corre a violência escolar é possível afirma que, em tais locais, encontra-se uma forte situação de tensão. Já em ambientes em que este tipo de violência vem diminuindo encontra-se uma equipe escolar que soube como diminuir a situação de tensão. Assim, é possível dizer que

“os incidentes violentos se produzem sobre um fundo de tensão social e escolar forte; em tal situação, uma simples faísca que sobrevenha (um conflito, às vezes menor) provoca a explosão (o ato violento). É preciso, portanto, dedicar-se às fontes dessa tensão” (idem, p.8)

Algumas origens de tal tensão podem ser encontradas no próprio bairro em que a escola está inserida como, por exemplo, um bairro considerado violento há grande possibilidade da escola deste bairro ter um índice alto de violência escolar. Porém, há bairros considerados violentos onde suas escolas apresentam um índice baixo de violência escolar.

Outras origens de tensão são o depósito, ou não, de expectativa colocada na escola em relação ao futuro profissional, a lógica e finalidade da instituição escolar, a relação da escola com o saber.

Assim, o estudo sobre a violência escolar deve se fundar na relação da escola com o saber, já que essa questão pode estar diretamente liga ao estado da sociedade, as desigualdades e formas de dominação que estão relacionadas às instituições escolares. Como também, deve estar ligada as práticas de ensino do dia-a-dia, que deveria ter como fim gerar prazer de freqüentar a escola.

Referência: CHARLOT, Bernard. A violência na escola: como os sociólogos franceses abordam essa questão, Sociologias, Porto Alegre, no 8, 2o semestre 2002.